Formação

De etapa em etapa, até a última!

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Dom Redovino Rizzardo

Muitasvezes me perguntei o que eu faria e como reagiria se o meu médico deconfiança, no final de uma consulta, me fixasse nos olhos e dissessecalmamente: «Preciso informá-lo que um câncer tomou conta de seus pulmões e nada mais há a fazer!»


Normalmente,somos todos especialistas em dar conselhos, às vezes até com certo arde arrogância… se quem jaz num leito de dor ou numa cadeira de rodassão os outros! Quando, porém, chega a nossa vez de não descortinarnenhum sinal de alívio e esperança, tudo muda e desmorona! O mínimo quefazemos é chorar e gritar: «Que crime cometi para merecer esse castigo? Onde está Deus? O que vou fazer agora com a minha vida?».


Quemé jovem, sem nenhum problema de saúde, talvez não consiga entender oque se passa na mente e no coração de alguém que descobre que… o tremchegou na última estação! Uma pálida idéia do que então pode acontecerrevelam-no as palavras do rei Ezequias, ao saber, através do profetaIsaías, que a morte o estava espreitando, atrás da porta: «Eupensei comigo mesmo: é necessário que eu me vá no apogeu de minha vidae de meus dias; para a mansão triste dos mortos descerei, sem viver oque me resta dos meus anos. Não mais verei o Senhor Deus na terra dosvivos; nunca mais verei um ser humano neste mundo!» (Is 38,10-11).


Sóquem teve a graça de escapar da morte e recuperar a saúde podecompreender a imensa alegria e gratidão de Ezequias ao ser atendido porDeus: «Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Vou aumentar em quinze anos a duração de tua vida!» (Is 38, 5).


Naverdade, para quem recebeu o dom da fé e olha para a saúde como um doma ser colocado a serviço dos irmãos, a vida e a morte se completam eequivalem, como aconteceu com São Paulo: «Para mim, viver é Cristoe morrer é lucro. Mas, se continuar vivendo, poderei ainda fazer algoútil. Por isso, não sei o que escolher. As duas coisas me atraem: meudesejo é morrer para estar com Cristo, e isso é muito melhor; mas, paravós, é mais importante que eu continue a viver» (Fl 1,21-24).


Graçasa Deus, também em nossos dias não faltam imitadores de São Paulo. Emoutubro de 2006, o cardeal Paulo Shan Kuo-hsi, bispo emérito deKaohsiung, em Taiwan, descobriu que estava com câncer nos pulmões.Apesar de seus 83 anos, não se sentou para aguardar a morte. Pelocontrário, passou a se dedicar com mais intensidade a seus fiéis, comose a sua vida estivesse começando naquele instante. Iniciou uma viagem– que denominou “despedida de minha vida” –, visitando váriascidades de Taiwan, para se encontrar com os doentes que, como ele,pareciam destinados a não ter mais perspectivas.


Costumava repetir: «Trato o câncer como o meu “pequeno anjo”. Ele me leva para onde quer que haja doentes que enfrentam os desafios da vida». Ao completar 85 anos, no dia 3 de dezembro de 2007, Shan Kuo-hsi se disse «muito feliz por ser testemunha do Evangelho nesta última etapa de minha vida».


Durantea homilia da celebração que assinalou a data, narrou que, poucos diasantes, havia estado num centro de dependentes químicos, em Taitung. Aostrezentos internos que lá encontrou, confidenciou: «O câncer me revelou que estou na última etapa de minha vida e me impulsiona a dar o melhor de mim à sociedade».


Nãose tenha, porém, a ilusão de que o cardeal aceitara a perspectiva deuma morte iminente com estoicismo ou masoquismo. Como é normal nestescasos, ele também se sentiu desarmado e confuso: «No começo,perguntei a Deus: Por que eu? Quando me acalmei, reconheci a vontade deDeus, que me levava a partilhar com outros a minha experiência pessoal.Por isso, agora, ao invés de perguntar “por que eu?”, repito: “Por quenão eu?”. Não é por ser cardeal que pretendo o privilégio de gozarsempre de saúde!»


Quemo ajudou a se manter nesse profundo clima de espiritualidade, foi oexemplo heróico de João Paulo II, que o elevara ao cardinalato. Ocâncer que lhe fazia companhia, também colaborou para intensificar suaunidade com um Papa que, por entre os sofrimentos mais atrozes,manteve-se numa atitude de doação total a todos, até o fim.


Semdúvida, também o cardeal Shan Kuo-hsi podia – e pode, porque continuaainda caminhando conosco nesta terra –, repetir as palavras com queJoão Paulo II descrevia como iniciava a última e mais importante etapade sua vida: «Quero manifestar-lhes os sentimentos que me animamneste derradeiro período de minha vida. Apesar das limitações impostaspela idade, conservo o gosto pela vida. Agradeço ao Senhor. É bonitopoder gastar-se até ao fim pela causa do Reino de Deus! Sinto umagrande paz quando penso no momento em que Deus me chamar: de vida emvida! Por isso, tenho freqüentemente nos lábios, sem qualquersentimento de tristeza, uma oração que o sacerdote reza após acelebração eucarística: Na hora de minha morte, chamai-me e mandai-meir para vós!».


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