Se há algo que serve para tudo, é o dinheiro. Do prosaico sustento da família até o financiamento das pesquisas científicas mais sofisticadas, quase tudo só é possível por causa do dinheiro. Muita coisa boa, pura, santa, só é possível pelo concurso do dinheiro: acolhida dos refugiados, educação e saúde adequadas necessitam de dinheiro. Habitação digna, saneamento básico, acesso ao conhecimento – lá está ele, outra vez, o dinheiro a serviço.
Dinheiro serve mesmo para tudo. Do prosaico canivete encostado na costela – ”Isso é um assalto!” – aos sofisticados roubos eletrônicos internacionais, passando pelos sequestros relâmpagos, a corrupção e a “pegadinha”, tudo supõe o dinheiro.
O singelo suco feito na hora para matar aquela sede, assim como a “pedra” para matar outras sedes, dependem do dinheiro.
Dinheiro serve para realizar sonhos heroicos e planos covardes. Serve para a partilha e a paz e serve para a ganância e a guerra.
Dizem até, vejam só, que dinheiro traz a felicidade. Ou, mais modestamente, que dinheiro não traz a felicidade, mas, que ajuda, isso ajuda! Quanto poder se atribui ao dinheiro! Não é isso, afinal que leva milhões, no mundo inteiro, aos mais diversos tipos de aposta nas loterias que prometem a felicidade?
O assunto “dinheiro” não é alheio à Palavra de Deus. Pelo contrário. O Espírito Santo fala sobre o uso dos bens desde o primeiro livro da Bíblia, onde ele confia ao homem toda a criação. Desde aí até o último livro das Escrituras, Ele nos orienta sobre o uso dos bens. E ele tem direito, porque, no final das contas, os bens nos foram confiados por ele – do menor nano organismo à inteligência para processá-lo com vista ao bem comum.
No dia 21 de outubro deste ano, Papa Francisco disse que “o apego ao dinheiro destrói a fraternidade humana e adoece as pessoas”. Tem razão. Não é o dinheiro que destrói ou adoece. É o apego ao dinheiro. Em outras palavras, a idolatria ao dinheiro. Relacionar-se com ele como um fim. Como se ele fosse um deus, como se tivesse poder em si mesmo.
Como toda idolatria, o apego põe o dinheiro no centro e outorga-lhe poder sobre a própria vida. Quem tem dinheiro, tem tudo, pensa o idólatra.
Nesse caso, o nome desse artigo teria que mudar, dado que o dinheiro seria o senhor, não o servo. Teríamos, então: “Dinheiro, para que te sirvo, mesmo?”
Maria Emmir Oquendo Nogueira