08.09.2021 – Quarta feira, pós feriado, calor, preguiça, e uma mãe com câncer.
É óbvio que eu não esperava aquela ligação, muito menos se tratando da minha mãe. A gente mal se falava pessoalmente, imagine por telefone.
Sai correndo do trabalho e fui encontrá-la na Praça da Matriz, aqui de São Bernardo, ela estava lá, com os resultados do exame na mão e me entregou eles como um decreto ou “sentença de morte”.
Eu li tudo, não entendi nada, e em fração de minutos comecei a imaginar a minha vida e a do meu irmão (mais novo que eu), sem a minha mãe. Choramos, e eu resolvi rezar por ela, ali mesmo.
Me lembro perfeitamente da passagem que o Senhor nos dava. Sim, Ele NOS dava, não era só para ela, era pra mim também: “Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. (Josué 1:9)
Naquele momento, algo encheu meu coração de paz e esperança, pois tive a certeza de que tudo que viria pela frente seria uma nova oportunidade de olhar toda a vida de outra forma.
E que forma! Que nova forma!
Acho que nem preciso dizer, que desde então iniciamos todos os tratamentos sugeridos com o intuito da cura. E eu que pensava que a palavra CURA, mal poderia existir no dicionário “cancerígeno”, se é que vocês me entendem.
Foram 4 sessões de quimioterapias vermelhas e 3 brancas, quedas de cabelo, noites mal dormidas, 3 cirurgias para retirada e reconstrução das mamas, novas amizades nos hospitais, conhecimentos de realidades diferentes, e muito amor de Deus por nós.
Eu jamais poderia deixar de dizer aqui o quanto me senti completamente amparada por meu Amado Esposo, através do cuidado dos meus irmãos de Comunidade, amigos e familiares.
Pode parecer loucura, e talvez realmente seja, mas o câncer nos deu um novo sentido de vida. Nos aproximou novamente como mãe e filha, nos deu a graça de rezarmos juntas sempre diante das inseguranças e medos e além de tudo, de ter um olhar totalmente fixado no Alto.
Hoje está tudo bem, graças a Deus! Todos os tratamentos que seguimos fazendo são profiláticos. Ou seja, um método de “prevenção” para que o câncer não volte ou haja metástase para outros órgãos.
Dois anos de vida nova
Dois anos que eu ando por aí desejando mais do que tudo ver o sorriso da minha mãe após um procedimento cirúrgico, ou numa simples terça feira de manhã.
E estou aqui para dizer que, mesmo sabendo que cada caso é um caso, e que sobretudo nós mulheres, devemos nos atentar aos nossos exames anuais, aos toques físicos (em observância a um possível nódulo), o câncer não tem a palavra final. Ele nunca terá! Nossa confiança, o nosso futuro, devem ser alicerçados Naquele que tudo sabe e tudo pode. E por fim, posso dizer sem sombra de dúvidas, que nem sempre o câncer irá tirar nossas vidas ou a de quem amamos, mas na maioria das vezes ele abre os nossos olhos para de fato aprendermos a viver.
Gabriela Porto
Discípula Comunidade de Aliança
Santo André (SP)
