Ela sempre esteve comigo. Quando eu ainda era formada no ventre de minha mãe, a Mãe das mães, cuidava e zelava por mim. A medida em que conhecia aquela que me guiaria aqui na Terra, eu era apresentada a uma jovem e doce mulher a qual poderia sempre recorrer e contar com seu auxílio. Minha Mãezinha do céu!
Mas, Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Lembrei-me disso durante o Congresso de Jovens Shalom, que teve como tema tema principal “Não temas, Maria, porque encontrastes graça diante de Deus”. Ela que sempre esteve comigo, me acompanha em cada passo e que está presente no menor gesto bem sabe o quanto esta tua filha vacila. Mesmo cercada por tão grande carinho e proteção, mesmo contando com teu auxílio materno a qual abre as portas do céu para mim, parecia que eu estava a te rejeitar. Não sabia como ser filha.
Mãe do puro amor, Jesus é seu filho e eu também o sou. Ensina-me: como ser fiel a vontade do bom Deus? Como posso também dizer o meu sincero: Fiat – Faça-se, e permanecer firme no caminho que Ele me conduz? O coração inquieto e ansioso buscava encontrar seu Filho e com Ele permanecer. Porém, não sabia nem mesmo como começar. E quando o encontrasse, o que dizer? Havia tanto para ser expressado, tantas verdades doloridas que precisavam ser assumidas, curadas.
Convencida de que o melhor caminho para chegar ao coração de Jesus e estar junto a Ele era por meio de sua intercessão, coloquei-me então aos pés da Mãe. “Pede a mãe que o Filho atende!”, dizem. Então foi ali, cercada por milhares de jovens, vindos de diversas realidades, no Congresso de Jovens Shalom, que apresentei o meu nada, o nada que era e que tinha. Muitos estavam tendo a primeira experiência com o seu amor. Estavam ainda descobrindo quem eras tu, ó doce e Virgem Maria. E eu alcançada pela misericórdia do bom Deus, já te conhecia tão bem, mas não conseguia estar junto a ti. Foi quando teu doce olhar me alcançou. Bem a minha frente, me deparava com o teu olhar sereno e o menino Jesus acolhido em teus braços. Ele, que também encontrou conforto em seu colo, que soube esperar paciente até que a vontade do Pai se cumprisse.
Dentro de mim havia o forte desejo de me lançar no mar de misericórdia Daquele que tudo espera, tudo suporta e tudo crê. Me questionava como tu ó Mãe, conseguistes cumprir tão grande missão. Mesmo diante da incompreensão, sem ter tudo claro, em nenhum momento tu deixastes de confiar nos planos e promessas de Deus. Como serva fiel e humilde se colocou a disposição: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Necessitava apenas dar o primeiro passo, e: “agora lábios meus, dizei e anunciai os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus”, como diz a oração.
E então, como uma mãe atenta que corre ao encontro de sua filha necessitada, envia ela mesma o teu Filho para me consolar. “Eu ouço os teus pedidos. Eu cuidarei de tudo. Eu cuidarei”. No CJS, senti uma mão sob a minha cabeça, alguém que rezava por mim. Naquela resposta do Amado de minha alma que falava tão forte ao meu coração, pude sentir como o céu se abrindo para mim e uma graça poderosa do Pai sendo derramada naquele instante. A partir daquele momento, nada seria como antes. A cada novo dia eu iria provar de uma nova e profunda experiência de amor, de um cuidado que invadia a minha alma.
Ao rezar o santo terço era quase que possível sentir o perfume das rosas que eram oferecidas para ela. O seu Filho estaria sempre a me acolher, perdoar, a me esperar e aceitar tal como era, tão imperfeita. E assim como Maria, a minha alma oferece a Deus um cântico novo:
Senhor, eu não sou digna de que entreis em minha morada, mas, minha alma se gloria no Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva.
Que saudades eu sentia do teu colo, ó Mãe. Deixo-me então ser conduzida por ti. Me leva com o teu amor, bem junto ao filho teu. Me molda, me cura, me faz querer ser todo teu. Por Ele e com Ele. Tudo por Jesus e nada sem ti, Maria!
