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Consumir é uma necessidade; temosas coisas, dispomos de recursos para fazer uso deles, mas é possível usar deforma abusiva os recursos, ou depender deles de forma descontrolada, irracionale até patológica. O consumo pode sercompreendido de forma positiva e sadia. Assim, gastar, utilizar, empregar sãoformas consideradas positivas de consumir. Entretanto, a palavra consumir portaconsigo significados negativos, tais como dilapidar, gastar até o fim. No quediz respeito ao uso do dinheiro pode ser compreendido de forma positiva:aplicar dinheiro na compra de artigos de consumo e serviços, comprar, gastar.Tem também uma semântica pejorativa: comprar em demasia e freqüentemente semnecessidade.
O consumismo se tornou umamentalidade que alimenta e estimula a ótica da produção e do lucro na ênfasedada às necessidades, que mesmo sendo objetivamente inexistentes, passam a sercriadas, no caso das formas distorcidas de entender o consumo. O consumismo é apatologia da sociedade capitalista, se insere no desejo exasperado de possuir ede consumir. O desaparecimento das raízes morais faz do prazer o critériofundamental das suas escolhas. Como se sabe, os bens de consumo foram fabricadospara não ter grande durabilidade, exatamente para favorecer uma constante buscade compra, oferecida pela venda dos produtos, mantendo sempre viva as leis demercado feita pela procura e pela oferta.
A grande ênfase dada à auto-realização, tornou-se uma tendênciade tipo mais individualizada que descambou na sua caricatura deformante, asaber, a mentalidade individualista no cultivo do mito da realização pessoal.
A super valorização do consumo, certamente estimula a supervalorização da produção. O mercado gira em torno de oferecer bens e serviçosque venham ao encontro de todas as camadas sociais. Serve-se da propaganda,como a arte de criar necessidades. E, de modo cada vez mais ousado e invasor,os meios de comunicação de massa, especialmente a televisão, vão oferecendo umpadrão de realização e de felicidade que está rigorosamente atrelado à ótica daaquisição de bens materiais.
Até mesmo no âmbito religioso, ateologia da prosperidade a bênção sempre vem atrelada ao dar dinheiro (e quantomais dinheiro, mais bênção!) para que a bênção venha sob forma de bonsrendimentos financeiros. Mas, tal mentalidade, não poucas vezes vivida commuita ganância por parte de certos líderes religiosos vai bem na contra-mão dosensinamentos contidos nas páginas do Evangelho, com orientações claras: não sedeve viver uma inquietude exagerada com bens materiais pois o Pai cuida de seusfilhos , onde não se pode servir a Deus e ao dinheiro (podemos nos servir do dinheiro para servir aDeus e não o contrário) e “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” . Oídolo do ter também quer obter lucro usando Deus, no super-mercado dos bensreligiosos que tem mostrado sua impressionante rentabilidade!
As Características da pessoa consumista
Os variados e trágicosfechamentos da realidade humana a valores mais altos e definitivos promovem umamaneira de ver a realidade cheia de superficialismos onde as fugazesgratificações vão caminhando no passo de uma forte dependência dos bensmateriais. Mas estes não podem satisfazer a tanta fome e sede de possuir. E oindivíduo termina por sentir-se vazio e infeliz. Eis as características dapessoa consumista:
Um alguém fechado à solidariedade: a sociedade consumistacria pessoas entrincheiradas no mundo dos seus desejos e necessidades que seagigantam em proporções crescentes. O homem consumista é individualista:enxerga a si mesmo e vê todas as coisas sob o metro de seus própriosinteresses. Não sabe partilhar, vive acumulando coisas: ele é um alguém que nãoconstrói pontes, ele é uma ilha: o homem consumista é um solitário!
Um alguém fechado à gratuidade: nada é gratuito nos quesupervalorizam o consumo. Nunca se dá algo por nada, ou seja, vale a lei do«toma lá, dá cá». Nada se dá sem que haja uma garantia ou uma certeza deretorno. É verdade que uma pessoa aberta aos valores humanos e os cristãoschamados a viver o Evangelho não podem não ter interesse no lucro e por issofazem negócios, vendem e fazem investimento entrando também na ótica de umalícita e justa recompensa de seus negócios. Porém, no consumismo exacerbado nãohá medidas, o que vem a se tornar uma febre, uma compulsão em alguns casos porlucro, por vantagens, etc. E esta mentalidade vai direcionando a vida e oscritérios de valor destas pessoas.
É alguém teleguiado: isso mesmo! Existem especialistas quese debruçam em pesquisas para descobrir um ponto de equilíbrio entre o mínimonecessário e o máximo desejado.
No Brasil, 85% dos consumidorescostumam tomar a decisão diante do produto. Isso significa que o brasileiro temuma inclinação maior para gastar sem planejamento. Ir às compras é umaexperiência que na maioria dos casos está ligada ao prazer, à satisfaçãopessoal e à auto-estima. Por isso, os lojistas aproveitam essa propensão paracriar condições que tornam maior o prazer natural que todos possuem de fazercompras: o ar condicionado, a música ambiente agradável, a simpatia dosvendedores, aqueles preços terminados com 99 (uma verdadeira ilusão para umpaís onde não existem moedas de um centavo!), etc . Assim, o consumista vaientrando na ciranda do consumo, para favorecer a lógica do lucro, aonde osgritos da aparência vão tomando o lugar dos apelos do necessário suficiente. Oslimites parecem se diluir na sedução das propagandas, e a pessoa chega a umponto que não sabe o que quer, por não saber definir e distinguir o que énecessário do que é acessório. Despersonaliza-se pelo simples fato de serguiada, por quem quer lucrar.
O que fazer?
É preciso fazer algo para resolver o problema e ser feliz,ser livre. Por isso, seguem abaixo algumas pequenas dicas que podem até ser umaajuda para quem vive em função do que vê e da força aliciadora da propaganda.
Cuidados para evitar as tentações :
– Faça sempre uma lista do que vai comprar: não deixe que asaparências dos produtos ou a força da propaganda lhe digam o que deve ou nãocomprar;
– Diante do supérfluo conte até 10: faça uma verificaçãomais minuciosa sobre a importância e a necessidade do que vai comprar. Seperceber que é supérfluo, renuncie a aquisição. Isso vai deixar você mais livree dono de você mesmo. A sua razão e a sua vontade crescerão;
– Obrigue-se a pesquisar preços: você estará evitando gastosinúteis e que poderão comprometer o seu orçamento;
– Evite ir às comprar quando estiver deprimido, com raiva oucarente: nestas situações você poderá buscar compensações em comprar, adquirir.Lembre-se: as compensações não acontecem somente através dos prazeres da gulaou do sexo, mas também nos prazeres da posse. Compensação é escravidão, nãoesqueça!
– Não vá ao supermercado com fome: você pode sentir um vazioque poderá ser preenchido e conjugado com o verbo comprar;
-Faça planos que exijam poupança: aprenda a economizar, aser parcimonioso e criterioso nos seus gastos. O hábito de poupar pode ajudar,a fim de gastar de modo mais criterioso e tendo em vista as melhores coisas.Porém, lembre-se: se você é um cristão, não busque de acumular bens, mas fazerum bom uso dos bens!
-Nem sempre o mais caro é melhor: desmistifique. Mesmo quealgumas coisas baratas acabem saindo caro, não generalize e não vá atrás decoisa cara, mas de coisas funcionais e econômicas.
E você, é consumista?
Até a próxima!
Pe. Marcos Chagas
Comunidade de Aliança Shalom
