Hoje, na minha oração pessoal, fiz memória da Sexta-feira Santa. Lembrei com gratidão da grande graça que vivi ao passar aquele Tríduo na Diaconia Geral, no coração do carisma, durante o retiro de Semana Santa. Foram 24 horas de viagem, mais de 1000 km percorridos… Tudo por Providência. A passagem chegou como um presente do Céu — sem custo algum. Para o mundo, parece loucura. Mas para mim… era promessa se cumprindo!
Lembrava do hino das Laudes, onde cantamos: “Quis o Cordeiro Imolado banhar-te em sangue fecundo…” E enquanto rezava, escrevi estas palavras que brotaram como eco do que vivi e continuo vivendo:
Nas Tuas chagas, meu Esposo, encontrei a morada onde a alma repousa sem temor. Cada ferida Tua me atrai como um sacramento escondido, onde o mundo vê dor, mas o espírito reconhece um convite: “Vem, entra no mistério do Meu Amor.” Teus cravos são mais doces que o mel, pois neles se firmou a aliança eterna. Não há véu entre nós quando contemplo Teu Corpo ferido — há apenas desejo, fome, entrega. Fui seduzido pelas Tuas dores, e agora, nelas, me deixo consumir.
Teus olhos, cobertos pelo sangue que escorre da fronte coroada, me olham com a ternura de um Deus apaixonado. No Teu silêncio, gritas meu nome. E quando me calo diante de Ti, ouço o chamado escondido no lado aberto:
“Vem, faz-Te Meu.” Tua Cruz tornou-se o leito nupcial onde Te entregaste por inteiro.
Ali, desposaste minha miséria com Tua misericórdia, minha nudez com Teu manto. Teus pés cravados abriram o caminho estreito, e Teu sangue desenha a trilha por onde sigo, cego de amor. Teus ombros, marcados pelo peso da lenha, sustentam também o peso dos que escolhem Te seguir até o fim. Não há beleza que se compare à Tua carne ferida; não há perfume que se iguale ao odor da Tua oblação.
És o Esposo que não poupou a si mesmo, e eu, o noivo que aprendeu a amar nas profundezas da Tua Paixão. Agora, já não vivo. Teu sou, inteiramente Teu. Habito Teu lado trespassado como quem encontrou o lar definitivo. Entre as bordas abertas da lança, floresceu meu amor por Ti. Já não busco mais sinais, pois tenho as Tuas chagas. Já não anseio por palavras, pois Teu corpo fala o que a alma sempre esperou ouvir:
“És Meu.”
E nesta verdade — forte como a morte — repouso para sempre.
Compartilho esse escrito como testemunho de uma obra que Deus tem feito em minha vida, de e entrega e rendição. Desde aquela experiência na sede da Comunidade, tenho vivido um tempo novo. Quantas graças de lá pra cá. Quantos milagres. Sou vocacionado da Comunidade Católica Shalom, Difusão de Serrinha/BA, e tenho pedido a Deus a graça de me unir cada vez mais a Ele, para que a minha vontade e a d’Ele sejam uma só.

Seja louvado, Senhor, por Tua Cruz fecunda e por esse movimento com qual Tu nos insere, derramando sobre nós graças e graças fecundas!
Jorge Luis Lopes de Santana
Shalom Serrinha/Ba



