Quem não gosta de samba, pode ser bom sujeito também,
mas no dia dos 100 anos, isolado do mundo, vai comemorar com ninguém.
O samba faz 100 anos de história,
e quem não deixou o samba morrer,
guardou-o na memória,
também merece os parabéns.
Mas o que faz o samba num site como esse,
em um texto como o meu,
já que na minha casa não tem bamba, nem se samba e ninguém bebeu?
O que faz o samba nesse lugar é atestar,
ao moldes do Santo de Hipona – rezando duas vezes ao cantar –
que um bom samba pode ser uma forma de orar.
Há algo de verdadeiro no samba, na sua forma de falar.
São tantas confissões de vida e situações humanas nas letras de sambar.
De fato, o mundo é um moinho, mas os sonhos tão mesquinhos,
com o auxílio da Graça, não podem nos derrubar.
Fazer samba não é contar piada, tem que ser sincero.
E se pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza,
lágrimas e choro, então, eu espero.
Mas se, ainda que triste, a vida tem sempre uma alvorada,
que beleza! Ninguém chora, não há tristeza, que o samba traga então uma risada,
pois será a sorrir que se pretende levar a vida,
e mais nada.
O samba deve confessar a existência do Amor, da Verdade, da Paz.
Não sou eu quem me navega, e nem é o mar quem o faz.
O que o samba de coração deve, então, proclamar,
é que o leme da minha vida – e tudo o que ele traz – Deus é quem faz governar.
Sei que um dia, meus olhos ainda irão de ver,
o samba luzindo de Amor, de Salvação, de Redenção e tudo o mais,
o não chorar, e o não sofrer se alastrando, no céu da vida,
o amor brilhando, a paz reinando em Santa Paz.
Para os seus 100 anos, desejo ao samba refletir
as tristezas e alegrias cantadas até aqui,
e quem sabe olhando tudo, acima dos moinhos deste mundo,
quando os bambas perguntarem De que lado você samba?,
possam conhecer o Criador dos dons do samba,
e compor, de coração profundo,
apoteoses sobre Aquele que os ama,
na cadência… bonita… do samba!
