Neste mês, temos a alegria de celebrar, entre tantos santos, a grande Teresa de Ávila, fundadora de uma congregação religiosa, mística e doutora da Igreja. Essa abençoada nasceu em Ávila no dia 28 de março de 1515. Podemos dizer que Teresa tem 503 anos, por que continua viva na memória dos que se encantam com o seu testemunho e procuram imitar sua vida. Teresa é para os cristãos modelo de muitas coisas: perseverança nos sofrimentos, amor a Igreja, amor ao próximo, proatividade cristã, amor a Deus, intercessão, vida contemplativa, etc. etc.
Porém, queremos evidenciar aqui ainda que de modo breve e simples um aspecto essencial de sua vida, sua profunda experiência com Deus, que a conduziu pouco a pouco a uma profunda vida de contemplação e serviço à Igreja. Vamos evidenciar o aspecto contemplativo da vida da santa, porque acreditamos que é impossível uma autentica vida cristã, em todos os seus aspectos, sem uma diária e constante experiência de Deus por meio da intimidade com Ele.
Hoje, infelizmente mesmo em alguns setores da Igreja vemos pessoas que invertem as coisas, como se um autêntico discípulo fosse na verdade um grande militante das causas sociais e políticas, entram aí as brigas, o ativismo, como se o mundo pudesse ser mudado na força do braço, e Jesus fosse um servidor social e político que trabalha para os pobres e marginalizados, com manifestações na rua, etc., etc. Há aqueles ainda que veem o Senhor como uma pessoa aérea, quase desencarnada, um ser espiritual de outro mundo.
Todas essas afirmações possuem sem dúvida algum grau de razão, porque tudo que diz respeito ao homem, diz também respeito a Deus. Contudo, uma que talvez dê uma definição mais aproximada é a seguinte: Ser cristão é ser um outro Cristo. O que Cristo faria se tivesse no seu lugar como um servidor político? Um fazendeiro? Um empresário? Um trabalhador rural e assim por diante? Assim, eu devo fazer na minha vida e na função social que exerço. Os comportamentos, os costumes e as práticas surgirão dessa compreensão cristã da vida.
Contudo, o entendimento de sermos outros Cristos, dificilmente, será encarnado em nossa vida sem uma profunda, concreta e diária vida de contemplação. De vez em quando, aparecem testemunhos de pessoas que antes eram controladoras, mesquinhas e injustas e ao terem uma autêntica experiência de Deus se tornaram misericordiosas, servidoras e justas. Portanto, podemos afirmar, sem medo de sermos desencarnados e termos os demais apelidos que alguns ativistas cristãos criaram, que ser cristão é verdadeiramente ser contemplativo na ação. Que Deus nos ensine a transbordarmos nossas diárias experiências com ele no serviço e na doação aos outros, assim seja.
