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“Devemos partilhar o Pão da Vida com os famintos”, afirma Moysés Azevedo sobre o Congresso Internacional Eucarístico

Em entrevista para a Rádio húngara Kossuth, Moysés Azevedo, dialogou sobre a Comunidade Shalom e a presença confirmada no evento em Budapeste.

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Confira como nosso fundador, Moysés Azevedo, um jovem da década de 80, destinado pela mãe à carreira sacerdotal, se distancia da Igreja, de Deus, e depois torna-se fundador da Comunidade Católica Shalom. Em uma conversa profunda e de excelente clima, Moysés contou para uma rádio nacional da Hungria sobre a inspiração da Comunidade, o ardor pela missionariedade, as primeiras obras de evangelização, e a participação no Congresso Eucarístico Internacional . Confira:

A primeira palavra de Jesus

“Shalom!” – iniciou-se assim a troca de e-mails entre o entrevistador e o entrevistado.

“Como uma palavra, conhecida como saudação hebraica, se torna importante para uma Comunidade Católica?” – faz a pergunta Zoltán Pásztor, jornalista-editor da Rádio Kossuth, ao fundador da Comunidade Católica Shalom.

Moysés Azevedo é um dos pregadores convidados do Congresso Eucarístico Internacional de Budapeste neste mês de setembro, e respondeu: “Shalom: esta foi a primeira palavra com que Jesus ressuscitado saudou os seus discípulos”. Ele acrescentou ainda que significa aquela paz plena que Jesus pretende dar ao coração do homem. O fundador também disse que muitas vezes as pessoas buscam a paz, a verdadeira felicidade, enquanto tudo isso se encontra em Jesus, em seu coração aberto.

Moysés explicou que a verdadeira paz é uma profunda reconciliação do coração do homem com Deus, que significa também reconciliação conosco e com o próximo. “Jesus é o Shalom do Pai para o mundo”, disse ele.

Longe de Deus e da Igreja

A entrevista abordou também sobre a juventude de Moysés Azevedo, da época em que ele virou as costas para a Igreja e para Deus, mesmo nascido em uma grande e tradicional família brasileira. Sua mãe orou muito por oferecer um filho homem a Deus, mas ela tinha cinco filhas. Aos 45 anos, ela engravidou novamente e, então, o Moysés nasceu. Um filho que, desde o ventre materno, tinha uma missão específica e sonhada por Deus.

O único filho homem da família acabou ficando bem longe de Deus, pois considerava a Igreja e a religião um museu. Certa vez, o convidaram para uma comunidade de jovens onde teve um encontro pessoal com Jesus.  Sobre este fato ele afirmou: “Ele me abriu os olhos e me iluminou que era uma felicidade total, uma paz total para o coração humano. A Igreja é a família de Cristo e ao mesmo tempo também minha família. O desejo nasceu em mim para compartilhar a graça que tive com os outros.”

Encontro com o Papa João Paulo II

Moysés Azevedo sentia que, apesar do desejo maior da mãe, a carreira sacerdotal não era para ele. Seguiu sua formação em fisioterapia apesar de nunca haver exercido tal profissão. No Encontro Eucarístico Nacional no Brasil, em 1980, foi um dos jovens que teve a oportunidade de oferecer um presente ao Papa São João Paulo II. O Bispo que convidou os jovens confiou a eles a tarefa de presentear o Santo Padre de uma forma livre.

Moysés rezou e a resposta nasceu no coração: ofereceu ao Santo Padre a própria vida, ele queria dedicar-se à evangelização dos jovens. Assim, ele escreveu em uma carta que seria entregue ao Papa. Ele ficou ali, de frente para o Santo Padre: “Ele me abençoou, me abraçou.”

Inspiração da lanchonete para evangelizar

Muitos pensamentos e reflexões precederam a ação com a qual ele queria colocar em prática a oferta feita ao Papa. Como recorrer a jovens que não buscam o contato com Deus e menos ainda com a Igreja? Por meio da pergunta, Moysés Azevedo reconheceu que os jovens adoram sair para comer. Em resposta, no dia 9 de julho de 1982, foi inaugurada a primeira lanchonete ligada à evangelização. Os jovens foram convidados para fazer um lanche, e ali tinham bons diálogos, eram evangelizados e depois conduzidos à capela adjacente onde se realizava a adoração perpétua. Depois dos sanduíches, o jovens ofereciam aos convidados o pão do céu, a Eucaristia.

A fé está presente no coração das pessoas

O encontro com Jesus vivo fez com que muitos se unissem à Igreja como uma família. Participar e partilhar no Congresso Internacional é dar testemunho do que o Ressuscitado faz na vida do Moysés e também na da Comunidade Shalom.

“Da iniciativa nasceu algo maravilhoso” – avaliou Azevedo nas últimas décadas. Eles acolheram a todos e formaram uma imensa Comunidade, cujos membros já estão presentes em mais de 30 países ao redor do mundo. Também podemos encontrá-los em Budapeste. Após tantos encontros on-line, será uma alegria também estar junto de outras identidades que formam o corpo da Igreja viva.

Na entrevista, entrevistador e entrevistado também falaram sobre a situação do Cristianismo. Moysés Azevedo lembrou que a América do Sul recebeu o Evangelho da Europa e dos missionários que vieram de lá. Agora vemos, em vez disso, que o velho continente é uma espécie de deserto para a fé, enquanto na América Latina podemos encontrar a fé viva. Moysés Azevedo sublinhou: “Não vejo a fé europeia como coisa do passado: cada geração tem necessidade do Evangelho, um forte testemunho, porque a fé não é apenas cultura, mas está presente no coração das pessoas”.

O fracasso da evangelização não é dos jovens

Ele encorajou todos a tentarem encontrar um ponto de contato com os jovens. Devemos transmitir-lhes a boa nova de Jesus. “O fracasso da evangelização não é dos jovens: se há um fracasso é o da nossa geração, porque não podemos dar testemunho do Senhor em tal. Uma forma que toca o coração dos jovens ”, disse o fundador. Na Europa – acrescentou ele – a fé não está morta, está apenas dormindo.

Sobre as possibilidades de evangelização, explicou que o Dicastério para os Leigos, as Famílias e a Vida, do qual ele faz parte, oferece grandes possibilidades. Segundo Moysés, o tempo presente é muito importante na nossa Igreja e na nossa vida. Isso vem, por um lado, do fato de que o Santo Padre, vindo da Argentina, representa uma evangelização cheia de vida. Por outro lado, vem da espiritualidade missionária com a qual ele enfrenta sua tarefa. O homem moderno deve ser alcançado pela Igreja de forma aberta, saindo para a rua: é aí que a Boa Nova deve ser anunciada.

Pessoas que estão com fome e com sede

O Papa formulou uma mensagem forte, de acordo com Azevedo, em sua exortação apostólica quando escreveu que a Igreja deve sair de suas paredes e alcançar o povo. Segundo o fundador da Comunidade Católica Shalom, o Congresso Eucarístico de setembro também expressa essa intenção. É assim que podemos falar ao homem de hoje: devemos partilhar o Pão da Vida com os famintos e a Água da Vida com os que têm sede. Como também diz o lema bíblico do evento mundial em Budapeste: “Todas as minhas fontes estão em ti”.


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