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Catequese dentro de casa: Como ensinar aos filhos sobre o Advento

Preparar-se para Aquele que há de vir requer de nós uma pausa na correria da rotina para a oração, a escuta de Deus, e um planejamento mediante as características próprias deste tempo.

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O tempo do Advento é um dos quatro tempos litúrgicos especiais que figuram na vida da Igreja. De caráter penitencial, é o tempo que nos convida a nos preparar para a celebração do Natal, no qual contemplamos o mistério do nascimento de Jesus, o Verbo encarnado, Deus feito homem que vem habitar em meio a nós, em sua ‘kénosis’ para assumir – e redimir – a condição humana.

Preparar-se para Aquele que há de vir requer de nós uma pausa na correria da rotina para a oração, a escuta de Deus, e um planejamento mediante as características próprias deste tempo. Em síntese, o advento nos chama a um profundo exame de consciência e subsequente revisão de vida de modo que possamos revisitar em nós a esperança na chegada do Salvador.

Viver essa experiência em família é o que Laíze Maria dos Santos de Sá da Silva e Júlio Santos da Silva, casados e ambos consagrados com promessas definitivas na CAL da Missão de Natal, buscam construir com seus filhos, ano após ano. Pais de quatro filhos (Júlio filho, 9 anos; Lucas, 6 anos; Luíza, 4 anos; Augusto, 2 meses), eles nos contaram como fazem isso, sobretudo levando em conta as idades diferentes – e suas respectivas “fases” distintas – e os desafios próprios deste ano de 2020.

Conforme conta Laíze, “este ano, com todas as notícias difíceis, todas as dificuldades, Deus nos concedeu a grande graça de receber mais um filho. Vivemos enquanto família, literalmente, a doce expectativa pela nova vida, a espera ansiosa dos irmãos pelo novo de Deus. Um novo filho transforma toda a família, desde a notícia até o nascimento, o coração vibra de feliz ansiedade. Nosso menino já nasceu e desejamos que essa experiência de amor enriqueça ainda mais a nossa experiência como família”.

Para os pequenos, uma boa estratégia é começar pelo visual, pelas imagens: “(…) Às crianças menores, já podemos mostrar o encanto do Presépio; parecem pequenas demais para compreender, mas veremos que a cada ano é necessário explicar menos. Nos próximos anos, o bebê que contempla agora o Presépio, estará ensinando o mais novo a montá-lo, explicando o porquê dos animais e dos Reis Magos… Ele nasceu numa manjedoura, é um curral… E os Magos vieram de longe, trazidos pela estrela, trazendo-lhe presentes… E a medida que vão crescendo, vão sendo inseridas na vivência do que é próprio do tempo; as missas, leituras contadas em forma de histórias, a coroa do Advento e a oração em família… Essas realidades passam a ser para elas o esperado, são naturalmente inseridas na tradição”, afirmam Laíze e Júlio.

O calendário do Advento

Outra sugestão interessante é a confecção do “Calendário do Advento”, que pode ser um recurso para pequenas doses de doação, oferta de si, levando a criança a crescer na compreensão do despojamento de Jesus na Manjedoura.

Laíze explica: “No Calendário do Advento, a cada dia se tira uma ‘tarefa’ do envelope do dia, até que chegue o Natal, para irmos preparando bem o coração dos pequenos com atos de caridade e saída de si ao outro. Lembramos do ano em que iniciamos esse método, e uma tarefa era ir na casa de um vizinho e falar do Natal, o porquê de estarmos indo fazer a visita. Lembro que tinha sido um dia cansativo, já passava das 19hs quando Júlio chegou do trabalho e sugerimos às crianças deixar a tarefa para outro momento. Mas eles não aceitaram, fizeram questão de ir visitar a casa da frente, se comprometeram em ser rápidos, mas estavam de tal forma envolvidos que desejaram viver. Esse ano, com mais irmãos e de certa forma ainda distanciados pela pandemia, encorajamos tarefas de amor entre eles e nós em casa e também por telefone; agora, os mais crescidos  poderão se comprometer mais, com esforços um pouco maiores, como por exemplo deixar de realizar aquela coisa prazerosa em vista dos que sofrem, ou dividir a comida preferida com um dos irmãos pelos que não conhecem e não esperam a Deus”.

“Que profundidade de graças podem ser colhidas por nossos filhos, e apesar de profundo, eles são capazes de compreender, cada um à sua medida, mas uma vez apresentado o mistério, cada vez lhes parecerá mais revelado”, afirmam Laíze e Júlio.

Que possamos sempre, e a cada oportunidade, dar sentido aos tempos litúrgicos, de forma que nossa família seja um reflexo do amor de Deus, e sejamos cada dia mais parecidos com a Família de Nazaré.

Laíze Maria e Júlio Santos são casados e têm quatro filhos (Júlio Filho, 9 anos; Lucas, 6 anos; Luíza, 4 anos; Augusto, 2 meses)

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