São João Paulo II era um grande entusiasta da amizade com grandes santas, temos na lista Faustina, Madre Teresa de Calcutá e a pequenina Dulce dos Pobres. Em 1980, o então pontífice esteve em Salvador para visitar sua amiga e a encorajou dizendo “Continue, Irmã Dulce, continue!” e a irmã respondeu dizendo que rezava pela visita missionária dele. Sem querer, pela comunhão dos santos, Dulce rezava pelo Shalom que iria nascer alguns dias depois, quando Moysés também encontrou com o Santo Padre em Fortaleza e ofertou sua vida inteira, a minha e possivelmente a sua, aos pés do sucessor de Pedro.
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Dulce é dona de uma amizade que acompanha a trajetória dos amigos. Aqueles pobres que ela acompanhou até o fim, aqueles jovens que ela amou e trouxe para perto, as famílias que se juntavam a ela para transbordar amor aos pobres… Dulce era próxima dos amigos que tinha na terra. No céu não poderia ser diferente.
Dulce em minha vida
Talvez você tenha aquele amigo que você não se lembra como conheceu, mas ele está aí na sua vida. Comigo e Dulce foi assim, eu ouvi falar na infância e depois só me lembro dela caminhando comigo, na medalhinha que eu carrego no TAU e da devoção que sempre apresento aos amigos não-baianos. Mas lembro-me de que em uma dessas visitas de amigos de fora, quando eu morava em Salvador, precisei levar uma amiga pra conhecer o santuário. Naquele dia ganhei uma relíquia da então beata, descobri coisas sobre ela que me deixaram mais impressionada do que a grandeza do hospital e das obras sociais.
Descobri que Dulce era amiga dos pobres e doentes, porque antes era amiga de Deus, o amava profundamente e se deixava amar por ele. Após essa visita, fui inúmeras vezes ao santuário rezar e pedir a intercessão dela pela minha amizade com Deus e pela minha vida vocacional. Cada vez que eu vou, descubro uma novidade, um detalhe da vida de minha amiga que passou despercebido aos meus olhos. Aos poucos notei que ela era musicista e descansava sua mente tocando piano ou acordeom e cantava e tocava para os seus doentes, para as irmãs e para os amigos, depois dela, descobri a devoção a Santo Antônio como um grande intercessor nas dificuldades do dia a dia.
O amigo sempre retorna à casa
Eu sempre volto lá. Há alguns anos, descobri e comecei a lutar com um transtorno de ansiedade aeneralizada e em um determinado dia estava me sentindo muito perdida, fui ao santuário e só chorei ao lado da minha amiga, pedi sua intercessão pra que eu soubesse suportar. Naquele dia, ela esteve comigo, eu sei que esteve, como nas crises fortes em que eu tinha a relíquia dela debaixo do travesseiro. Ela estava comigo quando recebi uma imagem dela de presente em um momento delicado ou apenas ao tocar a medalhinha que está sempre comigo.
A história de hoje não é uma jornada do herói com grandes reviravoltas, eu continuo lutando, ela continua intercedendo, fazendo eco à voz de São João Paulo II que lhe incentivou continuar. Ela me diz “Continue, Elenita, continue!” e eu sempre volto aonde estão depositadas as suas relíquias para agradecer tão feliz descoberta de uma amizade celeste, que intercede por mim nos dias bons e nos dias difíceis, mas que faz questão de permanecer, pois é dos santos não desistir daqueles que amam. Assim, aprendi com ela também a não desistir dos que eu amo, mas principalmente a não desistir daqueles a quem o Amado tanto ama, os jovens, os pobres, aqueles que tem fome e sede de carinho e cuidado.
Como baiana, ter Dulce saído de nosso meio aos altares é um grande sinal de que Deus quer, no ordinário de nossa vida, gerar uma Bahia de todos os santos, fazendo-nos santos todos. Somos potência em cultura, arte, lazer, festas, mas somos uma grande potência de santidade, desejo por Deus e amor esponsal. Que Santa Dulce nos ensine a amar Jesus a ponto de ofertar toda a nossa vida em vista de fazê-lo feliz, como ela o fez.
Santa Dulce dos Pobres, Rogai por nós!
Santo Antônio, Rogai por nós!
Nossa Senhora da Conceição, Rogai por nós!
Shalom!
Elenita Oliveira, CCSh
