“Para encontrar uma coisa que está escondida é preciso também esconder-se”.
Essa frase do místico São João da Cruz define de modo muito belo o itinerário da vida celibatária. De fato, o chamado ao celibato é o chamado a esconder-se, mas não como uma fuga diante dos próprios medos e inconstâncias, ou um não reconhecimento dos dons dados por Deus que acabam sendo enterrados de modo infecundo. Ao contrário, o “esconder-se” na vida celibatária é como o grão de trigo que envolvido pela terra não é mais visto, mas morre para poder gerar muitos frutos. Há sempre em um celibatário um profundo desejo de esconder-se porque vai descobrindo em sua vida que o Amado se põe velado, escondido, para que possa ser buscado. Poderíamos então dizer que é a vocação do escondimento porque é a vocação da incansável busca!
Contemplação
Primeiro uma busca na oração… A vida de oração de um celibatário é uma constante conquista do Esposo (não algo romantizado e superficial como a alguém possa parecer mas profundo e encarnado como precisa ser), onde Ele se revela de modo muito particular, com um Amor Esponsal característico, e fere o celibatário de modo que este só se sente pleno nesta busca do Amado, busca que sustenta todo o resto da sua vida. E, muitas vezes, o Esposo “se vai” deixando sinais de por onde passou, como no cântico dos cânticos ao passar a mão na fechadura da porta e deixar que a amada o procure(cf. Ct 5). O celibatário enfrenta muitas vezes os “guardas” que lhe ferem, ao buscar o Amado encontra-se com suas próprias fraquezas, infidelidades, distrações, com o medo da solidão, com tantos conflitos. Mas é aquela ferida de amor que o faz sempre recomeçar sua busca pois não existe nada que deseje mais do que estar face a face com Aquele por quem tudo deixou. A sua vida de oração é então um constante “buscar esconder-se” na fenda da rocha, no lado aberto de Cristo, o lugar da intimidade!
Unidade
Depois, e ao mesmo tempo, uma busca na Unidade… O celibatário é um eterno amante do servir pois no serviço se sente unido ao Esposo que ‘veio para servir’, para lavar os pés dos irmãos. A vida fraterna de um celibatário é, portanto, um constante esquecer-se de si porque um constante se lembrar do outro. O amor e busca pelo grande Outro que é Deus faz com que ele ame e busque sempre os outros que são os irmãos, aqueles que são o lugar privilegiado em que o Amado se esconde. Na unidade o celibatário vive então uma necessidade de se dar de modo muito concreto, ele “busca esconder-se” onde seu Amado está escondido, aos pés de cada irmão, e ali derrama os seus perfumes!
Evangelização
Uma busca na evangelização… o celibatário possui uma particular sede de evangelização, tendo ofertado tudo ao Esposo divino sente um desejo ardente de dar a vida por aqueles por quem o seu Esposo se deu. É um contínuo esconder-se na cruz de Cristo, no lugar do sacrifício, se tornando com Ele hóstia viva (cf. Rm 12,1) que se oferece para saciar a fome do seu povo. O celibatário sente um anseio insaciável de devolver a Deus os inumeráveis filhos que o Senhor lhe concede por meio da sua oferta escondida. Estes filhos são frutos de uma fecundidade espiritual que marca de modo particular os virgens consagrados e por quem oferecem de modo concreto a oferta de não gerar filhos biológicos. Na evangelização o celibatário “busca esconder-se” na vida ofertada de Cristo para unindo-se a Ele tornar-se instrumento da Sua Misericórdia e salvação.
Bendito seja Deus pelo grande dom do celibato: vocação do escondimento, vocação da busca!!!
Thalita Lima
Missão Aquiraz
