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Como meditar os Mistérios Gozosos do Santo Rosário?

A meditação frutuosa do Rosário exige perseverança e concentração, desejo então que a leitura de cada tópico, seja um exercício introdutório para esse bendito propósito. Deus te abençoe sempre, Shalom!

Foto: Pexels

Muitas descobertas que foram feitas pelo homem ao longo dos milênios vieram por meio da repetição. A repetição estimula a criatividade e a imaginação. Ela é a mãe da aprendizagem e da absorção de conteúdo. “É através da repetição que memorizamos e colocamos uma nova habilidade em nosso “piloto automático”” (Maurílio Barboza Consultor Estratégico e Coach de Negócios).

Esse exercício contribui para que uma competência inconsciente se torne consciente. Contribui ainda para que valores e motivações escolhidas sejam fortalecidos e postos em prática. A equação é simples: quem se exercita no bem, se fortalece e se habitua ao bem. Quem se exercita no mau, se habitua e se fortalece na prática do mau. Com o tempo, os valores e atitudes escolhidas e exercitadas na repetição serão praticadas de modo quase automático e inconsciente.

Quis introduzir com essas observações para que entendamos melhor o sentido e o papel da repetição e memorização de cada uma das orações do Santo Rosário, bem como a importância da concentração, atenta em cada uma das cenas bíblicas sugeridas por eles.

A seguir, então, apresentaremos de modo breve, cada um dos mistérios desse bendito e santo aparelho espiritual da graça presente na Igreja. Ressalto ainda que a meditação frutuosa do Rosário exige perseverança e concentração, desejo então que a leitura de cada tópico, seja um exercício introdutório para esse bendito propósito. Deus te abençoe sempre, Shalom!

1º Mistério Gozoso: O anúncio do anjo à Virgem Maria

Um comunicado oficial de grande importância não é jamais confiado a qualquer pessoa. O fato de Deus enviar um anjo para se dirigir à Virgem Maria, por si só, já é muito significativo. Não foi uma inspiração pessoal que ela teve, uma ideia muito boa, ou mesmo uma intuição que surgiu em sua cabeça. A coisa foi muito mais objetiva e concreta. Leia:

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria” (Lc 1, 26-27).

Viu só como o autor sagrado faz questão de oferecer informações temporais, espaciais e de personagens? Preste atenção agora ao que esse enviado do Criador do universo diz: “O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). Olha que adjetivo magnifico o anjo utiliza: “Cheia de graça!” Deus estava com Maria, num nível profundo, tão profundo, que não havia espaço para nenhuma outra coisa dentro dela, que não fosse, ação da graça.

Os planos e projetos Divinos eram assim, abraçados e vividos por ela de modo pleno. Se em Jesus o ser humano é elevado da categoria de uma criatura especial à condição de filho de Deus, é pelo sim de Maria que Deus se fez homem e efetivou esse maravilhoso propósito. O primeiro mistério do Santo Rosário, então, deve ser marcado pelo louvor a Deus, que se abaixa para nos exaltar, mas também pelo olhar terno, amoroso e pleno de gratidão para com essa Santa Mulher, cheia de graça. Que respondeu sem hesitar: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1, 38).

2º Mistério Gozoso: A visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel

Como é maravilhoso receber a visita de uma pessoa amada. A alegria parece fazer o coração sair pela boca. Quanto mais a amamos e quanto menos esperada era a visita na ocasião, mais emocionante e surpreendente ela se torna. Nesse segundo mistério do Santo Terço, somos motivados à contemplação da belíssima cena, em que a Santa Virgem Maria, escolhida para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus, visita sua parente, a querida Isabel. Leia com atenção a narrativa bíblica:

“Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”” (Lc 1, 39-42).

Como podemos ver nessa cena, Isabel, cheia de alegria e do Espirito Santo, completa o discurso de saudação que o anjo fez a Maria. O anjo disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). Isabel ao se encontrar com Maria, inspirada pela graça divina, diz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1, 39-42). O fruto do ventre de Maria é Jesus. Esse fruto só chegou até nós, permita-me repetir de novo… e de novo… por causa dessa bendita resposta: “Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Desejo, assim, que entre uma Ave Maria e outra seu coração vá, pouco a pouco, se enchendo de gratidão a Deus, por ter dado Maria, cujo sim decidido o permitiu vir até nós.

3º Mistério Gozoso: O nascimento de Jesus

O nascimento de um bebezinho requer alguns procedimentos para ser bem-sucedido. Faz-se necessário criar um espaço físico e emocional, para que a mente e corpo da mãe possa desempenhar essa tarefa tão linda, mas também desafiante, de modo saudável. No evangelho vemos o clima hostil que a Mãe de Jesus e seu discreto, mas eficiente, esposo José, tiveram que enfrentar:

“Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 1-7).

Quando rezarmos e meditarmos esse mistério do Santo Rosário nosso coração deve recordar tantas vidas, que ainda sem um nome, um rosto, ou culpa, são ameaçadas de morte, num espaço que deveria ser o símbolo do amor, da segurança, abrigo e proteção (Útero materno). Peçamos também por mães e pais que padecem pela ausência de uma estrutura política, social, econômica e emocional favorável à vida, para que ao encontrarem-se com Deus possam tornarem-se mais otimistas, esperançosos, na construção de um mundo novo, propicio e favorável à vida. Assim seja, Amém.

4º Mistério Gozoso: Apresentação de Jesus no Templo

Na cultura judaica, as crianças eram as herdeiras de uma tradição milenar que, além de garantir a continuidade do povo judeu, promovia a perpetuação de uma eleição especial diante do Criador. Cabia aos pais o dever de cuidar e proteger física e espiritualmente seus pequenos. Entre os costumes, havia um em que o Pai apresentava seus filhos, ainda recém-nascidos no templo. José e Maria, como fiéis judeus, foram cumprir esse preceito. Olha só, porém, o que aconteceu:

“Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. Movido pelo Espírito, Simeão veio ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará tua alma” (Lc 2, 25-35).

Conclua sua leitura com uma Ave Maria, refletindo sobre essa promessa em seu coração: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição” (v. 34). Que sejamos reerguidos e jamais derrubados em nossa fé e adesão cheia de esperança em Deus.

5º Mistério Gozoso: Perda e reencontro do Menino Jesus no Templo

Perder é sempre uma experiência desagradável. Porém, esse acontecimento faz parte do desenvolvimento humano. Para ganharmos a vida aqui fora no mundo, foi preciso perder o espaço confortável e acolhedor do útero materno. Para aprendermos a andar tivemos que perder o colo e o abrigo forte dos braços dos pais.

A dor da perda algumas vezes pode ser uma experiência muito desagradável. Basta pensarmos no clima de dor presente num velório, diante da morte da mãe, do pai ou de um filho. Essa introdução foi para que pudéssemos contemplar com mais profundidade o tamanho da dor e do desespero de Maria e José diante do sumiço de seu querido e pequeno filho Jesus. Leia:

“Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem… Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas” (Lc 2, 41-47).

De um lado vemos o encanto maravilhado dos ouvintes do pequeno Jesus, de outro a dor misturada com alívio dos pais. Nesse quinto mistério do Santo Terço, peçamos a Deus por todos aqueles que se sentem perdidos e desorientados e ainda não encontraram Jesus.

Por Rodrigo Santos


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