Formação

Cartas Joaninas

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As cartas de São João:

Três escritos são atribuídos pela tradição da Igreja ao Apóstolo João: 1João; 2João; 3João. Estes escritos são chamados de cartas ou epístolas devido ao seu estilo de escrita. Este estilo o encontramos em São Paulo e nas outras cartas Católicas (estudaremos melhor depois). Em um nível mais estreito podemos diferenciar cartas de epístolas, assim definindo:

CARTAS – Escritos endereçados a uma ocasião determinada, a determinado grupo de pessoas com objetivo de dar uma informação precisa.

EPÍSTOLAS – Escritos formados por tratados em forma de carta. Destinados a um número amplo de pessoas, seu endereçamento é idealizado. Este estilo difere em essência do anterior por não se tratar de uma abordagem precisa a uma comunidade, antes trata-se de um tema desenvolvimento a um público amplo.
Dentre os escritos joaninos, baseando-nos na distinção que fizemos entre carta e epístola, podemos perceber na 1o um estilo mais epistolar, enquanto na 2o e na 3o um estilo mais de carta. Vejamos se conseguimos identificar estes estilos presentes nas cartas, abramos nossas Bíblias:

1o João 1, 1__4. – Procure encontrar a quem o autor endereça a sua Obra. Perceba que ele não introduz com uma saudação e endereçamento (como faz normalmente Paulo), mas sim com um Prólogo.
O autor em nenhum momento faz a menção de destinatários, apenas chama aqueles para quem escreve de “Filhinhos”… (1Jo 2, 1. 12. 18. 28; 3, 7.18; entre outras)

Ver 2o João 1 & 3o João 1s. – Percebamos como o endereçamento é bastante preciso e o conteúdo também parece se desenvolver em uma linha de esclarecimento. A conclusão destas cartas também transparecem um estilo bastante direcionamento: cf. 2Jo 12s. & 3Jo 13ss.

1. Primeira carta de João

1o João é uma carta muito interessante, ela destina-se a uma ampla comunidade assolada pela ameaça de uma heresia que parece ter surgido no interior destas comunidades. Sua marca essencial está na exortação à comunhão entre os irmãos e à comunhão com Deus. O termo grego “Koinonia” (Koinonia) é uma marca característica desta carta (cf 1, 3).

1.1 A mensagem
I Jo 1,1-5

A Introdução de I Jo dirige-se à situação concreta de uma comunidade ameaçada pela heresia na fé no Verbo da vida, que se fez carne. A heresia Gnóstica, com sua falsa mensagem da salvação pela comunhão direta com Deus, se opõe à verdade clara do cristianismo, ou seja, de que a comunhão com Deus só se dá pela fé no Verbo Encarnado, na vinda de Jesus na carne. Por este motivo, é indispensável para esta comunidade a fé e a convicção naquilo que lhe foi anunciado. A Epístola inicia no ponto em que fala da experiência daqueles que conheceram o revelador Divino, o Portador da Vida, na fé o aceitaram, e o testemunham em prol da comunhão. ( I Jo 1,1-4).

Versículo 1:
– “principio”: Se interessa mais por Deus, origem da luz e do amor que se manifesta, do que pelas limitações do tempo;
– “Verbo da Vida”: É a manifestação pessoal de Deus, é Jesus Cristo, que veio Revelar Deus pessoalmente, e nos transmitir a vida espiritual;

Versículo 2:
– “a Vida se manifestou“: Ressalta o evento da Encarnação do Verbo, que é Jesus, vindo na Carne para manifestar a Vida Eterna que permanece Nele, ou seja Ele permanece portador da vida eterna, mesmo tendo se encarnado;
– “E nós a temos visto”: As testemunhas não anunciam idéias filosóficas, mas o que viram e ouviram;

Versículo 3:
– “Vos anunciamos para que também vós tenhais comunhão conosco”: Eis a finalidade do testemunho. A comunhão com Deus só existe pela comunhão com as testemunhas, que por sua vez estão em comunhão com as três Pessoas divinas;

Versículo 4:
“alegria (vossa ou nossa) completa:
A comunhão com Deus é considerada como fonte de alegria completa, porque a força do amor que a vida eterna promete enriquece desde já a vida de agora.

Versículo 5:
“Deus é luz” sugere :
a. A santidade moral de Deus;
b. Advertência para o procedimento moral agradável a Deus
c. Que Deus é amor que se revela;
d. Deus é aquele que se manifesta em Cristo, a luz do mundo (ver Jo 1,9)

Deus é puro e resplandecente dar-se, ausência total de sombras no amor, que manifesta ao entregar-nos Seu próprio Filho. Assim, o amor que se dá é o único meio de ter a comunhão com Deus, que é luz. Se observarmos Jo 2,9-11 veremos que nesta passagem “treva” é ligada ao ódio fraterno” e “luz” ao “amor”. Assim, por trás destas afirmações está que a atitude em comunhão com Deus é a do amor que se entrega, enquanto o pecado é egoísmo que se petrifica em desamor. Deus resplandeceu não apenas para si, mas para o mundo. Ele é amor que se doa. Assim, o único meio de ter comunhão com Deus é um despojamento do próprio eu, indispensável ao amor que se dá.

1.2 Caminhar na luz e nas trevas
I Jo 1,6 até I Jo 2,11

Versículos 6 e 7
“se dissermos…”: Alude à afirmativa arrogante dos hereges sobre si mesmos, e alerta para os cristãos que, contaminados pela gnose, poderiam vir a pensar-se, mesmo como cristãos, criaturas superiores, sem pecados. Isto iria contra a verdade, contra a comunhão cristã, e contra a Salvação em Jesus Cristo;
“mas se caminhamos na luz”: Se caminhamos na luz então temos a comunhão fraterna entre nós: a comunhão concreta do amor fraterno, na qual se revela a comunhão com Deus. Estarmos nessa comunhão fraterna de amor é o pressuposto para que o sangue de Jesus nos possa purificar, porque a comunhão entre nós nos torna abertos para a entrada da única força capaz de tirar realmente os pecados: o amor que se revelou na Cruz e que ainda agora está vivo e criativo em Deus e em Seu Filho;

I Jo 1,8 até 2,2
Os hereges gnósticos devem ter defendido a opinião de não terem pecado. Mas o autor da Epístola sabe que esta atitude errônea representa um perigo também para os cristãos. Quem perde de vista o Deus real a ponto de imaginar-se, apesar de seus pecados, seguro da comunhão com Deus e da Salvação, já nem enxerga seus pecados, e mente para si mesmo. E o remédio contra a auto-ilusão de não termos pecados é confessar os pecados. Então Deus mostra a Sua fidelidade e justiça em oposição à nossa auto-ilusão. Ao passo que quem afirma que não pecou torna para si a Palavra de Deus, que julga e perdoa, como que uma palavra de mentiroso.

Quem acredita que somos purificados pelo sangue de Jesus não pode fazer pouco do pecado. No entanto, a confiança na fidelidade e na justiça que vem depois da confissão do pecado também não deve ser destruída, pois Jesus aparece como Aquele que revelou na morte o amor de Deus e agora vive como nosso advogado, no relacionamento certo com Deus e com os homens. E a Sua justiça na vida terrena consistiu em dar a vida por nós (Ver I Jo 3,16), e desta forma dar vazão ao amor de Deus para conosco. Esta justiça, este amor que se entrega não deixou de existir. Ele continua vivo e remove os pecados daqueles que o “conhecem” e nele “permanecem”. Ele os liberta das garras do desamor e do ódio e lhes dá forças para o amor. Assim, existe a possibilidade dos cristãos caminharem na luz, embora corram sempre o perigo de pecar e, muito embora de fato pequem, esta possibilidade existe pela comunhão com Cristo glorificado, que está junto ao Pai em atitude de holocausto de amor.

(Que podemos fazer diante disto? Olhar cheios de fé para Jesus como intercessor, que oferece ao Pai sempre de novo o seu sangue, e decidir novamente caminhar na luz para ter Jesus como “advogado”, sendo assim afastados os obstáculos no caminho para o Pai).

I Jo 2,3-11
Este trecho nos apresenta um novo tema, mas forma uma unidade com a passagem anterior. Na série de afirmações tanto negativas como positivas, somos colocados em relacionamento com Deus. Na série de negativas o ser de Deus se manifesta de um modo quando queremos rebaixá-lo à nossa categoria; já na série negativa, aparece sua misericórdia, que vai ser descrita mais precisamente no capítulo 4 como “Amor”.

1.3 Saudação e Advertência
I Jo 2, 12-17

Aparentemente sem motivo temos uma saudação. Porém, ela deve marcar o auto conceito dos cristãos. O autor insiste em conscientizá-los de que o que foi dito até aqui diz respeito a eles, que este caminho está a seu alcance. Isto desperta alegria com base no fato de que são cristãos. Leva assim à confiança na Salvação. Isto mostra a força que já está em nós para cumprirmos sua exigência.

E advertência sobre o “o amor do mundo” refere-se ao mundo não como a criação material de Deus ou o conjunto de homens, mas como o campo de ação formado pelo maligno sobre aqueles que fecha o coração aos seus irmãos. Seria a mentalidade egocêntrica. Assim, a advertência é dirigida contra o que em nós é do mundo, para que renunciemos à nossa própria vontade quando esta está dirigida contra o amor do Pai que nos foi dado. É um apelo à conversão do coração, a uma superação das concupiscência pela adesão ao valor superior e infinito.

1.4 A fé em Cristo
I Jo 2,18-27

Dá início à uma série de pensamentos escatológicos, que qualificam o tempo atual como tempo que precede o fim, como tempo de decisão. São citadas pela primeira vez as heresias que colocam em perigo as comunidades às quais o autor escreve.

1.5. Esperança de salvação, filiação divina e compromissos morais do Cristão I Jo 2,28 – 3,3

Vers. 28: Esta é a única vez que ocorre a palavra PARUSIA nos escritos joaninos. E com o apelo FIQUEM NELE , o autor coloca que o que acontecerá com aqueles que permanecem em Cristo no dia do juízo não é apenas serem poupados, mas a própria Salvação;

Vers. 29: Reconhecemos nossa filiação divina pela prática da justiça porque sabemos que Deus é justo;

Cap 3,vers.1: Ser prole de Deus no contexto joanino não se refere a cada homem criado por Deus, mas a todo aquele que recebe esta capacidade, que só pode vir de Jesus Cristo; Em seguida vemos que não podemos dizer sim ao amor do Pai e ao amor do mundo(no sentido de valores contrários a Deus), porque o mundo não conheceu(no sentido de experienciar) a Cristo, e por isto o odiou;

3, vers.2: Não nos compreenderemos como cristãos se não estivermos persuadidos de que o melhor ainda está por vir; que a nossa existência cristã no presente aguarda uma consumação, diante da qual o que ora temos parece miseravelmente pequeno;

3, vers 3: O motivo mais forte para nossa santificação é a esperança nesta consumação que não foi projetada por nós, mas por Deus. Uma fé que não está aberta a esta esperança não pode caminhar do modo como Deus lhe chama a caminhar;

1.6. O cristão e o pecado
I Jo 3,4-10

Todo pecado é contrário ao amor de Deus. E quem foi gerado pelo Amor não deve lutar contra o amor, porque o Espírito de Deus como semente do amor, que o fez filho do amor, permanece nele.

1.7. O mandamento do amor
I Jo 3,11-24

Como Abel foi odiado pelas suas obras justas por aquele que estava voltado para o mal, assim também os cristãos estão em oposição direta aos valores do mundo, e sua vida é muitas vezes odiada. Mas este ódio não deve nos causar espanto, porque é natural que os que amam pela força de Deus sejam odiados por aqueles que negam o amor. O amor, motivo que leva os cristãos a serem odiados. deve ser uma atitude igual a de seguir a cristo. Deve ser um amor tão radical e tão estranho para o mundo (naquele sentido) que tornará os cristãos passíveis de ódio, porque não procuram justificar o senso humanitário com raciocínios do mundo, mas o ligam à Cruz e ao seu escândalo, apelando a seguir para o crucificado, para o amor de Deus que se dá por completo. Mas não podemos esquecer que o ódio do mundo contra os cristãos só é demoníaco quando se dirige contra a mensagem e a realidade do amor da Cruz e não quando apenas atinge os cristãos porque eles mesmos agem contra esta mensagem. Quem se fecha para o amor passa para o lado do mundo.

Quanto ao amor fraterno, a comunidade de discípulos deve levar o mundo à fé. Em I Jo 3,16 a Palavra grega OPHEILOMEN não significa apenas devermos optativamente, mas que TEMOS OBRIGAÇÃO. E o amor fraternos dos cristãos é a entrega da própria vida segundo a norma da entrega que Cristo fez da sua vida. Quem nega ao irmão necessitado uma ajuda concreta, está fechando à ele seu coração, e portanto nega-se a dar a vida. Querem nega o amor fraterno tira a vida do outro, ao passo que quem o vive, está imolando a própria vida pelos irmãos, pela renúncia de si mesmo. Neste, a renúncia absoluta de Cristo está viva. O amor fraterno é um abrir do coração que representa a morte do amor próprio. Isto não é possível partir do próprio homem, mas do fato e da força da cruz. E Deus, que é maior do que o nosso coração (ver 3,20) no sentido de que Ele é amor inconcebível, que entrega Seu Filho para salvar o mundo, conhece mesmo a nossa fraqueza que deseja sanar, e colocar em nós a força da Sua Graça, justamente pelo amor com que atua através de nós para os outros. Assim, não podemos conhecer a comunhão com Deus pelas ações meritórias de nossa parte, mas pelos atos de amor que partindo de Deus para nós (que nos entregou Seu único Filho e nos deu o Seu Espírito Santo), geram em nós atos de amor divino que nos abrimos para praticar.

1.8. Novamente o tema fé em Cristo
I Jo 4,1-6

Cristo não é apenas um espírito, como afirmavam os gnósticos, mas ele veio na carne, fez-se verdadeiramente homem a ponto de dar a sua vida por amor a nós. E confessando o fato da Encarnação, se afirma o fato da Salvação, que não teria sido possível sem o fato de Jesus ser homem e Deus ao mesmo tempo. Assim dizer que Jesus Cristo veio na carne, implica dizer que a obra de salvação veio vencer o pecado (somente Ele vence o pecado em nós, que não somos perfeitos como afirmavam os gnósticos), e nos trouxe o dever de entregar também a nossa vida por amor aos irmãos ( porque o gnosticismo afastava do amor concreto pelo apelo ao amor direto a Deus sem passar por ninguém).

1. 9. Novamente o tema mandamento do amor
I Jo 4,7-21

Saber que o amor provém de Deus não é ainda a plena expressão da epístola, porque o amor provindo de Deus é apenas o primeiro passo do pensamento. O passo seguinte consiste em nos fazer compreender que o amor que provém de Deus deve ser poderoso, criativo em nossa vidas, e agir de modo divino em nós e através de nós. Assim, o convite a amarmo-nos mutuamente porque o amor provém de Deus e quem ama é gerado por Deus e conhece a Deus (I Jo 4,7), não é um convite a estabelecermos com as nossas forças as condições para sermos prole de deus, mas um convite PARA CORRESPONDERMOS AO QUE JÁ SOMO PELA GRAÇA, prole grada por Deus.

Destaque especial para os verss. 11-13:
Hoje em dia vemos mais claramente do que as gerações cristãs do passado, que também fora da revelação cristã existem no mundo serviços de dedicação ao próximo. Todavia, segundo a mensagem de I Jo, isto ainda não é o amor completo que Deus concretiza em nós. Faz parte do conteúdo da fé cristã o fato de que Deus levou ao mundo o amor que se dá ( que entrega a vida) pela imolação da vida de cristo. Isto deve mudar os nossos parâmetros referentes ao que significa amor de doação. Assim, amor fraterno r fé em Cristo formam um conjunto, porque não existe amor fraterno sem fé em Cristo e nem fé em Cristo sem amor fraterno, como condição para a comunhão com Deus. Isto porque se o cristão não percebe a ocasião que lhe é mais próxima e está diante dos olhos para tornar o amor concreto, mas em vez disso proclama ter um amor “puramente espiritual”. As palavras do Capítulo 4 ligam assim inseparavelmente o amor fraterno ao amor de Deus, como conseqüência do processo da Encarnação e Salvação.

1.10. A fé e o testamento de Deus
I Jo 5,1-12

As palavra “testemunho” e “testemunhar” são a nota mais forte no acorde final da Epístola. Vejamos como o pensamento se desenrola:

Vers. 1: Diz que quem é gerado por Deus deve amar Aquele que o gerou. Quem crê que Jesus é o ungido, filho de Deus, é daqueles que amam o Pai. Mas este amor ao Pai seria uma mentira se não nos levasse a amar os outros gerados por Ele. E o nosso amor fraterno deve imitar a entrega que Cristo fez de Sua vida para ser uma verdadeira entrega, e não uma auto-ilusão. E a entrega aos moldes de Cristo é sempre disposta a uma atitude de obediência aos Mandamentos.

Assim é que podemos dizer que em cada um gerado por deus está a semente de Deus qual força do amor que vence o mundo (mundo entendido como área do poder do maligno, marcada com a concupiscência egocêntrica).

Verss. 6 e 7: Aqui não se pensa em dois dons de Salvação ( a água e o sangue) e sim em um só dom em dupla forma: a água que dá vida no Espírito e o sangue que expia os pecados. Trata-se de uma única dádiva de Jesus, do Espírito Santo. A água revela o Espírito Santo, e o sangue está ligado ao amor de Deus que se imola.

Mas o Espírito veio não somente como atuante dentro da alma, mas para manifestar a realidade divina através do nosso testemunho, ou seja para realizar a ALETHEIA da qual já falamos no começo (a manifestação da realidade divina).

1.11. Conclusão da Epístola
I Jo 5,13-21

I Jo 5,13: Dá a finalidade da Epístola: despertar a confiança na Salvação.

I Jo 5,14.15: O objeto do pedido que certamente é concedido por Deus será o bem, no mais amplo sentido da palavra, e a vida eterna, com aquilo que encerra de grandioso? Realmente, a certeza do atendimento é somente outro aspecto da certeza da Salvação;

I Jo 5,16-17: A confiança na salvação torna-se confiança no que diz respeito à vida dos irmãos, e assim se torna confiança em relação à vida da comunidade dos fiéis, Atendendo à intercessão, Deus dará “vida” àqueles pecados que o cristão deverá confessa, e pelo qual seu coração, segundo I Jo 3,20 os condena. Quanto ao “pecado que leva à morte” em I Jo compreende uma oposição muito radical a Deus, que na Teologia Moral se chama “Pecado Mortal”. É a posição do maligno, que se transmite aos que, segundo a sua própria decisão, se colocam debaixo de seu poder.

I Jo 5,18-20
Atenção para o tríplice destaque “temos conhecimento…” em cada um destes versículos:
Vers.18 : “aquele que é gerado por Deus”, ou seja, o cristão, “Não peca”, ou seja não chega ao desamor total a Deus, que é o ódio satânico;
Vers.19: “ser de Deus diz respeito à filiação divina, à participação na comunhão divina. Quanto ao mundo, no sentido de valores carnais que se opõem a Deus, está nas trevas e no frio do desamor, necessitando da revelação do amor e da comunhão com o amor para chegar à pureza e ao calor da luz;
Vers.20: Leva mais uma vez para as profundezas da mensagem de I Jo sobre Deus e Seu Filho, que veio na realidade da carne, mas não como simples mestre e profeta, mas como Filho de Deus, como o Santo, como o Ungido. E nós não permanecemos apenas em deus, mas “estamos” no Seu Filho, que por Sua união íntima com o Pai pode ser denominado como “o Verdadeiro”, porque é tão transparente em relação ao Pai, que aquele que o vê, vê o próprio Deus, e nele pode interpelar a Deus.

I Jo 5,21
“Ídolos”: tudo o que pretende destronar o amor, colocando a si mesmo em seu lugar e, como corolário, o desamor e o ódio.

2. Segunda epístola de João

2.1 Estrutura do pensamento

Está expressa nos verss. 8-10. O ancião (título reservado para os chefes de comunidades, no caso João, chefe das comunidades da Ásia Menor)) previne à Senhora eleita (metáfora poética que designa uma comunidade particular) contra a infiltração de hereges. Para tanto, em primeiro lugar insiste no mandamento do amor, na unidade e na coesão da comunidade como condição indispensável para repelir os hereges. E depois fala da heresia cristológica.

2.2 Estrutura da epístola

2.2.1 Saudação ( v. 1-3)
2.2.2 O mandamento do amor (v.4-6)
2.2.3 A correta fé cristológica em oposição às heresias (v. 7-11)

2.3 Desenvolvimento

Verss. 1-3:
Depois de reconhecer a dignidade da comunidade pela sua eleição e a si mesmo como alguém que deve servir a esta comunidade, o autor escreve que os ama “na verdade”. A Palavra ALETHEIA, traduzida por VERDADE, ocorre nestes três versículos não menos do que QUATRO vezes, se tornando por assim dizer, uma “palavra-chave”. Isto não é expressão sentimental, mas mostra que o seu relacionamento para com estes cristãos está marcado pela consciência da fé. Aqui ressoa o pleno significado : “no espaço da realidade divina que se manifesta”, ou seja, o seu amor se abre para todos os homens aos quais o amor de Deus também se abre, porque a realidade divina se manifesta como amor. Portanto, aquele que pela fé entrar em comunhão de amor com o Pai e com o Filho, se abrirá para a comunhão “em verdade”. E por fim, temos a fórmula de bênção primitiva usada pelos cristãos que também leva o cunho joanino pelo acréscimo “na verdade” e agora também “no amor”(ágape), que é o próprio Deus.

Verss. 4-6:
Depois de exprimir sua alegria por saber que na comunidade já existe o “caminhar na ALETHEIA”( solidariedade alimentada pela fé em Cristo) , o autor insiste em aconselhar o amor fraterno, que tornou-se naturalmente necessário sobretudo pelos perigos que cercavam as comunidades sobre os quais ele escreve no vers. 7. Este proceder (elogiando e exortando pelo mesmo motivo) não é apenas um recurso pedagógico, mas é precisamente por ver este progresso, que o autor os exorta a estarem fortalecidos na sua decisão. Quanto ao mandamentos, são compreendidos da mesma forma que em I Jo 2,7s.

Verss. 7-11:
“Porque (ou pois) muitos sedutores…”Como pode esta frase servir de fundamentação para o pedido anterior de amor fraterno? Que nexo haveria entre a negação de Jesus Cristo e a ausência do ágape?
O nosso autor percebe em sua perspectiva teológica o nexo íntimo destes dois fatores; ele vê que a negação do amor de Deus demonstrado na Encarnação e morte real de Jesus solapa a base do ágape como Deus o quer e do qual os irmãos sentem necessidade. E todo aquele que “avança”( ultrapassando os limites do ensinamento apostólico), para se entregarem ao jogo de meras especulações ( no caso as tendências gnósticas daquele tempo) , não tem comunhão com Deus. Quanto à proibição de hospitalidade para com os hereges, é fruto da época, porque a doutrinas gnósticas representavam para as comunidades cristãs um perigo fatal, de tal forma que só uma separação drástica poderia garantir a essência da fé. Quanto à proibição de saudação, é porque esta significava de per si uma comunhão.

Conteúdo da Escola de Formação Shalom
escoladeformacao@comshalom.org
Estes e outros temas podem ser aprofundados
nos cursos de fins de semana ou de reunião semanais
que ela promove em todo o Brasil, nas Centros de Evangelização
Shalom ou em paróquias e grupos de oração, a pedido dos mesmos


Comentários

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  1. Pelo que eu entendi quem escreveu a carta de1 joão2joão não foi o apostólo joão quem é o altor da epístola d. Primeira carta e d. Segunda carta quem escreveu?