Nesta Quaresma, seguimos em nossa feliz procissão penitencial pelo deserto. No entanto, podemos nos perguntar como, então, perseverar nessa travessia? Como não sucumbir à aridez, ao calor do dia, ao frio da noite e a todos os outros perigos que o deserto nos impõe? Como cruzar este grande deserto para chegar à Ressurreição?
Primeiro, permanecendo como um povo em movimento. No deserto, seguir caminhando é o segredo da vida. Alguns trechos dos desertos que o povo hebreu atravessou, por exemplo, não eram completamente ermos. Havia fontes de água ou cisternas pelo caminho, que possibilitavam a travessia dos peregrinos.
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Todavia, não era possível permanecer em definitivo em tais localidades. O deserto não é o ponto final, mas a via expiatória para chegar à terra prometida que, para nós, cristãos, é o céu. Aqueles pequenos oásis, assim, eram como “pausas restauradoras” em meio à grande procissão hebraica, algo semelhante ao que o Missal Romano diz aos cristãos sobre a Eucaristia: “Orai, irmãos e irmãs, para que o sacrifício da Igreja, nesta pausa restauradora na caminhada rumo ao céu, seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.”
Olhar no essencial
Segundo, é preciso atermo-nos ao essencial. No deserto, não há lugar para excessos. Se estamos caminhando nesta grande procissão penitencial em meio a um lugar tão inóspito, só podemos carregar conosco o que é essencial à nossa caminhada. Um despojamento faz-se necessário, para não nos cansarmos desnecessariamente ao levarmos pesos inúteis. Precisamos concentrar nossas forças naquilo que nos alimenta e sacia a nossa sede: o maná, que é a Palavra e a Eucaristia, e a água do Espírito Santo. O fardo dos pecados e dos apegos às coisas deste mundo também precisam ser abandonados pelo caminho. A escassez do deserto, portanto, ensina-nos a conservar somente o que é essencial.
Por fim, necessitamos fixar nossos olhos na meta, que é a vida eterna. Em meio à árdua caminhada pelo deserto, é possível que, por vezes, desanimemos e pensemos em desistir. Afinal, o deserto também é lugar propício ao combate espiritual, à ascese, à luta própria da Igreja militante, que batalha diariamente pela sua santificação.
No entanto, se fixarmos o nosso olhar na eternidade, onde está a Igreja triunfante com seus anjos e santos, o próprio Deus renovará as nossas forças, ou melhor, nos emprestará a Sua força divina para que perseveremos até O encontrarmos definitivamente. Lembremo-nos que Jesus foi levado ao deserto e lá venceu em sua carne as tentações que nós mesmos sofremos.
Persevere!
É Cristo quem nos faz suportar a aridez do nosso exílio terreno e quem nos ressuscita das nossas mortes. Ele atravessa este grande “nada” conosco. É o Esposo Eucarístico quem vai à frente da procissão, junto à Virgem Maria, toda pequena. São eles a coluna de fogo e a nuvem que nos guardam e nos conduzem em segurança dia e noite, rumo à Salvação.
Portanto, tenhamos a coragem de perseverar em nossa procissão através deste grande deserto até chegarmos à Ressurreição, recordando-nos de que não há Ressurreição sem a Cruz, mas que também não há cruz, unida à Santa Cruz de Cristo, que não leve à Ressurreição.
Uma santa Quaresma a todos!
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Roteiro espiritual Quaresma e Semana Santa 2023
O caminho espiritual “Do Deserto à Ressurreição!” é o tema do itinerário do caminho, que trará a cada dia conteúdos que irão permitir aprofundar o seu caminho espiritual para Semana Santa e Páscoa do Senhor.
Vivamos juntos este caminho rumo à Ressurreição!
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