Formação

Castidade: Um belo desafio para os jovens

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O filósofo francês, católico, Paul Claudel, disse certa vezque : “a juventude não foi feita para o prazer, mas para o desafio”. Que fraselinda! De fato, o que engrandece a vida de um jovem é ele ter um ideal na vidae saber enfrentar os desafios para realizá´lo. Se você quer um dia construiruma família sólida, um casamento estável e uma felicidade duradoura, entãoprecisa plantar hoje, para colher amanhã. Ninguém colhe se não semear. Na cartaaos gálatas, São Paulo diz: “De Deus não se zomba. O que o homem semeia, istomesmo colherá.”(Gl 6,7) No início da minha adolescência, foi´me colocado nasmãos, um grande livro, chamado O Brilho da Castidade, de Monsenhor Tiamer Toth.Nos meus 13 anos eu li aquelas páginas e me encontrei com a grandeza dessa belavirtude.

 E o que mais me atraía para ela era exatamente o “desafioque representava” para um jovem, que começa a viver nesta fase, o fogo daspaixões. Não me esqueço daquela frase do Monsenhor, que dizia: “Se eu tivesseque dar uma medalha de ouro a um general que ganhou uma guerra, ou para umjovem que vive a castidade, eu a daria para esse último”. Eu disse, para mimmesmo: ´eu quero esta Medalha!´ A tal ponto fiquei entusiasmado com a beleza eo desafio da castidade, que tomei a decisão de vivê´la; isto é, ter vida sexualapenas no casamento; “nem antes dele e nem fora dele”. E não me arrependo, pelocontrário! Sou grato aos que me ensinaram a vivê´la. Depois de mais de trintaanos, hoje casado e com cinco filhos, vejo o quanto aquela decisão foi importantena minha vida. Nos Encontros de casais e de família, por este Brasil a fora,não me canso de repetir o quanto isto foi fundamental para a felicidade do meucasamento, do meu lar e dos meus filhos. Entre as muitas vantagens que o livroapontava, ressaltava a importância do “auto´domínio” sobre as paixões e másinclinações do coração de um jovem, preparando´o, com têmpera de aço, para serum verdadeiro homem, e não um frangalho humano que se verga ao sabor dos ventosdas paixões. Dizia o autor que “ser homem não é dominar os outros, masdominar´se a si mesmo”. E que, se o jovem não se exercitasse na castidade antesdo casamento, depois de casado não teria forças para ser fiel à sua esposa ou aseu marido.Tudo aquilo me encantava e desafiava … Além disso, ensinava TiamerToth, que a castidade era garantia de saúde para o jovem, tônico para o seupleno desenvolvimento físico e mental, dissipando todas as mentiras de que avida sexual é necessária antes do casamento. Alguns anos depois, lendo o belolivro de João Mohana, A vida sexual de solteiros e casados, pude confirmartodas essas vantagens da castidade para a saúde do jovem, seja em termos devigor físico e mental, seja em termos de prevenções às doenças venéreas; e,hoje, especialmente a AIDS. Os homens e mulheres que mais contribuíram para oprogresso do ser humano e do mundo, foram aqueles que souberam dominar as suaspaixões, e, sobretudo viver a castidade. Fico impressionado de observar comotêm vida longa, por exemplo, a maioria dos nossos Bispos católicos, e tantossacerdotes que sempre guardaram com carinho a castidade. Se ela fosseprejudicial à saúde, não teríamos tantos bispos, padres e freiras, tão idosos,felizes e equilibrados. Você já ouviu falar que algum deles colocou fim àprópria vida, por infelicidade? Não. Vivem a vida toda servindo a Deus comalegria, e vivem longos anos.

 Depois das décadas de 60 a 80, que tristemente quiseramsepultar a castidade, vemos hoje ela ressurgir com todo o seu vigor e brilho,exatamente na hora da angústia da AIDS. O mundo todo redescobre o seu grandevalor. Para dar apenas um exemplo dessa “contra´revolução sexual ” cito o casode milhares de jovens americanas, de 13 a 21 anos, do movimento True Love Waits(O Verdadeiro Amor Espera), lançado em 1994 na cidade de Baltimore, capital doestado de Maryland, Estados Unidos, as quais prometeram, por escrito, manter´sevirgens até o dia do casamento. O pacto que assumiram diz o seguinte:“Acreditando que o verdadeiro amor espera, eu me comprometo diante de Deus, de mimmesma, minha família, meu namorado, meu futuro companheiro e meus futurosfilhos a ser sexualmente pura até o dia em que entrar numa relação decasamento” (Jornal do Brasil, Ana Maria Mandin, 12/03/94). Este fortemovimento, segundo seus líderes, atingiu 500 mil assinaturas até 29 dejulho/94, quando foi realizada uma marcha de jovens a Washington. Esta campanhajá espalhou pelo mundo todo. É relevante observar, o que disse Chip Alkford, umdos líderes do movimento: “Nunca pensamos que os jovens se interessariam tantonuma época em que a sociedade estimula a iniciação sexual cada vez mais cedo equem não segue a onda é considerado esquisito”. Este exemplo não é único, emostra o renascer da castidade. Quando o Papa João Paulo II esteve nasFilipinas, em janeiro de 1995, na “Jornada Mundial da Juventude”, houve umaconcentração de 4 milhões de pessoas para participar da missa que ele celebrouem Manila. Nesta ocasião um grupo de cincoenta mil jovens entregou ao Papa umabaixo assinado se comprometendo a viver a castidade. Que maravilha! Quemaravilhoso exemplo a mostrar que o Santo Padre está certo em seus ensinamentossobre a necessidade de se falar aos jovens sobre a beleza e grandeza dacastidade. Ela é a virtude que mais forma homens e mulheres de verdade, deacordo com o desejo de Deus, e os prepara para constituir famílias sólidas,indissolúveis e férteis. O homem não é apenas um corpo; tem uma alma imortal,criada para viver para sempre na glória de Deus. Isto dá um novo sentido àvida. Não fomos criados para nos contentarmos apenas com o prazer sexualpassageiro. Fomos feitos para o Infinito, e só em Deus satisfaremos plenamenteas nossas tendências naturais. Desgraçadamente a nossa sociedade promove hoje osexo acintoso, sem responsabilidade e sem compromisso, e depois se assusta comas milhões de meninas grávidas, estupros, separações, adultérios, etc. É claro,quem planta ventos, colhe tempestades. Vemos hoje, por exemplo, esta tristecampanha de prevenção à AIDS, através do uso da “camisinha”. De maneira clarase passa esta mensagem aos jovens: “pratiquem sexo à vontade, mas usem opreservativo.” Isto é imoral e decadente.

 Será que não temos algo melhor para oferecer,principalmente, aos jovens? A moral e a ética exigem ensinar aos jovens oauto´controle de suas paixões, vencer a AIDS pela castidade, e não pelo usovergonhoso da “camisinha”, que incentiva ainda mais a imoralidade. O Papa JoãoPaulo II assim se expressou sobre a “camisinha”: “Além de que o uso depreservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamentosexual incompatível com a dignidade humana…O uso da chamada camisinha acabaestimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo … Opreservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental”(PR, nº 429/1998, pág. 80). A Organização Mundial da Saúde (OMS) já avisou queos preservativos não impedem totalmente a contaminação do vírus, uma vez queesses são muitíssimos menores que os poros do látex de que são feitas ascamisinhas. A revista Seleções (dezembro de 1991, oo. 31´33), trouxe um artigodo Dr. Robert C. Noble, condensado de Newsweek de Nova Iorque (1/4/91), quemostra como é ilusória a crença no tal “sexo seguro” com a camisinha. Apesquisadora Dra. Susan C. Weller, no artigo A Meta´Analysis of CondomEffectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV, publicado na revista SocialScience and Medicine, (1993, vol. 36, issue 12, pp. 1635´1644), afirma :“Presta desserviço à população quem estimula a crença de que o condom (camisinha)evitará a transmissão sexual do HIV. O condom não elimina o risco datransmissão sexual; na verdade só pode diminuir um tanto o risco”. “Aspesquisas indicam que o condom é 87% eficiente na prevenção da gravidez. Quantoaos estudos da transmissão do HIV, indicam que o condom diminui o risco deinfecção pelo HIV aproximadamente em 69%, o que é bem menos do que o quenormalmente se supõe” (PR, nº 409/1996, pp. 267´2274). Isto significa que, emmédia, três relações sexuais com camisinha têm o risco equivalente a umarelação sem a camisinha. Convenhamos que é um alto risco, já que a AIDS não temcura ainda. É como uma “roleta russa”. Pesquisas realizadas pelo Dr. RichardSmith, um especialista americano na transmissão da AIDS, apresenta seis grandesfalhas do preservativo, entre as quais a deterioração do látex devido àscondições de transporte e embalagem. Afirma o Dr. Richard que : “O tamanho dovírus HIV da AIDS é 450 vezes menor que o espermatozóide. Estes pequenos víruspodem passar entre os poros do látex tão facilmente em um bom preservativo comoem um defeituoso” (Richard Smith, The Condom: Is it really safe saxe?, PublicEducation Commitee, Seattle, EUA, junho de 1991, p. 1´3). O Dr. LeopoldoSalmaso, médico epidemiologista no Hospital de Pádua, na Itália, afirma que :“O preservativo pode retardar o contágio, mas não acabar com ele” (idem). ARubler Chemistry Technology, Washington, D.C., junho de 1992, afirma que :“Todos os preservativos têm poros 50 a 500 vezes maiores que o vírus da AIDS”.Vemos, portanto, que é irresponsável, cientificamente, dizer que a camisinhagarante o “sexo seguro”. O pior, ainda, é que esta falsidade vem acompanhada deum estímulo ao “sexo livre”, sem responsabilidade e sem compromisso, o que ofaz promíscuo e vulgar. Infelizmente hoje a maioria das escolas apresenta uma“educação sexual”, que não passa de informações genitais, e liberação de todosos “tabus” da religião; em outras palavras, ´vamos dar vazão livre aosinstintos sexuais´. Ora, longe de ser isto educação sexual, é pura deseducaçãosexual. Quando falou da educação sexual, assim se expressou o Papa João PauloII, na Carta às Famílias(1994): “A educação sexual, direito e dever fundamentaldos pais, deve fazer´se sempre sob a sua solícita guia, quer em casa quer noscentros educativos escolhidos … Neste contexto é absolutamente irrenunciávela “educação para a castidade” como virtude que desenvolve a autênticamaturidade da pessoa e a torna capaz de respeitar e promover o ‘significadonupcial’ do corpo”.

 “Por isso a Igreja opõe´se firmemente a uma certa forma deinformação sexual, desligada dos princípios morais, tão difundida, que não ésenão a introdução à experiência do prazer e um estímulo que leva à perda –ainda nos anos da infância – da serenidade, abrindo as portas ao vício” (FC,37). “O conhecimento deve conduzir a educação para o autocontrole: daqui aabsoluta necessidade da castidade e da permanente educação para ela. Segundo avisão cristã, a falta de estima pela sexualidade humana: ela significa antes aenergia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e daagressividade e sabe voltá´lo para a sua plena realização” (FC, 33). Educaçãosexual é educação para a castidade. O resto é incitar ao sexo fora de hora efora de lugar. Mas infelizmente, também nós católicos, por terrível omissão,permitimos que fosse arriada a bela bandeira da castidade. Ficamos mudos ecalados diante de uma sociedade hedonista que nos impôs, goela abaixo, oshorrores de um “sexo´livre”, devasso e pervertido, destruidor do matrimônio eda família. Certa vez disse o grande papa Leão XIII que “a audácia dos maus sealimenta da covardia dos bons”. Isto nunca foi tão verdadeiro quanto à nossaomissão na defesa da castidade e da virgindade. Nossos jovens cresceram sem recebera menor informação sobre o “brilho” da virtude da pureza; e, por isso hoje,quase sem culpa, estão encharcados de sexo vazio. O fruto amargo desta“cultura” do “amor livre”, da distribuição de camisinhas, e da liberaçãosexual, são, como disse o Papa João Paulo II, aqui no Brasil, as milhões decrianças que estão por aí, “órfãs de pais vivos”. Você, jovem, não foi feitopara o prazer, mas para o desafio! Nada enobrece tanto a vida de um jovemquanto vencer um desafio, especialmente no campo da moral e do seuaprimoramento espiritual. O remédio contra a impureza é a castidade. Para anossa sociedade ela cheira “bolor”, mas é preciso lembrar´lhe que foi do bolorque Alexandre Fleming, descobriu a penicilina que salvou tantas vidas. Nada temsido tão prejudicial aos jovens, às famílias, e à nação, quanto o propagado“sexo livre” ou “amor livre”. Por esta via, a família vai à destruição, os paisse separam e os filhos se tornam carentes do seu amor. Sabemos, como dizia JohnSpalding, que “as civilizações não perecem por falta de cultura e de ciência,mas por falta de princípios morais”. Um homem só é digno deste nome quandoaprende a submeter o seu corpo e os seus instintos à sua vontade.

 A luta cristã contra a impureza exige que se fuja de todaocasião de pecado. Sabemos que “a ocasião faz o ladrão”, e aquele que brincacom o perigo nele perece. Se você, jovem, quer se manter puro e casto antes docasamento, terá que fugir de toda ocasião que possa excitar a paixão: livros,revistas, filmes eróticos, bem como, no namoro, toda ocasião que possapropiciar uma vivência sexual precoce. O namoro não é o tempo de viver ascarícias matrimoniais, pois elas são o prelúdio do ato sexual, que não deve serrealizado no namoro. O que precisa haver entre os namorados é carinho, não ascarícias íntimas. Além disso será preciso, para todos, solteiros e casados, oauxílio da graça de Deus; para os solteiros, a fim de que não vivam o sexoantes do casamento; para os casados, a fim de serem fiéis um ao outro. É grandea recompensa daquele que luta bravamente para manter a própria pureza. Jesusdisse que esses são bem´aventurados (felizes) porque verão a Deus. (Mt 5,8) Umjovem casto é um jovem forte, cheio de energias para sua vida profissional emoral. É na luta para manter a castidade que você se prepara para ser fiel àsua esposa amanhã. A grandeza de um homem não se mede pelo poder que possui dedominar os outros, mas pela capacidade de dominar a si mesmo. Esta sempre foi acoluna que manteve de pé as civilizações e os grandes homens, e hoje, também,precisa ser resgatada e preservada, sob pena de vermos perecer a nossacivilização. Nossa humanidade hedonista, amante do prazer, a qualquer custo, rida castidade e da virgindade, e por isso paga um preço caro pela devassidão doscostumes. Para reerguer esta sociedade será preciso resgatar esses valores quenunca envelhecem. Vale a pena refletir um pouco no que dizia o Mahatma Ghandi,o célebre indiano hindu, que não era católico, que libertou a India daInglaterra, pela força da não´violência. Ele dizia: “A castidade não é umacultura de estufa… A castidade é uma das maiores disciplinas, sem a qual amente não pode alcançar a firmeza necessária”. Gandhi amou tanto a castidadeque alterou até a sua vida conjugal. “Sei por experiência que, enquantoconsiderei minha mulher carnalmente, não houve entre nós verdadeiracompreensão. O nosso amor não atingiu o plano elevado … No momento em quedisse adeus a uma vida de prazeres carnais, todas as nossas relações setornaram espirituais“. Depois dos quarenta anos, Ghandi não teve mais vidasexual, nem mesmo com a esposa. Embora este pensamento não esteja plenamente deacordo com a moral católica, no entanto, mostra o valor imenso da castidadepara um homem que não era batizado. Ele ainda dizia: “A vida sem castidadeparece´me vazia e animalesca”. “Um homem entregue aos prazeres perde o seuvigor, torna´se efeminado e vive cheio de medo.

 A mente daquele que segue as paixões baixas é incapaz dequalquer grande esforço”. A castidade longe de ser uma prisão, ao contrário,abre cada vez mais as portas da verdadeira liberdade. Só compreende isto quem avive. Só é livre quem se possui. Para haver a castidade nos nossos atos, épreciso que antes ela exista em nossos pensamentos e palavras. Jamais serácasto aquele que permitir que os seus pensamentos, olhos, ouvidos, vagueiempelo mundo do erotismo. É por não observar esta regra que a maioria pensa serimpossível viver a castidade. Meu caro jovem, se você quiser no futuro formaruma família feliz, então comece agora, por você mesmo; e, contra tudo e contratodos que lhe oferecem o sexo vazio e fácil, antes do casamento, viva acastidade. Garanto´lhe que vale a pena, pois eu vivi isto. Eu tive que lutarmuito também para chegar inteiro ao meu casamento; mas hoje, vinte e oito anosdepois, ao lado de uma esposa fiel, cinco filhos saudáveis e um lar feliz, euposso dizer´lhe que vale a pena. O jovem e a jovem cristãos terão que lutarmuito para não permitir que o relacionamento sexual os envolva e abafe onamoro. Alguns querem se permitir um grau de intimidade “seguro”, isto é, atéque o “sinal vermelho seja aceso”; aí está um grave engano. Quase sempre osinal vermelho é ultrapassado, e muitas vezes acontece a gravidez e outrascoisas. Um namoro puro só será possível com a graça de Deus, com a oração, coma vigilância e, sobretudo quando os dois querem se preservar um para o outro.Será preciso então, evitar todas as ocasiões que possam facilitar umrelacionamento mais íntimo. O provérbio diz que “a ocasião faz o ladrão”, eque, “quem brinca com o perigo nele perecerá”. É você quem decide o que quer.Se você sabe que naquele lugar, naquele carro, naquela casa, etc., a tentaçãoserá maior do que as suas forças, então fuja destes lugares; esta é uma fugajusta e necessária. É preciso lembrar as moças, que o homem se excitaprincipalmente pelos olhos. Então, cuidado com a roupa que você usa; com osdecotes, com o comprimento das saias… Não ponha pólvora no sangue do seunamorado se você não quer vê´lo explodir. Muitas vezes as namoradas não se dãoconta disto. Para a mulher a excitação se dá muito mais por palavras, gestos,fantasias, romances; mas para o homem, basta uma roupa curta, um decote, umcruzar de pernas aparentes, e muita adrenalina será injetada no seu sangue…Não provoque seu namorado. Além de tudo isso, se somos cristãos, temos queobedecer e viver o mandamento de Deus que manda “não pecar contra a castidade”;isto é, não viver a vida sexual nem antes do casamento (fornicação) e nem foradele (adultério).

 A gravidade do pecado da impureza, também chamado deluxúria, é que com ele, se mancha o Corpo de Cristo. “Ora, vós sois o corpo deCristo e cada um de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor 12,27). “… assimnós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nóssomos membros uns dos outros”. (Rm 12,5) Quando eu cometo um pecado deimpureza, não sujo apenas a mim mesmo, mas também ao Corpo de Cristo, do qualsou membro. É neste sentido que São Paulo alertava os fiéis de Corinto sobre agravidade desse pecado. “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?”(1Cor 6,15). Note que o Apóstolo enfatiza os “corpos”; isto é, a realidade docorpo místico de Cristo não é apenas espiritual, mas também corporal. Sem osnossos corpos não haveria a impureza. “Tomarei, então, os membros de Cristo, eos farei membros de uma prostituta? Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostitutase torna um só corpo com ela? Está escrito: Os dois serão uma só carne (Gen2,24)”, (1Cor 6,16). Para o Apóstolo, entregar´se à prostituição é o mesmo queprostituir o Corpo de Cristo, a Igreja. Esta é uma realidade religiosa da qualainda não tomamos ciência plena; isto é, toda vez que eu peco, o meu pecadoatinge todo o corpo de Cristo. Esta é uma das razões porque nos confessamos como ministro da Igreja, para nos reconciliarmos com ela, que foi manchada pelanossa falta. De forma especial isto ocorre no pecado de impureza; o que levavaSão Paulo a pedir aos coríntios, entre os quais havia este problema: “Fugi dafornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas oimpuro peca contra o seu próprio corpo”. (1 Cor 6,18) É preciso entender quenós não apenas “temos” um corpo, mas “somos” um corpo. Nossa identidade estáligada ao nosso corpo; ela é fixada pela nossa foto, impressão digital oucódigo genético (DNA).

 

Portanto, o pecado da impureza agrava´se na medida em que,mais do que nos outros casos, envolve toda a nossa pessoa, corpo e alma. E oApóstolo, mostra que o Espírito Santo não habita apenas a nossa alma, mastambém o nosso corpo; e daí a gravidade da sua profanação. “Ou não sabeis que ovosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, o qual recebestes deDeus, e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados porum grande preço”. (1 Cor 6,19) São Paulo ensina que devemos dar glória a Deuscom o nosso corpo: “O corpo, porém não é para a impureza, mas para o Senhor e oSenhor para o Corpo: Deus que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará anós pelo seu poder”. (1 Cor 6,20) Nosso corpo está destinado a ressuscitar noúltimo dia, glorioso como o corpo de Cristo ressuscitado. “Nós, porém, somoscidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o SenhorJesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando´o semelhante ao seucorpo glorioso …” (Fil 3,20) Nosso corpo glorificado dará glória a Deus parasempre, assim como os corpos de Jesus e Maria, já no céu. Isto explica aimportância do nosso corpo, que levava Paulo a dizer aos coríntios: “Se alguémdestruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado– e isto sois vós”. (1 Cor 3,16´17) Quantas pessoas destruíram´se a si mesmas,porque destruíram os seus próprios corpos! O desrespeito ao corpo, seja pelaimpureza ou pelos vícios, compromete a integridade e a dignidade da pessoatoda, que é templo de Deus. Jesus foi intransigente com o pecado da impureza.No Sermão da Montanha, marco dos seus ensinamentos, Ele disse: “Todo aquele quelançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seucoração”. (Mt 5, 27´28) Jesus quer assim destruir a impureza na sua raiz; istoé no coração dos nossos pensamentos. “Porque é do coração que provém os mauspensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsostestemunhos, as calúnias”. (Mt 15,19) Para viver a pureza há, então, queestarmos em alerta o tempo todo, como recomendou o Senhor: “vigiai e orai paraque não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt26,41) Todos nós já pudemos comprovar como é fraca a nossa carne, a nossanatureza humana, enfraquecida pelo pecado original. Portanto, não nos restaoutra alternativa para prevenir a queda, senão, vigiar e orar.

 Após o pecado de Adão não nos resta outro remédio, vigiar osnossos sentidos, pensamentos, olhares, gestos, palavras, atitudes,comportamentos, etc., e buscar na oração e nos sacramentos, o remédio e oalimento para vencer a nossa fraqueza. Nunca, como em nossos dias, foi tãogrande o pecado de impureza. De forma acintosa ele aparece nas músicas, nasTV’s, nas revistas, jornais, filmes, cinemas, teatros, telefone, internet, etc.Estamos sendo invadidos por um verdadeiro mar de lama que traz a imoralidadepara dentro dos nossos lares, sem respeitar nem mesmo crianças e velhos. Ospiores exemplos de imoralidade estão sendo ensinados às nossas crianças ejovens; e, o que é pior, por artistas famosas, atraentes e bonitas. Uma delasensina às jovens que para ser mãe, não é preciso mais ter um lar e um marido;basta arranjar um “namorado”, por alguns dias, e gerar uma criança. Mais do queum namorado, buscou´se um reprodutor, belo, rico, famoso, bem dotado, etc..Ora, uma criança não se faz como se fosse um parafuso, uma torneira, ou umalicate. O filho precisa de um pai, de uma mãe, de uma família… para queamanhã não seja um desajustado. Outra “artista”, se torna famosa porque saberebolar as nádegas acintosa e vergonhosamente, expondo´as nas telas da TV. E setorna famosa por causa desta bestialidade. O seu sucesso faz as jovens que aassistem querer repetir o seu exemplo, como se o corpo da mulher fosse dado porDeus para ser objeto de consumo, como carne nos açougues. Ainda uma outra“artista”, torna´se famosa e “exemplo” para as demais jovens, usando uma roupapreta, sumária, deixando todo o corpo de fora, e explorando o sexo da maneiramais triste. Não é fácil escapar dessa enxurrada, especialmente você que éjovem. Não é fácil a luta contra as misérias da carne.

 É preciso lembrar que só Cristo pode dar força e libertação.Lembra´nos o Apóstolo que: “Tudo posso naquele que me dá forças” (Fil. 4,13).Importa não desanimar na luta em busca da pureza. Sempre lutar, com a graça deDeus, até que o espírito submeta a matéria. São Pedro nos diz: “Depois quetiverdes padecido um pouco, [Deus] vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis,vos fortificará” (1 Pe. 5.10). Muitas vezes pode parecer que a luta contra aspaixões da carne sejam sem fim, ou que a vitória seja impossível. De fato, coma nossa fraqueza jamais podemos vencê´la, mas, como disse Santo Agostinho, queexperimentou tão bem este combate: “o que é impossível à natureza, é possível àgraça”. Somente com os auxílios da graça de Deus é que podemos vencer asmisérias da nossa carne. Daí a importância de uma contínua vigilância sobre nósmesmos, ao mesmo tempo em que vivemos uma profunda e perseverante vida deoração e de participação nos Sacramentos da Reconciliação (Confissão) eEucaristia. Nestes Sacramentos, Jesus nos lava com o seu próprio sangueredentor, nos alimenta e cura a alma, a fim de que sejamos fortes contra astentações. Nossa Mãe Maria é a Rainha da pureza. Precisamos recorrer a ela enos colocarmos continuamente debaixo de sua proteção materna. Sem a Eucaristiae Maria jovem, você não conseguirá vencer este belo desafio da castidade, quedará um novo sentido à sua vida e lhe preparará um belo lar.

 Para você meditar:

 SE…

 (Com licença de Kippling e de outros SE’s)

 Pe. Héber Salvador de Lima, S.J.

 Se você precisar de descanso, Não descanse muito mais que onecessário, Porque ferro parado enferruja, Água estagnada apodrece … E, alémdisso, talvez mais tarde falte tempo Pra terminar a tarefa da existência, E étrágico demais morrer inacabado. Se você for alegre e feliz, Não ria altodemais, Para que sua gargalhada Não vá tornar mais doloroso O gemido de alguém,na casa ao lado. Se, nas dores, você soluçar, Faça´o baixinho, bem no fundo,bem lá dentro, Para não apagar algum sorriso No semblante de alguém, no andarde cima. Se você escorregar na estrada da existência E até mesmo cair mais deuma vez, Não fique deitado no solo clamando o destino, Porque lhe falta aindamuito chão, Muito caminho para andar E, além disso, você só vai atrapalhar Apassagem dos outros, Que podem tropeçar no seu corpo caído … E, se é tristecair, muito mais triste ainda É arrastarmos alguém na nossa queda. Se algumdia, talvez, você perder a linha E der vazão ao grito, à cólera, à revolta, Comganas de quebrar o mundo a seu redor, Não arrebente tudo, amigo, por favor,Porque, atrás de você, vem muita gente ainda, Que deseja encontrar o mundointeiro e belo. Se você encontrar uma semente ou muda Do raro arbusto dafelicidade, Não vá plantá´lo em seu quintal todo cercado, Mas sim ao lado de umcaminho freqüentado, Para que muitos possam descansar à sua sombra E comer osseus frutos, Sem pagar! Mas, se encontrar apenas o caminho Que leva a essa árvorebendita, Não vá por ele sozinho. Mas fique bem à entrada dele Com um braçoestendido, assim… como uma flecha, Apontando e dizendo:

 “FELICIDADE ? … É POR AQUI !”

 Não se incomode se ficar por último, Porque todo o quepassar na sua frente, Vai dizer “obrigado” e dar´lhe um bom sorriso… Equando, enfim, você chegar, depois de todos, Condecorado, iluminado de sorrisosrecebidos, Verá que os outros estarão a sua espera Prá que você entre primeiro!


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