A Mãe continuava a contar. Aqui o tempo não passa mesmo, mas ouso dizer que passaria a eternidade escutando esta história:
– Mas ainda assim, estavam todos com muito medo dos judeus. Eles não sabiam, e talvez nem acreditassem na ressurreição do Mestre. Permaneciam fechadas as portas e as janelas. Os meninos se revezavam para sair e conseguir alimentos para nossas refeições. Tomé não estava conosco. Ele costumava se isolar durante o sofrimento. É claro que não acreditou em nada do que haviam dito sobre a visita de Yeshua naquele domingo.
Percebi que alguns estavam olhando para Tomé. Ele já nos contou esta história também, de como ele sofreu com a escuridão da espera, do medo, dos questionamentos… ele nos dizia que pensava demais. Ela seguia contando:
– Yeshua estavam conosco! Que alegria era ver meu Filho vitorioso, ressuscitado em nosso meio! A felicidade que sentia não cabia em mim, sorria como uma criança quando ganha um presente esperado por tanto tempo. Ao mesmo tempo em que O via vivo, contemplava o Céu que Ele inaugurou para nós. E como ele estava belo! Tão lindo é o meu Filho!
A Mãe não parava de sorrir, todos estávamos sorrindo com Ela. Todos, cada um da maneira que lhe cabia, viveu tudo o que ela nos dizia. É impossível não relacionar a própria história com a que ela contava. É a história de todos nós.
– “Shalom!”, foi a primeira coisa que Ele disse, “Shalom!”. A saudação mais bela que escutei desde a de Gabriel. “Shalom, meu Filho!”, respondi. Os meninos ficaram mudos, provavelmente não tinham ideia de como Ele viria até nós. Estavam perplexos. – ela sorriu – Estupefatos! Yeshua precisou saudá-los mais uma vez. Então reagiram, e aí sim, expressaram a alegria que estava contida desde que encontraram o túmulo vazio. Ele estendeu a mão para que O tocassem. E como todos eram muito curiosos, tocaram suas chagas gloriosas que nos salvaram. Festejamos muito naquela noite. Ele comeu conosco. Se alguém escutou algo, provavelmente questionou a nossa maneira de viver o luto. Mas o que não poderiam saber era que não estávamos sofrendo, estávamos felizes porque havíamos, literalmente, experimentado o Céu naquele jantar.
Continua…
Por Maria Angélica
