A Comunidade Shalom possui, dentre os seus membros, os três estados de vida: missionários chamados ao matrimônio, ao sacerdócio e ao celibato. Com relação às famílias, o fundador da Comunidade, no Escrito Estado de Vida, recordou bem a verdade de que só haverá um mundo novo, realmente disposto a acolher Jesus, quando houver famílias novas, baseadas em relacionamentos novos, dos quais Deus é o centro e o fim. Assim, é belo contemplar essa profecia da novidade evangélica que se cumpre em cada família missionária, chamada a amar a Deus por meio do amor conjugal, da geração de filhos santos para o Senhor e do serviço dedicado à evangelização na Obra Shalom.
Desse modo, hoje conheceremos o testemunho de uma família missionária que, em meio às graças e desafios da missão, buscam, a cada dia, gerar espaço em suas vidas para Jesus Cristo e o Seu Reino.
Uma constante aventura de amor
“Sou Tatyana Isidro de Albuquerque Leão e atualmente sirvo na missão de Goiânia (GO). Há 23 anos eu disse ‘sim’ ao chamado de Deus, assumindo a vocação Shalom, como Comunidade de Vida. Quando criança, nunca sonhei em ser missionária, porém, à medida que conheci Jesus mais de perto e experimentei do Seu Amor, dei passos mais concretos, abraçando a vocação Shalom.
Sempre achei que esse chamado era muito além de minhas forças e realmente o é, por isso é tão belo constatar na minha vida que tudo é graça de Deus! Ele escolhe quem Ele quer e, muitas vezes, confunde o mundo, pois escolhe pessoas fracas e incapazes como eu. Porém, o que “é loucura aos olhos do mundo” é, na verdade, a sabedoria de Deus.
Eleitos pelo Senhor, somos os primeiros a experimentar esse Amor perfeito que nos salva e liberta. Assim nós, fracos como vasos de argila, vamos, aos poucos, transbordando esse Amor, que é o nosso grande tesouro. Confesso que, diante da eleição de Deus, sinto-me não só como um vaso de argila, mas mais frágil ainda, como um “vaso de argila rachado”, no entanto, mesmo em meio a tantas limitações, trago profundos desejos por Deus, para fecundar a missão da Comunidade e edificar a Igreja.
Família missionária
A vida missionária, para mim, é uma constante aventura de amor, em que parece que Deus sempre pede algo grande demais e nitidamente impossível, mas a especialidade Dele é fazer o impossível, como disse o nosso querido Papa emérito Bento XVI: “O Senhor sabe trabalhar com instrumentos insuficientes”. Nas constantes aventuras que é fazer a Sua vontade, Deus também me chamou ao matrimônio e, assim, Aurinilton Leão Carlos Filho e eu nos casamos em 2007, e temos atualmente 4 filhos: Maria Ester, Lucas Emmanuel, Benjamin e um outro “anjinho” que já está no céu.
Todas as decisões que tomamos na nossa vida comportam consequências e responsabilidades, alegrias e dificuldades também para nossos filhos, pois somos uma família missionária há quase 15 anos. Atualmente, vejo como um dos desafios a reação dos filhos quando somos transferidos. A “ruptura” de laços e relacionamentos, a desinstalação e o recomeçar muitas vezes é mais difícil para eles. Foi necessário trabalhar esses pontos com eles de forma gradativa. Assim, eles foram e ainda vão, pouco a pouco, aprendendo que Deus é maior que tudo e todos e vale a pena segui-Lo e servi-Lo.
Também podemos contar sempre com a Comunidade, que é aberta ao diálogo, especialmente diante da realidade dos filhos. Unidos, vamos desbravando esse “novo”, e, na particularidade da nossa família, discernindo e inserindo os filhos na beleza da vida missionária, onde o mesmo Deus que chama, também cuida. É uma benção e grande alegria ver os filhos sendo amigos de Deus e buscando tê-Lo como centro de suas vidas desde a infância. É gratificante e belíssimo vê-los falar sobre e desejar a eternidade.
Como todas as famílias, não somos perfeitos e erramos, mas com Deus podemos sempre recomeçar e melhorar. É uma grande graça poder contribuir, como família missionária, na evangelização de pessoas que estão sedentas por Deus e de tantos que ainda não descobriram Seu Amor, Sua presença e amizade. É uma grande honra e um privilégio, por isso seguimos em frente confiando em Deus, que não muda, pois Ele é sempre bom, sempre amor. Perseveramos contando com a intercessão de Nossa Senhora e o cuidado da Comunidade, pois Deus é digno de todo louvor, e como o “óbulo da viúva” (cf. Lc 21,1-4), acreditamos que nossa família alegra o coração de Deus com a nossa pobre, porém sincera oferta de vida”.
Shalom!
