Meu nome é Marcelo Paiva, tenho 27 anos, sou postulante de segundo ano da Comunidade de Aliança em Vigário Geral, na Missão Rio de Janeiro. Eu vim partilhar um pouco da minha experiência com a Comunhão de Bens. Confesso que eu demorei a ter uma experiência profunda com esse aspecto da vocação. Eu sempre ouvia as pessoas falando e eu sempre achei que precisaria ter muito dinheiro para poder partilhar.
Eu fui tendo muita dificuldade com isso durante o meu período vocacional, durante o meu período na obra, mas depois que eu ingressei na Comunidade, em 2024, eu fui entendendo que a Comunhão de Bens era uma grande graça que Deus derramava para ordenar a minha vida. Além de eu devolver o meu dinheiro, precisei entender que aquilo era dom de Deus, que era o meu trabalho que foi fruto daquilo que Deus me deu.
Aos poucos, o Senhor foi me fazendo entender nas minhas orações de que eu precisava ser inteiramente Dele. Não adiantava eu ser somente uma parte, não adiantava eu viver somente uma parte, mas tudo que eu tenho precisava ser santificado a Deus, levado a Deus, confiado a Deus.
Deus foi me dando a graça de ordenar a minha vida financeira, de entender que tudo que eu tinha era consagrado a Ele, e que a minha vida financeira não era algo à parte, mas era algo que também precisava ser confiada nas mãos de Deus.
A partir da minha docilidade de conseguir partilhar com as minhas autoridades sobre as minhas dificuldades, sobre as minhas dores e ver que não era sobre só eu não devolver a Comunhão de Bens, mas era sobre muitas feridas que eu tinha dentro de mim que eu não conseguia externalizar isso de alguma maneira. A partir do momento que eu consegui tocar nisso na minha formação comunitária, na minha formação pessoal, o Senhor foi derramando uma grande graça de ordem, de me fazer viver essa experiência de abandono mesmo.
Devolver a minha comunhão de bens já não é mais um peso, mas é a gratidão do meu coração. Eu anseio em devolver a Comunhão de Bens, porque eu entendo que tudo que eu tenho é graça de Deus. Não é algo fácil. Até o momento, eu preciso estar vigilante para devolver a Comunhão de Bens. Se a gente for olhar os olhos humanos, não é fácil devolver a comunhão de bens, mas eu entendo que viver isso é um caminho para santificar a minha alma. Tudo que eu tenho, tudo que sou, ali eu coloco diante de Deus.
Acho que a última coisa que eu queria pontuar sobre esse aspecto da vocação é que existem várias formas de partilhar. A Comunhão de Bens passa pelo nosso dinheiro, mas o dinheiro não é o ponto final. Os meus bens, os meus dons… Uma carona, às vezes, é algo que eu tenho como proporcionar e que vai fazer diferença na vida do outro. Se o Senhor me dá, eu preciso colocar a serviço dos irmãos, do Reino, da evangelização. Essa é a maior prova de amor que temos para dar para Deus. Nada, de fato, é nosso, tudo pertence a Ele.
É uma alegria poder colocar a minha vida inteira à disposição de Deus e de Ele fazer aquilo que Ele quiser mesmo, mesmo nas minhas fragilidades e nos meus limites.
Marcelo Paiva
Comunidade de Aliança
Missão Rio de Janeiro
