Formação

Desenvolvimento e Vida

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo

ACarta Encíclica “Caridade na Verdade” (“Caritas in Veritate”), aterceira do Pontificado do Papa Bento XVI, promulgada em 29 de junho de2009, festa dos apóstolos Pedro e Paulo, tem provocado uma recepçãoqualificada nos ambientes científicos, políticos, sociais e eclesiais.Esta receptividade revela a pertinência da temática do desenvolvimentocuja compreensão afeta de modo determinante a vida. A defesa e promoçãoda vida dependem muito da compreensão e da atuação consequente acercado que se entende por desenvolvimento, que não pode ser tidosimplesmente como progresso e aquisições materiais.

Ora,as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordemmaterial. Suas razões se encontram em outras dimensões do homem. Deixarde considerar os deveres da solidariedade pode provocar desmedidosprejuízos para a vida, reduzindo o desenvolvimento a dimensões muitoestreitas no seu entendimento. Não é mais possível admitir teses sobredesenvolvimento sem uma decisiva procura de um humanismo novo quepermita ao homem moderno o encontro de si mesmo. Na verdade, noentendimento sobre desenvolvimento no cenário contemporâneo, com asmaravilhas dos avanços tecnológicos e com o poder do dinheiro, é umrisco suicida não eleger a fraternidade entre os homens e entre ospovos como lição sempre primeira destes processos e de seusdesdobramentos.

Podeparecer muito distante o lugar da fraternidade e aquele da lógica dodinheiro e das conquistas científico-tecnológicas. Esta distância éresponsável pelo comprometimento da qualidade de vida e provoca ocrescimento da exclusão, jogando povos, culturas e nações num desumanoostracismo.

Asociedade globalizada, diz o Papa Bento XVI, torna nações, homens emulheres mais próximos. No entanto não os faz mais irmãos. Afirmaainda, “a razão por si só é capaz de ver a igualdade entre os homens eestabelecer uma convivência cívica entre eles, mas não consegue fundara fraternidade. Esta tem origem numa vocação transcendente de Deus Paique nos amou primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que é acaridade fraterna”. Está em jogo não simplesmente o que está inscritonas coisas, nos acontecimentos e nos problemas. Está em questão, em sepensando o desenvolvimento, o desafio da realização de uma autênticafraternidade. A fundação desta fraternidade é relevante para o futuroda humanidade e é forte a exigência de uma disponibilidade grande detodos na compreensão e mobilização em torno da questão e dasdesafiadoras tarefas de dar aos processos econômicos e sociais metasmais plenamente humanas.

Nestehorizonte, o Papa Bento XVI trata, no capítulo V da Carta Encíclica,“Caridade na Verdade”, a decisiva importância da colaboração da famíliahumana. Afirma que “as pobrezas frequentemente nasceram da recusa doamor a Deus, de uma originária e trágica reclusão do homem em sipróprio, que pensa que se basta a si mesmo ou então que é só um fatoinsignificante e passageiro, um estrangeiro num universo formado poracaso. O homem aliena-se quando fica sozinho ou se afasta da realidade,quando renuncia a pensar e a crer num Fundamento”. Na raiz deste enormedesafio está uma humanidade inteira alienada por entregar-se unicamentea projetos humanos, ideologias e falsas utopias, assevera o Papa BentoXVI citando Papa João Paulo II na sua Carta Encíclica “Centesimusannus”, de 1991, comemoração do centenário Carta Encíclica “RerumNovarum”, do Papa Leão XIII.

Naverdade, a humanidade precisa encontrar o caminho para transformar afacilidade da proximidade que conquistou em verdadeira comunhão. É umaexigência que pode parecer simples e, lamentavelmente, um romantismopara muitos, mas é determinante agora aplicar esforços para que nacompreensão do desenvolvimento dos povos seja central o reconhecimentode que são uma só família, promovendo uma verdadeira comunhão e não selimitando simplesmente a viver uns ao lado dos outros. A cooperação dafamília humana está no âmbito de entendimentos e práticas, comaprofundamento crítico e pertinente, da categoria relação. É precisodar conta de encaminhar a humanidade para práticas que garantam aconquista do remédio da solidariedade, aquele que cura os malesterríveis que estão corroendo a vida humana e o equilíbrio dassociedades. A nova consciência planetária deve chamar-se solidariedade,fazendo do desenvolvimento vida para todos.


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