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Campanha para abater a autoridade do Papa

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Em recente artigo intitulado “O abraço de cristo, maior queas feridas”, Dom Filippo Santoro, bispo de Petrópolis (RJ) esclarece que nacampanha mediática desencadeada recentemente contra o Papa Bento XVI e a Igrejaa “culpa de alguns membros, uma pequena minoria, tiraria a autoridade de toda ainstituição que atualmente é a única que lembra sem equívocos a voz da consciênciae a defesa total da vida e da dignidade das pessoas”. Em seguida publicamos oartigo do prelado, publicado também na página da diocese serrana.

 

“O momento presente, marcado pela acirrada discussão sobre apedofilia, é uma grande ocasião de purificação e de conversão da Igreja parapoder comunicar com transparência a todos o abraço da justiça e da misericórdiade Deus , que é a razão pela qual ela existe.

 

O papa Bento XVI na Carta aos católicos na Irlanda comgrande humildade e coragem afirma que: “para se recuperar desta dolorosaferida, a Igreja na Irlanda deve em primeiro lugar reconhecer diante do Senhore diante dos outros, os graves pecados cometidos contra jovens indefesos. Estaconsciência, acompanhada de sincera dor pelo dano causado às vítimas e às suasfamílias, deve levar a um esforço concentrado para garantir a proteção dosjovens em relação a semelhantes crimes no futuro”(n 1).

E aos sacerdotes e religiosos que abusaram dos jovens diz:“deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunaisdevidamente constituídos” (n. 7). Por isso se indica uma perspectiva que comtoda clareza submete para o futuro estes crimes ao juízo dos tribunaiseclesiásticos e civis.”Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemoscontas das nossas ações sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossaculpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis damisericórdia de Deus” (n.7).

 

E Aos bispos acrescenta que «estabelecessem a verdade dequanto aconteceu no passado, tomassem todas as medidas adequadas para evitarque se repita no futuro, garantissem que os princípios de justiça sejamplenamente respeitados e, sobretudo, curassem as vítimas e quantos sãoatingidos por estes crimes abnormes”(n.5).

 

“Deve-se admitir que foram cometidos graves erros de juízo eque se verificaram faltas de governo. Tudo isto minou seriamente a vossacredibilidade e eficiência. Aprecio os esforços que fizestes para remediar oserros do passado e para garantir que não se repitam. Além de pôr plenamente emprática as normas do direito canónico ao enfrentar os casos de abuso de jovens,continuai a cooperar com as autoridades civis no âmbito da suacompetência. Só uma ação decidida levadaem frente com total honestidade e transparência poderá restabelecer o respeito”(n.11).

 

Algo mais claro que isso não poderia ser dito e a naturezaemblemática desta carta se aplica não apenas à Irlanda como às outras nações nomundo onde estes crimes foram cometidos manifestando o firme propósito de punircom rigor os culpados e de não esconder absolutamente nada.

 

Mas com tudo isso a onda mediática não se declara satisfeitaporque o seu objetivo é abater a autoridade moral do Papa e da Igreja. A culpade alguns membros, uma pequena minoria, tiraria a autoridade de toda ainstituição que atualmente é a única que lembra sem equívocos a voz daconsciência e a defesa total da vida e da dignidade das pessoas. Quer-seatingir a Igreja em quanto tal, na sua capacidade de falar aos homens e àsmulheres de nosso tempo. É claro que os mesmos que acusam são aqueles quepregam qualquer liberdade e justificam tudo em matéria de sexo.

Essa é a tentativa deeliminação da consciência do bem e do mal deixando tudo ao arbítrio do homem edo poder. E no fundo é a eliminação de Deus, não de um deus construído pelosentimento e pelas opiniões, – esta divindade é largamente acolhida pelamentalidade dominante – mas de um Deus que é diferente de nós: o Altíssimo quequis se manifestar na nossa história como companheiro e salvador.

Ele já nos doou tudo,nos libertou. Não compactuou com pecado, mas o perdoou por meio de um amormuito maior. O que não se tolera em certa mentalidade dominante é a Presença deum amor total, que incide e que transforma a vida e que lembra a todos o valorobjetivo da consciência moral.

 

A partir de pecados detestáveis de alguns membros da Igreja,a partir de faltas morais se quer destruir a origem da moral que é a presençado infinito no coração do homem que a Igreja prega e testemunha por meio do domgeneroso e total de muitos seu filhos sacerdotes e religiosos. Se chega aassociar celibato e pedofilia, quando muitas sérias pesquisas científicasdemonstraram que não tem a ver uma coisa com a outra e que a maioria destesdelitos acontece em família. Assim se quer atingir todos os padres e negar apossibilidade de uma doação integral, isto é virgem, para Cristo e para o bemdos irmãos e irmãs.

 

Mas esta tentativa violenta de desmoralizar a Igreja nãopode tirar a presença objetiva do bem maior que existe na História: o abraço deCristo à humanidade ferida. A onda mediática e gravíssimos erros não podemvencer o bem mais precioso que a Igreja tem e comunica: a esperança e a vitóriada ressurreição. Esta é a fonte da qual partir novamente com humildade,transparência e rigor no serviço ao mundo de hoje.

 

Uma Feliz Páscoa para todos”.


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