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Cheila com Ch

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Cheila – Material de primeira. Completa. Satisfação garantida ouseu dinheiro de volta. Fone…

Talvez, como eu, você penseque o anúncio acima se refere a uma nova marca de camionete. Talvez lhe tenhaocorrido uma geladeira, daquelas completas compradas nas grandes lojas dedepartamento que costumam pular nas nossas salas de estar no horário nobre.Quem sabe, pensou em uma nova loja de material de construção ou em um novoempreendimento imobiliário, que emprega material de primeira.

Na verdade, trata-se de umamulher ou de um homem, não se sabe bem. O CH da grafia deixa a dúvida no ar. Dequalquer forma, trata-se de uma pessoa humana, cuja dignidade e auto-estimaestão resumidas à comparação do objeto: de primeira, completo, vendável,reembolsável.

O material de primeira é,ao que parece, o corpo da Cheila. Assim como a grafia de seu nome, há aqui todoum equívoco. Seu corpo, criado para amar e acolher amor, para ser a expressãodo dom de todo o seu ser, não tem mais vida, não é mais um corpo, é um materialde primeira. Por enquanto, por poucos anos, pois quando usado para objetivosdiferentes do amor, logo envelhece, fenece, torna-se “material de terceira”,que não vale mais o mesmo preço.

O “completa” dá asas àimaginação. O que significaria? Que seu corpo tem todos os atributos dapseudo-beleza? Que se pode fazer com ele tudo o que quiser, não importa o quê,como ou onde? Que ela/ele pode fazer com o corpo do freguês tudo o que elequeira, fazendo um “serviço completo”? Difícil saber. Um carro, quando écompleto, é munido de ar condicionado, rádio, dvd, direção hidráulica. E umcorpo? O que é um corpo completo?

Este corpo pertence a umapessoa? Há alguém que realmente o possui porque o ama? Dá-se ele como sinal dedoação total de uma pessoa? Neste caso, a pessoa poderia ser “completa”, poissó quem se dá totalmente é completo, realizado, feliz. Mas, infelizmente, comose vê, o caso não é esse e nossa/o Cheila, com Ch, está ainda longe de ser umapessoa que se possui por dar-se totalmente.

Satisfação garantida emtroca de dinheiro, é o que promete o anúncio. No entanto, basta não sergratuito, basta ser em troca de algo que o amor deixa de ser amor, quedesaparece a satisfação, a realização, a paz, a felicidade. O homem não é feitopara satisfazer-se com trocas. É feito para satisfazer-se com a gratuidade dodar-se. Cheila não tem como garantir satisfação. Nem a dele nem a do parceiro.Não há satisfação no egoísmo, na mentira.

Queria poder falar com a/oCheila com Ch. Fico a imaginar como ela/e talvez ache que não tem saída amiséria de vida em que se meteu. Por isso queria falar com ela/e. Dizer-lhe quea felicidade existe, sim. Que a liberdade também existe. Contar-lhe que épossível sair da infelicidade mais desesperadora, da solidão mais avassaladora,da pobreza mais degradante.

Queria dizer a/o Cheila queJesus tomou nossa humanidade e lhe deu vida e sentido. Queria explicar-lhe queo Evangelho é material de primeira; que é completo quem se dá até “descompletar-se”totalmente. Queria dizer-lhe que o amor não é sexo, que amor é gratuito e parasempre, para sempre. Sobretudo, gostaria de dizer-lhe que o amor é, sim,eterno, porque Deus eterno é Amor.

Gostaria de ter o poder derestituir a vida à/ao Cheila. De vê-la/o florescer, criar nova vida, novosentido, novo viço. Ver o brilho voltar ao seu olhar, vê-la/o despojar-se detantos disfarces, de tanto fingimento, de tantas pantomimas de felicidade.

Para isso, porém, teria que amar a/o Cheila comoela/e é. Fazer-me uma/um com ela/e. Esvaziar-me totalmente de mim mesma,empobrecer-me de tudo que tenho e sou para enriquecê-la e fazê-la viver comofilha de Deus. Não me refiro a assistência social. Nem a uma caridade boa, masque arrisca cansar-se ao não ver a/o Cheila criar vida na primeira, segunda,vigésima, centésima tentativa. Refiro-me a Jesus Cristo, o Ressuscitado quepassou pelo esvaziamento extremo da Cruz. Aquele que se fez pobre paraenriquecer a Cheila com sua pobreza. Aquele que ama sempre sem nada exigir, semjamais desistir. O único que pode dar vida nova.


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