Na certeza de que Deus, de todo o mal, tira um grande bem para nossas vidas, partilho com vocês como vem sendo este tempo de quarentena na quaresma pra nós, enquanto família.
Para minha surpresa, ao sair da reciclagem, o Brasil inteiro estava de quarentena. Recebemos a notícia no último dia, e assim que peguei o celular fui ver as mensagens dos meninos que estavam aflitos por mim, mas ao mesmo tempo ansiosos pelo meu retorno.
No início havia incertezas e medos acerca do tempo que tudo isso duraria e pelo fato de minha filha mais velha ser enfermeira de emergência e trabalhar diretamente com os pacientes graves. A primeira coisa que me vinha à mente era nos prepararmos para o enfrentamento da doença a nível humano com as devidas precauções e a nível espiritual na vivência da oração, comunhão, confissão, etc.
Os dias foram passando e gradativamente comecei a perceber a misericórdia de Deus, que em meio à pandemia e ao isolamento social, nos fazia experimentar esse poder de Deus que não esmaga, mas que nos conduz à liberdade.
A vivência comunitária da família é um desafio diário, pois, além das células, cada um de nós tínhamos nossos ministérios e apostolado, além de ter que conciliar tudo isso com o trabalho, o que nos sobrava pouco ou nenhum tempo para estarmos juntos como família. Neste sentido, Deus de fato tirou deste mal um grande bem pra nós, pois passamos a conviver mais, partilhar mais e em comunhão com toda a Igreja e o corpo comunitário, nos unirmos nas formações, missas, terços, boletins e células.
Fomos nos fortalecendo, nos acalmando, crescendo na confiança e na fé. Sentíamos no coração como se o Senhor nos chamasse, nos reclamasse: “CORAÇÕES AO ALTO” e nós em uníssono: família e corpo comunitário, pelas redes sociais, mas em um só coração, respondíamos com entusiasmo “NOSSO CORAÇÃO ESTÁ EM DEUS!”
E esta graça de estarmos todos unidos com corpo comunitário se tornou ainda mais forte no dia 27 de março, sexta-feira, dia de jejum, oração, recolhimento, bênção do Papa e indulgência plenária. No dia de Nossa Senhora das Graças, os nossos lábios se encheram de louvor e gratidão a Deus, que nos ama com um amor de predileção, nos fazendo experimentar esta “aventura da fé”.