O que é consagrar a vida?
Primeiro, é um encontro. Desde minha experiência com Deus, através da oração eu fui descobrindo, a cada dia, que eu não sou só neste mundo, eu tenho um Criador. Não um Criador frio e calculista, nem tampouco que me deixa andar errante pelo mundo, mas um Criador amoroso, que é Pai e ao mesmo tempo, tem amor de mãe, que por amor, sofre e se abaixa, deixa correr e acompanha, livra das pedras e junta os cacos.
Ele caminha comigo, minha vida é a cada dia, no diálogo da oração e em tudo que acontece, habitada. Eu sou habitado por alguém que me ama infinitamente e me criou para amar. Essa alegria que sinto supera a faculdade, as viagens, os planos, tudo que eu tinha antes. O Amor que me gerou, pede a cada dia uma resposta: que eu o ame também!
Consagrar a vida, é entender que eu vivo, existo, respiro dentro de uma relação de amor. que se dá, no tempo, mas está além do tempo, que não depende das circunstâncias e dos lugares, mas que as rege para que eu O ame mais, O conheça mais. Consagrar a vida, é deixar a carne humana soltar o grito da alma de que Deus é vivo e compromete a minha vida. Ele compromete meus dias, minhas horas, meus dons e minhas fraquezas, Ele me envolve e eu me devolvo, feliz e rendido, diante da sua imensidão.
Consagrar a vida é entender, como Santa Teresinha, que “o Amor só com amor se paga” e assim viver o amor dado a mim por Deus como amor doado, aos irmãos, à Igreja, à humanidade, a todos os que necessitam. É encontrar, na pobreza, um Pai que cuida, na obediência, um caminho de felicidade e na Castidade, um amor que me unifica em torno a si para me fazer amor a todos.
Consagrar a vida é, enfim, dizer que eu confio, me abandono e amo esse Deus que conheci. Ele merece todo amor do mundo, todo o meu amor.
Rodrigo Damasio Rodrigues é Consagrado da Comunidade de Vida, na Missão de Natal

