Formação

Consciência Política

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“Perante as graves formas de injustiça social e econômica ede corrupção política, que gravam sobre povos e nações inteiras, cresce areação indignada de muitíssimas pessoas oprimidas e humilhadas nos seusdireitos fundamentais e torna-se sempre mais ampla e sentida a necessidade deuma radical renovação pessoal e social capaz de assegurar justiça, solidariedade,honestidade, transparência” (Veritatis Splendor, 98).

A sociedade brasileira tem assistido nestes últimos tempos aseguidos escândalos na esfera do poder público. Mais do que assistido, diriaque vivemos e sofremos com cada inesperado e tenebroso capítulo em nossarecente história democrática. Nos indignamos frente às formas criativas esinistras de desviar os escassos recursos públicos para uso próprio. Nosdecepcionamos quando esperados projetos de governo se tornam obscuros projetospara perpetuação no poder. Ficamos atônitos quando constatamos que orelativismo moral e ético passa a ser usado, até em discursos, comojustificativa de atos ilícitos e amorais. Sofremos quando plataformaspolíticas, que foram construídas em décadas, são desfeitas em poucos dias,apenas por conveniência partidário-eleitoral. Nos assustamos com as novascoligações, que não respeitam os limites éticos, morais ou ideológicos.

O mau exemplo daqueles que deveriam ser líderes dasociedade, guardiões dos altos valores comuns, traz conseqüências devastadoras,mas muitas delas silenciosas. Com a banalização da corrupção, com a incoerênciados mandatos, com as escusas absolvições de políticos, muitos contra-valorescomeçam a assumir uma forma amenizada e passam a transitar no subconscientecoletivo como algo tolerável, aceitável, comum, aumentando assim a força dorelativismo moral e ético. Aos poucos estes contra-valores são incorporadospela cultura, passando a influenciar outras esferas da vida como a familiar, acomunitária, a profissional e a econômica.

O Cardeal Cláudio Hummes nos alerta ao dizer: “A corrupçãodos políticos é hoje uma das maiores queixas da sociedade: o seu impactodeformador escandaliza o povo, desestimula a virtude e fomenta o cinismo najuventude. A igreja, consciente das graves conseqüências dessa patologia davida pública, pretende favorecer o desencadeamento de um grande esforçonacional, a fim de erradicar a praga da corrupção, que corrói o exercício dademocracia”. (Diálogo com a cidade, pág 99).

Atravessamos um momento de grave crise política, mas ascrises podem configurar-se em pontes para grandes oportunidades. “A atual criseética e política poderá se tornar ocasião de amadurecimento e aperfeiçoamentodas instituições democráticas do país, levando-nos ao comprometimento com averdade que nos liberta, construindo o Brasil mais justo, solidário e livre”(CNBB, Eleições 2006). Não podemos mergulhar num pessimismo paralisante, masconscientes do perigo real que nos ronda, iniciarmos com esperança e coragemuma mudança de atitude. A sociedade civil precisa seriamente refletir, dialogare imediatamente mudar o rumo da atual prática política ou então brevementesofrerá terríveis conseqüências. Basta recordar os recentes malefícios e adesestabilização causada pelas ações do crime organizado, em grande parte,devido à ineficácia das políticas de segurança pública, produto da práxispolítica vigente.

Alguns tentam reduzir as causas desta crise política atual eexplicam nosso momento histórico com jargões simplórios como: “Cada povo tem osgovernantes que merece”, ou então, “os políticos são o reflexo de cadasociedade”. É óbvio que não existe uma relação tão direta e simples como esta,mas devemos refletir sobre todas as causas da atual e falida prática política ebuscar luzes para esta caótica situação.

Como cristãos não podemos nos omitir ou permanecer à margemdas discussões políticas. O Espírito Santo, que faz nova todas as coisas erenova toda a face da terra, deseja inundar com sua graça o mundo da política.Devemos cooperar com a sua ação renovadora, sendo luz e sal para o nossomunicípio, estado e país. É Jesus quem nos envia aos confins da terra aanunciar a boa-nova. João Paulo II nos exorta e ensina dizendo: “Os fiéisleigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja,da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa ecultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum…todos e cada um tem o direito e dever de participar da política, embora emdiversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades.As acusações de arrivismos, idolatria de poder, egoísmo e corrupção que muitasvezes são dirigidas aos homens do governo, do parlamento, da classe dominanteou partido político, bem como a opinião muito difusa de que a política é umlugar de necessário perigo moral, não justificam minimamente nem o ceticismonem o absenteísmo dos cristãos pela coisa pública. Pelo contrário, é muitosignificativa a palavra do Concílio Vaticano II: “A Igreja louva e aprecia otrabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de talcargo, a serviço dos homens” (Christifidelis laici, 42).

Podemos refletir sobre alguns pontos: Ao constatarmos que éo nosso voto direto, que confere mandato aos parlamentares e governantes, nós,como sociedade, devemos assumir, no mínimo, uma parcela de responsabilidadesobre os fatos atuais. Ou fizemos escolhas erradas ou deixamos que outros asfizessem. Quando vemos políticos, que faltaram com a ética e foramincompetentes no seu exercício parlamentar ou governamental, e mesmo assimconseguem repetidas vezes se reelegerem, reconhecemos que precisamos aprender avotar.

A desinformação política que assola o Brasil ainda é maciça.Uma grande parcela dos brasileiros não tem acesso a uma educação civil epolítica adequada, por isto permanece num estado de letargia, desinteresse eomissão ou numa atitude de submissão, manipulação e controle, ou ainda apegadaa valores políticos superficiais e inconsistentes. Além disto, verificamos queembora haja uma linha comum de desaprovação dos métodos e meios ilícitos usadosno meio público, as formas e intensidade das reações de indignação a estaspráticas são bem variadas. Alguns veículos de comunicação e organizações civisreagem energicamente, mas muitos outros se omitem ou são “econômicos” em suasmanifestações. Receio que isto, indevidamente, aconteça por questões dedependência financeira, ou pelo vínculo histórico-passional, ou pelos benefíciosgovernamentais conquistados ou infelizmente pela participação direta nosesquemas de fraude e corrupção.

Somente num esforço conjunto conseguiremos mudar estasituação. Por isto toda a sociedade civil, escolas, ONGs, associações, igrejas,deve proporcionar espaços para o desenvolvimento de uma educação civil epolítica. Não podemos tratar desta realidade como apêndice na vida comunitária,como algo a ser tolerado, mas dar-lhe a devida atenção e importância, edesenvolvê-la como um belo e desafiante elemento da existência humana.

Munidos da caridade e humildade de Cristo, devemosoportunamente, refletir, estudar e dialogar, crescendo assim, à luz de Deus,como povo maduro no exercício dos seus deveres e direitos políticos. Privar ounegar as pessoas à educação civil e política é contribuir diretamente paraperpetuação do atual e desordenado modelo sócio-político. A educação políticanão deve limitar-se a aquisição da informação fornecida pela mídia escrita oufalada, que tantas vezes é influenciada e distorcida. Devemos procurar nasinstituições sérias, como faculdades e associações, na Doutrina Social daIgreja, e em encontros políticos de “homens de boa-vontade”, subsídios paraesta jornada de amadurecimento político.

 

Eleições 2006

Estamos a poucas semanas das eleições, onde exerceremos odireito intransferível do voto. Podemos iniciar um novo tempo na política. É umtempo de esperança. Através do voto direto, nós escolheremos o nossopresidente, governador, senador e deputados federais e estaduais. É umaoportunidade real de renovar os quadros políticos.

Precisamos nos preparar para este momento social único, ondefaremos escolhas que podem definir os rumos da história de toda uma geração, detodo um continente. Os políticos eleitos serão nossos porta-vozes. Não sófalarão por nós, mas definirão e decidirão aspectos importantíssimos das nossasvidas. Eles receberão enormes poderes, e como diz a máxima: “Grandes poderes,grandes responsabilidades”. Serão eles que avaliarão e definirão, em nossonome, questões como aborto, eutanásia, família, clonagem, segurança públicaetc…

Esta eleição influenciará até o nosso futuro modelo dedemocracia, por isto uma avaliação criteriosa dos candidatos e suas propostas éimprescindível para o Brasil. “O atual processo de consolidação das democraciasda América Latina, apesar de todas as suas insuficiências, é um bem que requercuidado e proteção” (Guzmán Carriquiry, Uma aposta pela América Latina, pág236).

O voto cidadão não pode pautar-se por uma posturapassional-histórica. A avaliação dos atuais homens públicos e dos postulantes,e as escolhas políticas não podem caminhar no campo das emoções, ou gostospessoais como as preferências musicais ou a paixão futebolística. A simplessimpatia, ou antipatia, por determinado político ou partido não deve pautar asnossas escolhas. A nossa postura política deve ser coerente e consistente, masnão imutável ou intransigente. Mudar conceitos e práticas não é sinal defraqueza ou derrota, mas se feita com seriedade e clareza, manifesta a dinâmicaprópria do processo político e explicita a real motivação política que trazemosno coração.

“É preciso, contudo, estar atento para votar bem. Issosignifica selecionar os candidatos nos quais vamos votar. Isso significaconhecer o candidato, seu partido, sua vida pregressa, suas propostas degoverno, sua atuação, seu trabalho, sua competência, sua honestidade, suapersonalidade. Queremos um governo justo, honesto e competente. Um governo comvisão e preocupações não apenas imediatas e locais, que obviamente são necessárias,urgentes e imprescindíveis, mas também visão e plano de alcance maior nadireção do futuro”. “Queremos um governo que apóie os valores morais para ajuventude, leve a sério os valores familiares, defenda para todo ser humano odireito à vida, desde a concepção até a morte natural”. (Dom Cláudio Hummes,Diálogo com a cidade, págs 189-190).

Temos a inadiável missão de inaugurar uma nova culturapolítica, que contempla a universalização da educação moral, civil e política,passa pela democrática e madura participação nos pleitos, se fortalece naconstante e criteriosa avaliação dos mandatos político e se renova ao motivar eformar homens e mulheres para o exercício ético e competente do poder público.

Devemos discernir, com cuidado e profundidade, os candidatosque escolheremos.

Devemos ser instrumentos de formação para as pessoas que noscercam.

Devemos orar por um novo pentecostes também no mundo dapolítica.


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