Entre 2016 e 2017, eu vivia sem limites. Muitas festas, bebida em excesso, drogas, ambientes perigosos. Mesmo namorando, me envolvia com outras mulheres. Traía, mentia, me escondia. Todos ao meu redor sabiam. Eu estava me destruindo por dentro e por fora.
Vieram os carnavais, os blocos, as madrugadas sem fim. Acordava em casas que não conhecia, passava dias longe da minha casa, gastava o que não tinha, estourava limites de cartões. Quando percebi, estava com uma dívida imensa, pagando com o salário uma conta que nunca fechava. Tudo por uma alegria momentânea que sempre terminava em nada.
No fim de 2017, vivi o fundo do poço. Em um bloco de carnaval, fui encontrado de madrugada, largado na calçada, completamente bêbado e sujo. Me levaram pra casa de um amigo. Acordei um trapo e fui embora sem dizer nada.
Por dentro, eu já não queria mais viver. Sentia-me sujo, sem valor, um peso para todo mundo. Na semana do Renascer, enquanto minha família viajava e eu ficava sozinho em casa, decidi que seria o meu fim.
Peguei alguns comprimidos na cozinha. Na parede havia uma imagem da Santa Ceia. Olhei para ela e algo queimou no meu coração. Como se uma voz silenciosa dissesse: “Atende o telefone antes.”
O telefone tocou.
Era um número desconhecido. Um homem se apresentou como Francisco, o Chicão, missionário da Comunidade Shalom. Disse que não ligava por conta própria, mas porque Deus mandava-me dizer algo: que eu tinha sete motivos para abrir a mão, desistir do que estava prestes a fazer, respirar… e depois retornar a ligação.
Ele desligou. Mas o meu coração se abriu.
Eu caí de joelhos. Abri a mão esquerda. Lá estavam os sete comprimidos. Comecei a chorar. Naquele momento, eu soube: Deus estava me alcançando. Minha vida não estava perdida e eu só estava no caminho errado.
Liguei de volta. Ele me convidou para o Renascer.
No domingo de carnaval, mudei todos os meus planos e fui. E no Renascer, encontrei um Deus que me conhecia por inteiro. Ouvi palavras que tocavam feridas escondidas que ninguém sabia. Era o renascer que eu precisava.
Depois do Renascer, comecei a caminhar no grupo de oração, mesmo lutando contra a vontade de voltar atrás. Tive pastores (coordenadores dos grupos) que não desistiram de mim. Teve dia em que minha pastora foi me buscar em casa para que eu não desistisse.
Ali começou uma nova história.
Entrei na comunidade, conheci no grupo de oração a mulher da minha vida, que hoje é minha esposa, e juntos temos um filho.
Esse é o meu testemunho. Um testemunho de queda, de vergonha, de fundo do poço, mas, sobretudo, de um Deus que liga quando ninguém mais liga. De um Deus que me ama e que, desde aquela sexta-feira de carnaval, me faz Renascer todos os dias!
Abdias Viana
Missionário da Comunidade de Aliança Shalom
