Imagine-se no meio de uma tempestade em alto mar. Você está sozinho e tudo em volta é escuridão. Seu barco é arremessado pelas ondas e não há previsão de quando tudo aquilo vai acabar. E será que vai acabar? Esse questionamento nos vem em diversos momentos da vida, quando não sabemos o que fazer nem para onde ir. Diante dessas tempestades, o que nos salva é a esperança.
A vida, embora nós não gostemos de admitir, é totalmente imprevisível. Toda tentativa de controle é vã, e certamente provaremos da dor e da tristeza em algum momento. Mas parece que nunca estamos preparados para isso. E então, quando acontece, quase sempre nos desesperamos, no sentido prático e literal da palavra.
Ao imaginarmos uma pessoa desesperada, certamente pensamos em alguém muito aflito, apavorado e até aos gritos. Esse é, também, o estado que invade nossas almas quando passamos por momentos difíceis; mas existe um sentimento pior, no sentido literal da palavra “desesperar”: o perder a esperança. Quando não acreditamos mais que aquela chuva vai cessar, nem que o Sol nascerá novamente. Isso nos mata muito mais rápido do que o próprio momento que enfrentamos.
É próprio do ser humano ter esperança. Ela é o fundamento para o recomeço, para a persistência, e até para o perdão. Afinal, nós tentamos de novo porque cremos que poderá dar certo e perdoamos porque cremos que a pessoa pode mudar. Perder a esperança é jogar fora um precioso dom de Deus, uma virtude que nos sustenta em meio às dificuldades e que não é um otimismo “bobo”, mas um movimento de certeza e confiança em Deus.
Para tanto, é preciso ter fé. O primeiro passo para manter-se esperançoso é crer na bondade de Deus, que não nos criou para o mal, mas para a felicidade. E a felicidade não se traduz pela ausência de sofrimento, e sim pela convicção de que Ele está conosco. O Senhor não nos prometeu uma vida sem desafios, mas garantiu que estaria ao nosso lado: “…No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” (São João 16,33).
O Espírito Santo nos dá auxílio quanto às nossas fraquezas, faz brotar em nós a fé e a esperança, só precisamos pedir com um coração sincero e necessitado. É sempre bom, também, olhar para os exemplos dos grandes santos. Muitos passaram por momentos tenebrosos e se mantiveram confiantes em Deus. Outros, já não tinham “jeito” aos olhos do mundo, mas Deus os resgatou. São Paulo é um grandioso exemplo: de perseguidor dos cristãos, passou a anunciador do Evangelho. Foi perseguido, maltratado de todas as formas possíveis, mas não se desesperou em momento algum; ao contrário, exortava: “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.” (Rm 12,12).
O sofrimento é inevitável parte da vida, sabemos. Mas o que é motivo de tristeza para o mundo, nós, em Cristo, podemos transformar em louvor e alegria. Precisamos manter nossos corações esperançosos e confiantes em Deus, cultivando a fé. Mesmo que seja uma fé pequena… Basta que seja suficiente para crer que a tempestade cessará e que o Sol nascerá outra vez.
Sandrielly Melo
