O que poderíamos dizer pois destes aos quais Deus escolheu para esta particular oferta? A Revista Escuta 2018 vai nos dizer que os celibatários são “o louvor da Comunidade feito carne”, frase simples, mas ao mesmo tempo profunda. Ser este louvor significa viver a gratidão encarnada na vida a cada instante.
O celibatário sente um apelo vital em si: amar o esposo até se tornar um com Ele! Amá-lo na oração, amá-lo nos irmãos, amá-lo na humanidade.
Existe um grito dentro de cada vocacionado ao Celibato: “A minha alma tem sede de Vós. Minha carne também Vos deseja” (Sl 63, 2). Existe uma insaciável sede de Deus, de tal modo que é impossível não “sentir” na sua carne esta ânsia por Deus, e assim, por causa dessa ferida de amor, que tudo que o celibatário vive deve se tornar um louvor encarnado. Criaste-me para Ti, dizia Santo Agostinho, e o meu coração inquieto estará enquanto não repousar em Ti.
Todos os homens e mulheres desejam ver a Deus, voltar Àquele que os criou e amou. Mas os celibatários se tornam esse sinal visível do que todos profundamente anseiam. Eles despojam-se de tudo, inclusive, do grande dom que é a esponsalidade humana, para ser desposados pelo Único Esposo. E, vivendo do Esposo e para o Esposo, são assim impelidos ao louvor pois a gratidão é a única linguagem que estas almas sabem falar, como nos diz os Escritos da Comunidade Shalom ao se referir às almas esposas.
Louvor na oração, louvor com intimidade de quem sonda bem de perto os desejos e segredos do Esposo, louvor de quem se sente profundamente alcançado pela misericórdia de Deus em sua vida, louvor dos que se sabem pequenos! Louvor dos que são chamados com ‘nome novo’. Louvor dos que desejam ser ‘a alegria do seu Deus’.
Louvor na unidade, louvor que repara brechas e constrói pontes, louvor de esponsalidade comunitária, louvor de quem se faz pequeno, de quem escolhe ser o “feliz terceiro”, louvor de quem faz a sua vida dom de escuta, de caridade, de esquecimento de si, de oferta generosa e oblativa!
Louvor no anúncio, louvor de quem viu o Esposo e teve sua vida transformada, louvor de quem deseja fazer o Amor amado, louvor de quem vê na humanidade os filhos que lhe foram gerados, louvor dos que sofrem com quem sofre, louvor dos que se fazem holocausto para se tornar instrumento de amor.
Assim sendo, o celibatário é portanto convidado a ser uma constante melodia de Amor ao Esposo pois se “é próprio de quem ama cantar” (Santo Agostinho) a sua vida deve ser constante louvor, uma canção encarnada ao Amor.
Thalita Oliveira
Consagrada da Comunidade de Vida
