Shalom! Meu nome é Anderson Theodoro. Sou consagrado com promessas definitivas na Comunidade Católica Shalom e votos perpétuos no celibato pelo Reino. Já caminho na Comunidade há 22 anos, e, desde o início, a comunhão de bens sempre foi para mim um valor essencial.
Em 2010, vivi uma experiência que marcou profundamente minha relação de confiança em Deus. Durante a reciclagem, cujo tema era a pobreza, o Senhor realizava em mim uma grande obra: Ele me convidava a confiar inteiramente em Suas mãos, deixando que Ele fosse, de fato, o Senhor da minha vida.
Naquele tempo, eu trabalhava em dois lugares: em um deles recebia um salário “X” e, no outro, três vezes mais. Deus me pediu que deixasse justamente o emprego em que eu ganhava mais, porque aquele trabalho me impedia de colocar o Senhor no centro da minha vida e de viver plenamente alguns aspectos da vocação.
A princípio, não achei tão difícil. Como sou comunicativo e conheço muita gente, pensei: “Se Deus está me pedindo esse emprego, logo Ele abrirá outra porta”. Mas, ao rezar, Deus me pedia uma coisa clara e desconcertante: “Não faça nada”.
Foi um grande ato de fé. Passou um mês, depois dois, três… e, em cada oração, a resposta era sempre a mesma: “Não faça nada”. Quando cheguei ao quinto mês, já sem seguro desemprego e sem recursos, questionei ao Senhor: “Se eu não fizer nada, não terei dinheiro nem para ir ao Shalom, como vai ser?”. E a resposta permaneceu: “Não faça nada”.
Uma semana depois, recebi um telegrama do município do Rio de Janeiro: eu havia sido convocado para um concurso realizado em 2006, que já deveria estar anulado, mas, pela providência de Deus, fui chamado. Um mês depois, fui convocado para outro concurso do qual também havia participado. Nesse momento, experimentei profundamente que é Deus quem conduz a nossa vida. Essa experiência alargou meu coração e me gerou uma graça de abandono e confiança inabalável na voz do Senhor.
Ao longo desses anos, experimentei a graça de viver a fidelidade na comunhão de bens e, sobretudo, a fidelidade de Deus. Como nos ensina o nosso fundador, “ser pobre é estar inteiramente nas mãos de Deus”. Em muitas situações, pude ver de perto a providência divina e o cuidado concreto do Senhor.
Contudo, nem sempre esse caminho foi fácil. Em determinados momentos, enfrentei lutas interiores para permanecer fiel. Recordo-me, por exemplo, de uma fase em que comecei a ganhar um pouco mais e, consequentemente, o valor da minha comunhão de bens aumentou. Dentro de mim, surgiram tentações de reter aquilo que pertencia a Deus, e foi um tempo de grande combate e purificação. Pela graça, consegui perseverar, conduzido pela ação do Espírito Santo.
No entanto, no ano passado, vivi uma das maiores provações nesse aspecto. Minhas contas não fechavam, e fui fortemente tentado a não devolver a comunhão de bens. Durante um tempo, deixei de experimentar a graça dessa partilha e da fidelidade. Mas, neste ano, durante a reciclagem, o Senhor realizou em mim uma profunda obra de conversão. Ele alargou meu coração, gerou confiança e me reconduziu à certeza de que é Ele quem cuida de cada detalhe da nossa vida. Desde então, venho dando passos concretos de retorno à vivência fiel da comunhão de bens.
Hoje, reconheço ainda mais que este mistério é uma antecipação do céu. Na comunhão de bens, deixamos de confiar em nossa autoprovidência para nos colocarmos inteiramente nas mãos de Deus. É Ele quem conduz a nossa história.
Peço a graça de perseverar até o fim nesse dom tão precioso, para que minha vida seja sempre sinal da fidelidade de Deus.
Shalom!
