Formação

Disfarce

comshalom

Família almoçando. Trabalho e estudo esperando. Alguém bate à porta, que parece ser nossa, mas é dele. Pede um prato de comida da mesa que aparenta ser nossa, mas é dele.

Convidado a entrar, recusa-se. Não sabe que a cadeira parece ser nossa, mas é dele.

Faço-lhe companhia na calçada, que parece ser dele, mas é minha, enquanto ele come avidamente com o tempo que parece ser meu, mas é dele.

Convidado a tomar banho, recebe a água que é dele, embora pareça minha. E ensaboa-se com o sabonete e shampoo que aparentam ser meus, mas são dele.

Veste-se com a roupa que parece ser do meu marido, mas é dele e aceita repousar no quarto que parece ser do motorista, mas pertence a ele.

Exausto, dorme agarrado com uma sacola que é dele enquanto ponho na lavadora que parece ser minha, mas é dele, a roupa que é dele e agora parece ser minha.

Passa a trabalhar na casa que parece ser nossa, mas é também dele e logo reencontra a família abandonada, que não mais parecia ser dele.

Volta para a casa que parece ser dele, mas agora é nossa.

Pois a partilha estabelece a verdade: o que parece ser nosso é dele e o que parece ser dele é, na verdade, nosso.

Em nós, vê o Senhor que vemos nele.

Pois a partilha estabelece a amizade: o que parece estranho, torna-se irmão. O que parece mendigo, torna-se Senhor.

Emmir Nogueira


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