O Brasil inteiro comemorou no último dia 8, em intenso louvor a Deus, os 50 anos de sacerdócio de um dos seus mais amados profetas. Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova. Padre Jonas, como insisto em chama-lo, representa tanto para tantos que fica difícil falar dele, tivesse eu pouco espaço ou todo o espaço do mundo. Escolho, portanto, restringir minhas palavras à vida de minha família biológica e espiritual, a Comunidade Shalom.
Em 1981, foi de sua boca de profeta que surgiu anúncio decisivo para os primeiros do Shalom presentes em Baturité: “Deus quer comunidades!” Que ousadia! Que profetismo! Que visão ungida dos tempos da Igreja! Para nós, suas palavras foram de ordem, de comando. Deus queria comunidades, nós também queríamos! E o Espírito não nos deixou mais quietos até que em nós fosse feita a vontade de Deus.
No mesmo ano, logo depois de Baturité, hospedado pela primeira vez em nossa família, “o Padre”, assim o chamávamos, como se fosse o único no mundo, orou por mim e provocou um segundo Kairós-avalanche-libertador em minha vida. Essencial! Não teria dado um passo à frente sem essa graça. Tornou-se meu Pai.
1983 foi o ano em que “convocou” o Moysés para ir a Queluz e lá escrever “tudo o que Deus colocava em seu coração”, como lhe disse. Surgiram nossos primeiros Escritos e Regras de Vida. Novamente, “o Padre” era profeta, via além, discernia a presença de Deus. Novamente era Pai, que toma pela mão. Mais uma vez, irmão a serviço, daqueles que se ajoelha para lavar os pés dos outros.
1988, depois de cinco anos em que se hospedava com nossa família juntamente com os queridos irmãos que o acompanhavam, dentre eles a especial Luzia, precisei desesperadamente de um Pai. A escuridão era densa e mordaz. Onde encontrar uma mão madura, segura, misericordiosa? Bastou um simples telefonema para que esse extraordinário homem de Deus me deixasse zonza com seu amor-misericórdia-serviço: “Estou indo para Gravatá amanhã. Você não teria como ir até lá para conversarmos? Se não houver possibilidade, irei até aí.” Eu fui. Acolhida como rainha pela comunidade Canção Nova da rádio. Esse Pai me escutou e direcionou durante três dias. “Você é o para-raios do Shalom”, tentou me explicar. Colocou-me nos trilhos da vontade de Deus. Consolou-me. Escutou-me como se não tivesse mais nada a fazer nessa vida. Perdoou-me. Colocou-me de pé. Mandou-me de volta.
Os anos se passaram e “o Padre” precisou parar de viajar. Canção Nova exigia sua presença de Pai. Muito justo. De nossa parte – minha, de minha família e do Shalom – já podíamos caminhar sozinhos, como gratos filhos bem formados devem caminhar.
2003 fez-me encontrar, atônita, “o Padre” no palco, em Goiás. Nas mãos, o livro escrito com meu sangue: “Este livro vai mudar nossa maneira de formar e de ver o homem!” Saí de mansinho, estupefata. Então ele entendia?!? Então o livro era de Deus?!? Iria realmente ajudar alguém?!?
Anos de oração e preocupação se seguiram até a límpida manhã em que o pude abraçar outra vez, unido à cruz de Cristo que me orientara abraçar em 88. Um pouco mais curvado, os mesmos olhos, a mesma delicadeza. Poucas palavras. Muito afeto dos seus filhos ao redor. Muito amor entre nós, daqueles que o tempo não apaga, daqueles que não exigem comunicação intensa, do tipo que se encontra a cada dia na Eucaristia, do tipo que não cobra e subsiste porque vem de Deus.
2014, Reconhecimento Pontifício definitivo. Tento falar com o padre, procuro contato com a Lu. Nada! Nossa ação de graças, entretanto, ecoou no coração de Deus.
Dedicação do Santuário. Jubileu de ouro sacerdotal. Nova tentativa de comunicação e os meios tão modernos continuam a nos perseguir. Desejo imenso de estar presente, de participar da alegria de todos. Sem chance!
Contudo, as muitas águas não podem apagar o amor e eis-me aqui, quase à meia noite, olhos cheios de lágrima, coração de gratidão, a agradecer a Deus o privilégio imenso de ter minha vida – nossas vidas! – tão abençoada por quem o mundo vê como profeta, muitíssimos como irmão e que considero meu Pai.
Deus te recompense, “Padre” amado!
Maria Emmir


Emocionada !!!! Muito obrigada Maria Emmir pela homenagem ao nosso pai “o Padre”.
Emmir, obrigada por este lindo testemunho e edificante que alegra meu coração porque bem antes de mim vejo quantas vocações, quanta profecia e quanta ajuda meu fundador foi e é a outras pessoas, a outras Comunidades, especialmente a Shalom tão querida pra mim. De fato ele é pai. Talvez sua experiência tenha sido até maior, sou nova na CN e pouco contato tive com o padre mas o amo demais. Deus te abençoe e te faça cada vez mais essa mulher de Deus e formafora por excelência pois o povo de Deus carece de formação. Conte com minhas orações. Janayna CN
Obrigada Emmir, pelo carinho com nosso pai. É isso mesmo, ele é tudo o que vc descreveu!
Um pai amoroso, cuidadoso, e encorajador.
Destemido quando a palavra de ordem é evangelizar!
Obrigada mesmo, nos dá Canção Nova somos gratos por tanto amor de vocês, nossos irmãos Shalom!
Shalom!!!!!
Emmir, obrigada pelo belíssimo testemunho do nosso Pai! Nos alegramos e nos emocionamos ao lê-lo. São palavras que traduzem tão bem o que ele de fato é! Deus a abençoe.