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Comentário do Evangelho de hoje: Eu amo, mas quem me ama?

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Woman In DoubtContinuando na lógica da Quaresma, a Igreja nos oferece hoje, no Evangelho de São Mateus (Mt 5, 21-26), algo que fica mais uma vez patente na mensagem de Cristo: o valor da pessoa, o valor do irmão. Se repararmos bem, todas as orientações que Jesus dá nesse trecho, têm como foco o outro. Jesus traz uma mensagem em que o outro ocupa “o lugar”, daí o mandamento da Lei de Deus ser “amar o grande outro”, que é o próprio Deus, e os outros, que são nossos irmãos.

É exatamente o inverso do que o mundo nos faz crer. A mentalidade mundana pede que primeiramente eu ame a mim mesmo, não no sentido do amor que significa autoestima, que é algo necessário, mas no sentido da egolatria, da idolatria de si, do amor desordenado a si. Quem vive assim não consegue servir a nada nem a ninguém. Essa mentalidade mundana pode me levar a acreditar que primeiro devo me amar de forma absoluta, e depois amar as pessoas na medida em que elas estão a meu serviço e me sejam úteis. Agindo assim, talvez eu pense que possa “amar” Deus, mas na medida em que Ele corresponder às minhas expectativas, tornando-se um “deus” à minha imagem e semelhança, fazendo o que eu quero, do jeito que eu quero, no tempo que eu quero. Isso não é amor.

Tocamos, então, no cerne da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, quando o Senhor nos mostra que o amor ao próximo é o elemento essencial que comprova e traduz a verdadeira conversão. Não há como se falar de conversão autêntica, se essa conversão não disser respeito aos irmãos, se não for conversão a Deus e aos irmãos.

Qual o sinal de uma pessoa verdadeiramente convertida?

É quando ela sai da idolatria de si mesma, da “autorreferêncialidade” – de onde ela é a referência absoluta de todas as coisas – e começa a ver o outro, passa a se colocar a serviço do outro.

Tudo bem, eu me coloco a serviço do outro. E eu? Quem me serve? Quem me ama?

Primeiro, Deus cuida de você. Segundo, existe uma “autorreferencialidade” saudável. De fato, eu preciso ter a mim mesmo como referência, porque tenho ideias, tenho posições, porque sou uma pessoa que oro, porque sou de Deus. Mas essa “autorreferencialidade” não pode ser absoluta. Se for absoluta, eu me torno quase como um “deus”, a quem todos e tudo devem servir, que não consegue ver o outro, só vê a si. Esse é o caminho da infelicidade.

Ouça o comentário do Evangelho de hoje feito pelo missionário da Comunidade de Aliança Shalom, Carmadélio Souza. Ao final, ele propõe perguntas que nos ajudam a “medir” nosso grau de felicidade e conversão verdadeiras. Confira:

 

 

 

 

Emanuele Sales


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