CRÔNICA | Acabei de chegar aqui. Só não digo que pisei em terra firme porque nesse lugar não é fácil colocar o pé no chão. A gravidade não deixa. O espaço é belo e misterioso. Há uma escuridão profunda nos lugares em que a magnífica luz do sol não alcança. Contudo, isso só indica que o universo é muito maior do que podemos ver com nossos olhos. A terra? Segue seu curso normal, graças a Deus! Ela também tem uma beleza inestimável, o seu lindo azul é encantador. Até então, é o único lugar onde se encontra a vida como a entendemos.
Estar aqui no espaço e olhar para o meu planeta é um verdadeiro privilégio. Não sei nem o que dizer, só sei que, ao mesmo tempo em que sou capaz de ver muito do que os livros dizem sobre a astronomia, contemplo a certeza de que Deus existe, que Ele ama muito seu povo e que sua criação é perfeita. Ah! Não sei se outras pessoas, no futuro, poderão ter essa experiência que vivo hoje, pois viajar para o espaço ainda não é tão simples como pegar um avião de Los Angeles para Londres.
A gravidade
Bom, mas estou enviando essa mensagem para falar sobre algumas descobertas que tive nesses dias. A primeira delas é sobre a gravidade. Como devem saber, o espaço é conhecido por sua “gravidade zero”. Aqui nós flutuamos! Mas nossos quilinhos não deixam de existir. A questão é que estamos inseridos em outra situação física. Contudo, o que gostaria de falar é que essa experiência com a gravidade me faz lembrar do meu encontro com a misericórdia de Deus no sacramento da confissão.
Sim! A leveza que experimento é como a reconciliação com o Senhor, depois de me arrepender e de confessar os meus pecados a um sacerdote. O peso dos meus erros cometidos não me impedem mais de alçar voos. Sou livre! Além disso, a “ausência de gravidade” me recorda o quanto é importante não resistir a ação de Deus na minha vida. Quanto mais eu me rendo ao seu amor, mais leve e livre vivo cada dia, caminhando, dessa forma, ao encontro do projeto que Ele mesmo sonhou para mim.
A luz do Sol
É belo ver os planetas e os pequenos pontos brilhantes que chamamos de estrelas, mas o que será que tem para além de onde a claridade não alcança? Sim, pois, sabemos que a luz do sol, apesar de intensa, não chega até as extremidades do universo. Quando pensava sobre isso, comecei a me questionar sobre as áreas da minha vida que ainda não foram visitadas por Deus. Não porque Ele não seja capaz de alcançá-las, mas porque, muitas vezes, eu mesmo escolho deixá-las no escuro.
Diferente da luz do sol, a luz de Deus alcança a alma como um todo. Mas, para isso, é necessário a nossa contribuição, apresentando cada uma das nossas extremidades, ou melhor, periferias, como o Papa Francisco costuma chamar. Só assim a luz do verdadeiro Sol será capaz de dissipar as trevas que carregamos em nossa história, em nossa memória, em nossa fraqueza. É um processo fundamental para crescermos na fé e no autoconhecimento.
Silêncio espacial
Outra descoberta que fiz é que o silêncio do universo é absoluto. As nossas vozes são as únicas que surgem em meio à calmaria do espaço. Nesse sentido, acabamos por refletir muito sobre tudo. Por isso, inclusive, que estou escrevendo essa mensagem. Estou tentando externar um pouco daquilo que se passa no meu coração durante esse grande retiro espacial. Sei que não estou sozinho, mas a experiência de isolamento aqui em cima é inevitável. Estou longe de casa, contudo sinto que aqueles que amo estão perto de mim. Principalmente, Deus!
Olho para a grandeza de todo o universo e me reconheço tão pequeno, tão minúsculo, tão pobre, tão frágil. E ao mesmo tempo percebo que a minha vida está segura nas mãos de Deus. É Ele quem me sustenta nesse lugar. É sua divina providência que me conduz e não me deixa me perder nesse caminho que não tem estrada certa. Por mais que estejamos munidos de cálculos, não posso negar, pelo contrário, devo testemunhar: nós contamos com a graça de Deus.
Voltar para a Terra
O que eu vou fazer quando voltar para a Terra? Vou amar mais. Vou estar mais perto daqueles que mais precisam de mim, pois, a partir do que vejo aqui, posso afirmar que a vida fraterna é uma das maiores necessidades do homem. Somos seres relacionais. Não nascemos para viver sozinhos. Nascemos para o outro e o sentido da nossa vida está na doação ao próximo. Estar aqui no espaço abre meus olhos ainda mais para essa realidade.
Bom, espero encontrá-los em breve! Não vejo a hora de conversar com cada um pessoalmente e de comer várias pizzas com vocês. Que saudade! Escrevo para a minha família, para os meus amigos e para você que gosta muito de ler. Preciso ir agora verificar algumas coordenadas na estação espacial. Estamos perto de realizar novas descobertas nessa aventura no espaço.

Sensacional!!!
Cómo se llama el astronauta que escribe esta carta?
Gostei muito do seu texto,é muito interessante como é sua experiência ai!
Deus abençoe grandemente!❤️??