Na caminhada da vida, vamos encontrando muitos obstáculos pela estrada. Alguns mais difíceis, outros mais fáceis. Em certos trechos, tudo fica mais estreito, a “buraqueira” parece aumentar e chegamos a duvidar que é possível se chegar ao outro lado. Existe aquela parte da pista tranquila, iluminada pelo sol, mas também a que está escura, em que só o farol que há dentro de você parece iluminar todo o resto.
Há trechos com ladeiras e árduas subidas. Mas depois do esforço da subida, contemplando a vista lá de cima, você reconhece que valeu a pena. Há também as descidas que dão frio na barriga. Mas, por vezes, é necessário descer, cair do cavalo até. Tirar o salto alto, se ver pobre, encarar a nudez da alma, sem medo. Também faz parte da estrada.
Tudo está retinho e tranquilo de novo, quando, de repente… ai meu Deus! Você se depara com uma curva sinuosa em que não se consegue ver o que está do outro lado. Será que vou? E depois de encarar a curva com um abismo do lado e outro do outro, finalmente você volta para a pista plana de novo. E respira fundo. Ufa! Passou! “Nem doeu tanto quanto eu imaginava!”, você diz depois.
Altos e baixos. Idas e vindas. Cruz e Ressurreição. Essa é a dinâmica da travessia humana, entre desertos sem cor e colinas verdinhas. Do êxodo à páscoa, do velho ao novo. Estamos sempre em movimento. E é bom que seja assim.
Talvez o maior equívoco da travessia humana seja, depois de encarar muitos desafios pelo caminho, achar que não se precisa de alguém. É a síndrome do all by myself. Vivemos na geração dos equívocos, na cultura do “cada um por si”.
Talvez o maior equívoco da travessia humana seja, depois de encarar muitos desafios pelo caminho, achar que não se precisa de alguém. É a síndrome do all by myself. Vivemos na geração dos equívocos, na cultura do “cada um por si”.
Sim, a individualidade é necessária. Mas o grande equívoco está em achar que você não vai precisar daquela mão amiga que lhe segura quando você vai saltar os buracos, daquele que até está trilhando outra estrada, mas, em alguns momentos, se compadece da sua travessia e se coloca à disposição para atravessar com você. O erro está em tornar o outro dispensável. Precisamos uns dos outros!
Estou falando daquela pessoa que tem um pouco mais de coragem de subir a ladeira primeiro e diz: “ei, nem é tão alto assim, vem”, confortando o seu medo e lhe dando um incentivo para que você vá também. Às vezes ela nem tem tanta coragem assim, mas se coloca à disposição porque sabe que você também precisa chegar lá. Estou falando daquele que aperta o cinto e encara a descida contigo. Que vai ao encontro dos teus abismos existenciais, porque sabe que ali, ainda há esperança. Encara contigo a nudez das tuas misérias, dispensa as máscaras e a alegoria dos desfiles da sociedade.
Aquele que te mostra a luz e não te deixa padecer no escuro.
Em meio à ânsia de chegar ao que se almeja, muitas vezes vamos nos esquecendo que para alcançarmos os objetivos divinos, precisamos de mãos humanas que nos levem até eles. Com Jesus foi assim. As mãos de uma mulher lhe deram colo nos seus primeiros momentos de vida. Segurando nas mãos de seus pais, deu os primeiros passos. Passos que um dia, foram essenciais para a Sua ida até o calvário. Para abraçar a Cruz, Ele precisou primeiro, abraçar os seus.
Cristo quis sentar à mesa, partir o pão e dividir. Dividiu os alimentos, para mostrar que na travessia, devemos compartilhar a vida. “O verdadeiro Amor é amar e deixar-me amar”, diz Papa Francisco.
Se você, na travessia da sua vida, ainda não encontrou alguém que esteja disposto a entrar contigo no barquinho quando a maré está alta, não se desespere. Este alguém pode estar bem próximo de você, pode morar na sua casa. Pode estar no seu trabalho, ou na sua comunidade. Talvez esteja à sua procura, porque a travessia dele também não está tão fácil. “A amizade é o Amor que escolhe”, já dizia um Padre cheio de sabedoria. Olhe ao seu redor, olhe para fora. Quebre os espelhos que te fazem olhar só pra você.
Em meio a tantos que passam, existem aqueles que desejam permanecer. Entrar em seu caminho. Nessa travessia, meu amigo, apenas tenha uma certeza… você não está sozinho.

Verdadeiramente não estamos sós, o Senhor sempre nos envia amigos de fé para resplandecer a sua Face. Excelente texto!