A solidão, a escuridão e o ensurdecedor silêncio tomam espaço no meu quarto, mas quem dera não invadisse também todo meu ser transformando meu coração num deserto escuro e frio. Coloco-me a pensar, desesperado, quando virá a luz, o sol para aquecer e quando terminará o percurso neste deserto. Não passou muito tempo e me vi clamando interiormente: Vem, ó Sol, dissipar minhas trevas! Eu ansiava, esperava o advento daquela luz.
Em poucos instantes, minha mente viajou pelos meus sentimentos de quem já está há quase dois anos na pandemia do Covid-19 e comecei a ver o quanto a humanidade tem sofrido. Foi aí que eu percebi que fomos lançados num complexo advento. Mas qual advento a minha alma está vivendo? Por mais que tenhamos sido jogados na expectativa pelo advento do fim da pandemia, o que no mais fundo do nosso ser queremos e esperamos é a “loucura” de Deus que, de tanto amar, desceu para salvar uma humanidade que não só está ameaçada por um vírus que tira a vida humana, mas pelo pecado que leva a alma para a morte eterna.
Depois do sofrimento daquela noite escura, amanheceu e chegou o Sol que dissipou as trevas e queimou o meu coração e com as chamas veio purificar a imundice do meu pecado. Me fez assim compreender que mesmo que o advento da vacina demore, o Sol da Vida e do Amor virá com fiel certeza na sua vinda definitiva e vem também para fazer do meu coração lugar digno de habitação em Sua Pobreza.
Oh, vem, Sol da Justiça!
Matheus Araújo
