Institucional

De São Paulo a Mossoró: Uma experiência missionária

Estou cada vez mais convencida de que a felicidade plena está no esquecer-se de si e na coragem de dar-se. 

Talvez seja esse o aprendizado mais importante dessa jornada em busca de autoconhecimento e intimidade com Deus, ao lançar-me numa experiência missionária, durante as férias, na Comunidade Católica Shalom em Mossoró-RN.

Morei com pessoas que deixaram tudo por um propósito: fazer a Vontade de Deus. Tem aquela moça linda que finalizou até o doutorado e trocou a bolsa nos Estados Unidos pela vocação missionária. Tem aquela outra que saiu de casa muito jovem, não chegou a conhecer o mundo, mas ofertou o bem mais valioso que tinha: sua família. É como naquele Evangelho que diz que quando alguém encontra um tesouro, vende tudo que tem e o compra. Conheci também os outros 20, tão diferentes, tão iguais, e tão amáveis. Eles encontraram o tesouro e, através deles, encontrei também. É, a vivência comunitária foi o que verdadeiramente rasgou meu coração.

Cada um desses missionários quer crescer em humanidade – o que os torna autenticamente bem humanos. Essa busca diária por tentar ser alguém melhor, para Deus e para os homens, bem como as formações diversas que privilegiam o autoconhecimento, os livros de santos, as orações profundas e muito trabalho, sim, muito trabalho, gera as mudanças de posturas e comportamentos. Falo de liberdade de escolha de atitudes: Não vi impulso agressivo ou competitividade, nem desejo de ser beneficiado em algo. No lugar disso, encontrei mansidão, humildade, tolerância, caridade. Até um querer “prejudicar-se”. Dar ao outro o pouco que se tem.

Tenho para mim que, mesmo em situações nas quais poderiam existir conflitos, o que garante a paz absoluta talvez não seja exatamente o olhar para o outro com misericórdia, mas, antes, olhar para si mesmo e aprender a gerir sua própria humanidade difícil.  Isso quer dizer que até posso me sentir contrariada, mas, ao escolher não me perturbar, eu me torno mais dona de mim a cada dia. Afinal, a guerra mais difícil de vencer é essa: Controlar a vontade própria, que está sempre ali querendo se impor. Dar de si mesmo. E assim batalham os santos!

A renúncia dispõe as almas para o amor. E fui percebendo que nem sempre Deus nos pede para deixar família, cidade, país, riquezas ou planos. Às vezes, o que Deus quer é “só” nosso temperamento mesmo. Às vezes, o grande sacrifício não é partir, é deixar-se. Deixar-se ser transformado. Pelo Espírito Santo, que é quem nos capacita e nos conduz ao Perfeito Amor, é Aquele que nos ensina a amar a Deus e a todos a quem Deus ama.

Na missão Mossoró, estive envolvida em ações sociais como eu desejava, visitei doentes, idosos, trabalhei pela promoção humana e pela experiência de oração dos jovens, mas foi a vivência na casa comunitária que fez de mim cada dia mais dócil, afetuosa e ofertada. Foi onde descobri, em mim, a potencialidade de amar a humanidade inteira – com amor divino. Foi como encontrar na alma todas as dimensões desse mesmo Carisma, sendo aquela que vai e também a que fica.  Até me tornar essa mulher que aprendeu a se deixar ser amada por Deus, todos os dias, para transbordar a quem Ele mesmo me enviar.

Marília Saveri (São Paulo).


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