‘Lanço a semente do meu corpo no Eterno, de lá virá minha posteridade’
“De fato, há eunucos* que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda”. Mateus 19,12. (*Entendia-se por “eunuco” a pessoa que era impotente desde o nascimento e aqueles que se tornaram como resultado da castração.)
“A hipótese mais provável é que Jesus tenha permanecido “celibatário” por motivos religiosos … Se o celibato de Jesus é, um ponto de interrogação para nós, com toda certeza também foi para os seus contemporâneos. O Celibato era uma parábola em ação, a encarnação de uma mensagem enigmática com a intenção de mexer com as pessoas e provocá-las a pensar, seja sobre Jesus seja sobre elas mesmas. O argumento é controverso e delicado. Envolve as escolhas de cada um de nós e é impossível examiná-lo de um modo totalmente convincente. Quem puder entender, entenda.” (Meier, il hebreo)

Meu caminho para o Celibato pelo Reino dos Céus, dentro da Comunidade Shalom, foi sendo formado à medida que eu ia sendo tocada e curada pelo Amor de Deus. A partir desse amor, fui fazendo a experiência de me conhecer segundo o olhar de Deus. O conhecimento de mim mesma era muito limitado, pois era feito apenas a partir de mim e dos outros: pais, irmãos e amigos. O olhar de Deus foi completando o que minha limitada visão era capaz de ver sobre mim mesma. Então, pude entender e escolher muitas realidades que não estavam dentro das minhas expectativas e projetos. Realidades que tocam a eternidade.
O Celibato pelo Reino de Deus, segundo os Estatutos da Comunidade Shalom, é “um sinal escatológico”, sinaliza “a supremacia das realidades eternas sobre as transitórias” (ECCSh99).

Porém, dentro de mim travou-se uma grande luta. Eu entendia, mas precisava aderir à vontade de Deus em sua totalidade, não pela metade. Compreendi que Deus não iria me forçar a nada, até porque não existe “Celibato forçado pelo Reino dos Céus”. Eu não havia nascido com nenhuma impossibilidade fisica para o matrimônio. As mãos dos homens também não me haviam feito inapta ou estéril. Só minha livre escolha me faria celibatária pelo Reino dos Céus, era necessário “fazer-me sim” com todo o meu corpo, consagrando tudo a Deus.
Deus me escolhera sem mérito ou justificativa alguma. Percebi que não precisava ter medo da solidão porque o Celibato supõe uma escolha mútua, assim como Jesus foi escolhendo seus discípulos, seus amigos e seus apóstolos. Compreendi que o Celibato pelo Reino dos Céus não depende só da minha decisão, pois a iniciativa não foi minha. É uma resposta a uma proposta de amor. Amor capaz de gerar vida nova, capaz de gerar filhos espirituais, capaz de gerar plenitude.
Quando tudo isso aconteceu e finalmente decidi pelo Celibato pelo Reinos dos Céus, estava em missão em Nazaré, na Galiléia, cidade do mistério da encarnação e da vida escondida de Cristo. Lá na casa de Nazaré, encontrei na Sagrada Família modelo ideal para que a Vontade de Deus pudesse se manifestar e prevalecer na minha carne e no meu coração.
Com muita alegria, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe, no dia 12 de dezembro de 2010, fiz meus primeiros votos, e minha vida nunca mais foi a mesma. A cada ano, a Vontade de Deus vai se solidificando no meu coração, porque a cada dia eu escolho e digo sim Àquele que me escolheu. Vou confiando no plano que Ele traçou, apoiada em Seu infinito Amor. Lanço a semente do meu corpo no Eterno, de lá virá minha posteridade. “Toda glória pertence assim Aquele que nelas tudo realizou” (Escrito amor Esponsal).
Raquel Reis
Missionária da Comunidade Católica Shalom
Parabéns minha irmã !
Que nunca lhe falte a coragem nem a fé em lutar por uma causa justa.
Uma oração a sua intenção sempre…
Maravilhoso testemunho e totalmente diferente de tudo que já li