Certa vez estava rezando para ministrar um curso sobre namoro e Deus me deu esta palavra: “O templo foi construído com pedras já talhadas; de modo que não se ouviu barulho de martelo, de cinzel, nem de qualquer outro instrumento de ferro no templo, durante a sua construção” (I Reis 6,7). Compreendi que há uma necessidade vital de silêncio para construir relacionamentos novos.
José era um homem silencioso, dele não há palavras no Evangelho, mas há a ação pronta, a disponibilidade inteira. Seu silêncio cobre o outro da exposição, ainda que isso custe a sua própria honra. Que exemplo! Este homem nos ensina que quando ainda não chegou o tempo das palavras, pode, mesmo assim, tornar-se um dom para o outro. Ele era todo dom de si.
Um dom a ser protegido
Para os nossos barulhos de desamor, o remédio é o silêncio de amor, que vai reconstruindo o que foi ferido. Aprende-se por ele que o amor verdadeiro precisa ser protegido pelo silêncio, como um sinônimo da castidade, cuja falta fere a tantos e nossos corações perdem, dia após dia, a inteireza, a pureza de ver o outro como um dom a ser protegido, não violado.
O silêncio também revela a espera confiante pelo tempo de Deus e guarda consigo a alegria vinda da fé. José nos mostra que o amor está além das palavras apressadas, está no dom inteiro de si a Deus, primeiramente, e depois ao outro que me foi confiado. José nos ensina a construir, no silêncio, os santuários que não devem passar com o tempo.
São João Paulo II, na Exortação Apostólica Redemptoris Custos, nos fala de algo belo e profundo sobre o amor que José recebe de Deus:
“«José… recebeu consigo a sua esposa, a qual, sem que ele a conhecesse, deu à luz um filho» (Mt 1, 24-25). Estas palavras indicam ainda outra proximidade esponsal. A profundeza desta proximidade, a intensidade espiritual da união e do contato entre pessoas — do homem e da mulher — provêm em última análise do Espírito que dá a vida (cf. Jo 6, 63). José, obediente ao Espírito, encontra precisamente nele a fonte do amor, do seu amor esponsal de homem; e este amor foi maior do que aquele «homem justo» poderia esperar, segundo a medida do próprio coração humano.”
Que São José nos ensine a sermos guardiões do outro e a amar também no silêncio.
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Viviane Lopes
Consagrada da Comunidade de Aliança
