Era dia do check–out! Pela manhã, antes da saída,contempla o céu em forma de preces! O hóspede se prepara lentamente. Arruma os últimos detalhes. A bagagem é grande. Abraços e beijos. Saudades em quem fica. Sua estadia foi longa e tranquila. Fez amigos por onde passou. Amou cada momento na passagem. Despesas ou dívidas? Nenhuma, tudo quite! Consumiu o necessário. Dividiu gorjetas. Pacificamente entregou as chaves e partiu!
Um corre-corre no meio do dia. Nem ele mesmo sabia. Opa!!! De repente o check-out! Nada de despedidas. Com ele apenas medo e desespero. Estava só! E agora? Contava com a sorte. Viveu de trabalho em trabalho, de frigobar em frigobar, apenas ganancia. Horas perdidas fazendo contas, sem fazer conta de quem merecia. Mais ônus do que bônus. Trevas. Nada dividiu, infeliz diárias. Com as chaves Deus sabe onde, se foi… Apenas a roupa do corpo. Vazio.
Até que o check-out nos separe, jovem, o hóspede resistia em sair. Que dor. A noite era escura. Foi tudo tão rápido… Passava da hora. Mas achava que ainda não era o momento. Deixar suas paixões, planos e crenças. Fez promessas. Queria mais, muito mais… e menos despedidas.Com uma mochila nas costas e chaves apertadas nas mãos, relutava. Ansiava por qualquer ressarcimento. Devolução. Tempo! Ilusão. Sem saída, apenas dívidas… suas próprias dúvidas. Era o destino. Coração agoniado, nota emitida, lamentou. Em lágrimas, desocupou, inconformado retirou-se.
Na madrugada, não tinha teto. Procurou um pouso, de porta em porta bateu. Tudo lotado. Queria nascer. Ser um hóspede, foi num estábulo. Pobre, mas Rei dos reis. Fez milagres, rezou, ensinou e amou. Perseguido em desertos e mares. Na despedida, nada a reter. Se deu. Passou as chaves. A caminho da Cruz, despido, o check-out. Morte? Pagou tudo de todos, Ressurreição. Esperança. Vida eterna!
