
Mesmo sabendo que Ele está ao meu lado, a escuridão parece me cegar. E ansioso, com medo, no meio desse lugar sem vida, esbravejo: Onde está o apaixonado da Cruz? – o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa – me diz a orientação materna de séculos.
Então, me sinto perdido, sozinho. O sábado não era para ser assim, tão fúnebre e sem poder te enxergar. Nada ainda parece ter mudado. Queremos soluções rápidas, imediatas. E tu, como um enamorado, esquece as horas, se perde no tempo, recrias o teu Adão, outrora morto, sem esperanças no amanhã, de dentro pra fora. Sussurrando e saboreando cada palavra ao pé do ouvido: “Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste”.
Como o pai que refaz o laço com seu filho pródigo. Tu ainda com marcas de paixão, ele ainda com marcas de amor-próprio. Eu sou como Adão.
A morte está sendo refeita. E o que há de sem vida em nós, também. O tempo das canções está chegando. Sairemos daqui.