Na catequese desta semana, o Papa Francisco reflete sobre o encontro de Jesus com Zaqueu. O Pontífice está dando continuidade ao ciclo de meditações para o Ano Santo, dessa vez refletindo sobre encontros marcantes de Jesus. Além de Zaqueu, Francisco já aprofundou os encontros com Nicodemos e a Samaritana.
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“O Evangelho de Lucas apresenta Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez, por vezes, também nos sintamos assim: sem esperança. Zaqueu, em vez disso, descobrirá que o Senhor já o procurava”, escreve o Papa.
De acordo com Francisco, o fato de Jericó ficar abaixo do nível do mar simboliza o inferno, “onde Jesus quer ir em busca daqueles que se sentem perdidos”.
“Na realidade, o Senhor Ressuscitado continua descendo ao inferno de hoje, aos lugares de guerra, de dor dos inocentes, nos corações das mães que veem morrer seus filhos, na fome dos pobres”.
Desejo ardente
O Papa explica que, apesar de Zaqueu desejar ver Jesus, ele barra na sua limitação: ser de baixa estatura. “Os nossos desejos também encontram obstáculos e não se realizam automaticamente: Zaqueu é de baixa estatura! É a nossa realidade, temos limitações com as quais temos de lidar”.
Além da sua limitação, Zaqueu também é impedido pela multidão. “Mas quando temos um desejo forte, não nos desanimamos. Encontramos uma solução. Mas é preciso ter coragem e não ter vergonha, é preciso ter um pouco da simplicidade das crianças e não nos preocuparmos tanto com a imagem”, escreve Francisco.
Fazer-se como criança
“Zaqueu, como uma criança, sobe numa árvore. Tinha de ser um bom ponto de observação, principalmente para observar sem ser visto, escondendo-se atrás da folhagem”, explica o Papa.
No entanto, Jesus se aproxima de Zaqueu e o surpreende. “Jesus pede a Zaqueu que desça imediatamente, quase surpreendido ao vê-lo na árvore, e diz-lhe: «Hoje é necessário que eu fique em tua casa». Deus não pode passar sem procurar os perdidos.”
O Papa chama a atenção para o sentimento que brota no coração de Zaqueu. “É a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado. O olhar de Jesus não é de reprovação, mas de misericórdia”.
Conversão traduzida em atos
Por fim, Francisco destaca que Zaqueu traduz em atos esse encontro com Jesus. “Zaqueu assume um compromisso que não era obrigado a assumir, mas o faz porque entende que essa é a sua forma de amar. Faz isso reunindo tanto a legislação romana sobre o roubo quanto a legislação rabínica sobre a penitência”.
E finaliza, “Zaqueu não é apenas um homem de desejo, é também alguém que sabe dar passos concretos. O seu propósito não é genérico ou abstrato, mas parte da sua própria história: olhou para a sua vida e identificou o ponto por onde começar a sua mudança”.