Vocês sabem que Pedro e Paulo nem sempre foram amigos. Mas aqui eles são os melhores e passam muito tempo lembrando dos bons momentos de suas vidas na terra. Eu gosto muito de vê-los conversar, existe uma verdade em cada detalhe capaz de emocionar qualquer um.
Quando me aproximei, eles estavam discutindo quem teria sido o que mais decepcionara Jesus em suas ações e decisões tão impulsivas. Era Paulo quem falava no momento em que cheguei:
— Eu sou o mais infiel Pedro, com toda a certeza da eternidade… matei tantos discípulos em nome da minha fé. Cego, persegui o corpo de Cristo como se fosse meu algoz. Quando, na verdade, eu que era meu próprio inimigo.
Pedro estava escutando muito sereno e respondeu:
— Mas Paulo, você não O conhecia. Eu sim. O Mestre lavou os meus pés e eu O neguei por covardia. Três vezes, na última Ele olhou para mim. Não me acusou, pelo contrário, eu só senti amor no olhar Dele. E isso doeu mais, doeu tanto que eu só queria fugir… foi a noite mais longa da minha vida.
Desde que Pedro chegou aqui conversamos muito, e ele nunca havia contado sobre aquela noite com o olhar tão profundo. Ele continuou:
— Depois da ceia em que o Mestre nos deu a Eucaristia, eu tinha a certeza de que faria tudo para que Sua voz fosse escutada e que Seus ensinamentos chegassem aos quatro cantos do mundo. Quando Ele me disse que eu O negaria não uma, mas três vezes, pensei que fosse uma expressão, não imaginaria nunca que aquelas palavras sairiam da minha boca, que outras pessoas escutariam… foi humilhante.
Paulo colocou a mão no ombro do amigo e com olhar de misericórdia disse:
— Então Pedro, foi tudo isso que deixou sua decisão mais forte. Finalmente você entendeu que Jesus tinha um plano muito maior. E você foi o nosso guia quando o Mestre voltou para o Pai. Não sei se a Igreja teria sobrevivido às minhas ações se não fosse a sua condução caridosa. O seu desejo de amar a todos em nome de Cristo a qualquer custo me convenceu a permanecer, mesmo com as exigências.
Paulo olhou para mim, e pareceu que queria minha opinião sobre aquilo que estavam conversando. Fiquei em silêncio por um minuto e falei:
— É verdade, Pedro. E Paulo esperou com muito entusiasmo a sua chegada aqui. — foi tudo o que eu disse.
Pedro sorriu e parou de falar por um instante…
(continua…)
Por Maria Angélica
