Formação

Coração de Maria, segundo Bento XVI

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Queridos irmãos e irmãs!

Com alegria me uno a vós ao término desta vigília mariana, sempre sugestiva, com a qual se conclui no Vaticano o mês de maio na festa litúrgica da Visitação da Santíssima Virgem Maria. Saúdo com afeto fraterno os cardeais e bispos presentes, e dou graças ao arcipreste da Basílica, Dom Angelo Comastri, que presidiu a celebração. Saúdo os sacerdotes, as religiosas e religiosos, em particular à monjas do Mosteiro Mater Ecclesiae do Vaticano; igualmente, as muitas famílias que participam neste rito. Meditando os Mistérios Luminosos do Santo Terço, haveis subido a esta colina onde haveis revivido espiritualmente, no relato do evangelista Lucas, a experiência de Maria, que desde Nazaré da Galiléia «pôs-se a caminho para a montanha» (Lc 1, 39) para chegar a uma aldeia de Judá onde vivia Isabel com seu marido Zacarias.

O que impulsionou Maria, uma jovem, a enfrentar aquela viagem? O que, sobretudo, a impulsionou a esquecer de si mesma para passar os primeiros três meses de sua gravidez ao serviço de sua prima, que precisava de ajuda? A resposta está escrita em um Salmo: «Corro pelo caminho de teus mandamentos, [Senhor], pois tu dilatas meu coração» (Sal 118, 32). O Espírito Santo, que fez presente o Filho de Deus na carne de Maria, dilatou seu coração às dimensões do de Deus e a impulsionou pela via da caridade. A Visitação de Maria se compreende à luz do acontecimento que lhe precede imediatamente no relato do Evangelho de Lucas: o anúncio do Anjo e a concepção de Jesus por obra do Espírito Santo. O Espírito Santo desceu sobre a Virgem, o poder do Altíssimo a cobriu com sua sombra (v. Lc 1, 35). Aquele mesmo Espírito a impulsionou a «levantar-se» e a partir sem demora (v. Lc 1, 39), para ser de ajuda à sua anciã parente. Jesus apenas começou a formar-se no seio de Maria, mas seu Espírito já encheu seu coração, de forma que a Mãe já começa a seguir o Filho divino: no caminho que da Galiléia conduz a Judá, é o próprio Jesus quem «impulsiona» Maria, infundindo-lhe o ímpeto generoso de sair ao encontro do próximo que tem necessidade, o valor de não priorizar as próprias e legítimas exigências, dificuldades, perigos para sua própria vida. É Jesus quem a ajuda a superar tudo, deixando-se guiar pela fé que atua pela caridade (v. Ga 5, 6).

Meditando este mistério, vemos bem o que significa que a caridade cristã seja uma virtude «teologal». Vemos que o coração de Maria é visitado pela graça do Pai, é penetrado pela força do Espírito e impulsionado interiormente pelo Filho; isto é, vemos um coração humano perfeitamente introduzido no dinamismo da Santíssima Trindade. Este movimento é a caridade, que em Maria é perfeita e se converte em modelo da caridade da Igreja, como manifestação do amor trinitário (Encíclica Deus caritas est, 19). Todo gesto de amor genuíno, também o menor, contém em si um traço do mistério infinito de Deus: o olhar de atenção ao irmão, fazer-se próximo dele, compartilhar sua necessidade, atender suas feridas, a responsabilidade por seu futuro, tudo, até nos mais mínimos detalhes, torna-se «teologal» quando está animado pelo Espírito de Cristo. Que Maria nos obtenha o dom de saber amar como Ela soube amar. A Maria confiamos esta singular porção da Igreja que vive e trabalha no Vaticano; confiamos-lhe a Cúria Romana e as instituições a ela ligadas, para que o Espírito de Cristo anime todo dever e todo serviço. Mas desde esta colina ampliamos o olhar a Roma e ao mundo inteiro, e oramos por todos os cristãos, para que possam dizer com São Paulo: «o amor de Cristo nos insta», e com a ajuda de Maria saibam difundir no mundo o dinamismo da caridade.

Agradeço-vos novamente pela devota e calorosa participação. Levai minha saudação aos enfermos, aos anciãos e a cada um de vossos entes queridos. A todos envio de coração minha Bênção Apostólica.


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