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Deus e outros papos

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marcos nunesParando pra pensar em como entrei pra Igreja, é totalmente místico, arrebatador, transcendente – ou qualquer outra palavra que você não entende totalmente o significado -, perceber que eu só entrei pra Igreja por causa de mulher. Que outro motivo seria na época, se na Igreja não vende cerveja?

Eu resolvi aceitar o convite de uma menina de quem eu estava a fim, para ir participar de algo que chamam de “retiro”, uma proposta muito louca de passar o final de semana com pessoas que você não conhece. E tem coisa pior do que chegar em um lugar que você não conhece ninguém? É igual a festa de aniversário do tio da namorada nova, todo mundo se conhece, você não conhece ninguém, parece que todos estão falando ou rindo de você.

Resolvi chamar meu primo pra não ir sozinho. Eu fui por conta da menina, ele foi porque ela deveria ter amigas. Assim daria certo pros dois.

Lá, fui jogado em um turbilhão de informações, de músicas novas, dancinhas… Que parecia que todos conheciam, menos eu e meu primo. Mas como a gente era meio “vida louca”, eu achava que tínhamos perdido alguma parte.

Entrei pela porta que estava aberta, do jeito que deu, e fui surpreendido com o que encontrei ao entrar. Antes a única coisa que me atraía na Igreja era o livro do Apocalipse. O fim do mundo, alguns cavaleiros destruidores, uma mulher fugindo pro deserto e um Anjo com uma espada, gritando umas palavras e lutando contra um dragão – parecido com o Tiamat do Caverna do Dragão – com várias cabeças e cuspindo fogo. MO-LE-QUE surreal! Eu já imaginava a cena em uma tatuagem nas minhas costas.

Antes eu tinha a sensação de que conhecia a Igreja: o marasmo de sentar, ajoelhar e levantar durante a Missa. Tive que entrar pra perceber que o mundo dentro da Igreja era maior do que fora daquelas portas. Eu tive a sensação de estar fora de casa por muito tempo, e finalmente, depois de muito caminhar, ter chegado. Era a experiência de chegar e poder, enfim, sentar e colocar os pés para cima do sofá, usar meu vaso sanitário mais uma vez. Aquela intimidade que se ganha com o tempo, sabe? Eu estava em casa, me sentia amado e estava muito feliz.

Eu descobri que eu era amado por Deus. Tudo bem que Ele ama todo mundo – até você que tá lendo o texto agora -, mas eu descobri que Ele ME amava. Tu não tá entendendo, saber que o Deus que criou a parada toda, o mundo e tudo mais, ME ama! Essa experiência mudou minha vida.

Percebi que com Deus nós precisamos fazer uma experiência, porque Ele não é uma ideia filosófica ou uma historinha bem contada. Ele é uma pessoa. É preciso que exista esse trato de pessoa, de amigo; de olhar nos olhos, de contar segredos. Coisa que eu achava impossível. Fui atrás de um amor humano, e graças a Deus, por isso, acabei encontrando a Deus, e fui encontrado por Ele e por Seu Amor muito maior, infinito.

Marcos Nunes


Comentários

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  1. Marquinhos tu não existe não…
    É por pessoas assim “normais” como eu, gente que ri, que chora, que vai ao banheiro, que tem dor de barriga, que entra em crise, que faz com que tudo termine em um bom samba e ainda assim luta para ser de Deus!
    Muito obrigado pelo teu Sim, me alcança bem muito mané
    Deus abençoe,
    Grande Abraço!