Falar do meu estado de vida, o celibato, é sem dúvidas falar de um desejo profundo de amar com todas as potências da minha alma e ser amado. Lembro-me bem que na minha infância já existia uma inquietude, algo que dentro de mim era um incômodo, mas pela minha pouca idade não sabia dar nomes. Hoje, sem sombras de dúvidas, sei que era o amor de Deus. Era o amor de Deus conquistando palmo a palmo a minha vida e me tomando para si.
Não há como dar meu testemunho sem dizer da experiência que tive na minha adolescência, no auge de meus 16 anos. Como qualquer adolescente sonhava em ser feliz, mas Deus foi mais rápido que eu e me fez fazer uma experiência com seu amor, em um Seminário de Vida no Espírito Santo, com a pregação sobre o amor de Deus.
Ali naquele momento, todas as minhas dúvidas sobre o que eu era ou queria ser cessaram. Ou seja, ali eu descobri que seria todo de Deus. Só não sabia como, mas eu seria.
Desejo de ser todo de Deus
O meu processo vocacional foi muito marcado por esse desejo de ser todo Dele, porque dentro de mim isso sempre foi muito claro, mas eu não sabia como. Ingressando na Comunidade descobri os estados de vida, conheci as formas de ofertar minha vida a Deus, e quando olhei para o celibato era como se um véu se rasgasse dentro de mim. Deus se revelara e me fazia entender como eu poderia amá-lo.
Ser celibatário como Comunidade de Aliança me traduz uma forma de amar a Deus muito única e simples, de ser todo de Deus e Nele poder amar a toda a humanidade, mas de forma real.
Celibato: amar a Deus com todas as nossas potências
Tive a graça de na minha juventude ser chamado por Deus, à vida consagrada, e, fazendo os votos no celibato pelo Reino dos Céus, pude de forma efetiva dizer: eu sou todo de Deus. O celibato fala de homens e mulheres, muito fracos, mas que querem amar a Deus com todas as suas potências.
Hoje eu me sinto muito alcançado por Deus, por um amor que, desde que eu me entendo por gente, eu desejo. Lembro na minha infância me sentir diferente, de sentir que faltava algo, e isso foi se confirmando no processo de discernimento. Lembro-me que mesmo estando na comunidade sentia que faltava algo. E Deus, certa vez, me disse que era sobre meu estado de vida. Vou colhendo isso hoje, sabendo que Deus preenche os vazios do meu coração.
Celibato é serviço
Mas o celibato não diz só sobre mim, até porque ele é sobre como eu amo e sirvo a Deus. Algo que é muito inerente ao celibato é a oferta exclusiva a Deus, seja pela relação na oração ou nas relações pessoais, seja no amor a humanidade. Deus é o primeiro alvo do meu amor e Nele me faz amar a todos, de forma intensa e real. Vou provando disso amando aqueles quem ele ama.
Quanto mais eu me dou a Deus, tanto mais Ele me confia seus filhos, o desejo de amar. Mesmo com todas as minhas fraquezas, mesmo com todas as minhas imperfeições, Ele me lança num movimento que vem Dele, de me lançar fora de mim, sair do meu conforto e Nele ser para o outro auxilio e presença.
Amar a Deus exclusivamente
Às vezes para mim me parece muito louco isso. E é. Mas nessa loucura eu vou me encontrando e percebendo que é possível amar a Deus exclusivamente, amar o céu de forma única, amar aos outros não obstante as minhas fraquezas, mas com as minhas potências e desejo de céu.
Esse ano vou renovar meus votos pela terceira vez. Não me sinto digno. Eu sei que não sou, mas eu me sinto extremamente amado por Deus, e quero amá-lo com tudo o que tenho e sou. E nessa loucura de amor quero dizer mais uma vez meu sim, na espera de um dia poder amá-lo eternamente no céu, esse mesmo céu que dou a minha vida aqui na terra.
Eduardo da Costa de França
Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 2022
Festa da apresentação do Senhor. Dia do celibatário na vocação Shalom

Que Deus em sua infinita misericórdia conceda a você, Eduardo, e a todos os consagrados, em especial os celibatários o amor perfeito a Ele. Seu testemunho é uma verdadeira experiência com Cristo! Muito obrigado por me proporcionar isso!