A festa de “Pentecostes”, que celebraremos neste ano de 2026 no dia 24 de maio, tem a sua origem já no Antigo Testamento e tinha três nomes: era chamado de “Festa das Semanas” (cf. Ex. 34,22; Dt 16,10), “o Dia das primícias” (cf. Num 28,26) ou “a Festa da Colheita” (cf. Ex 23,16). Nesta festa podemos encontrar dois motivos de gratidão a Deus: pelo fruto da terra, que alimenta Israel materialmente e pela aliança com Deus, por meio dos mandamentos (vontade divina para o povo), que alimenta Israel espiritualmente.
Como os nomes contidos no Antigo Testamento explicitam, esta era uma festa primariamente agrícola; assim, lemos no livro do Deuteronômio: “9(…) A partir do momento em que lançares a foice nas espigas, começarás a contar sete semanas. 10Celebrarás então a festa das Semanas em honra do Senhor teu Deus. A oferta espontânea que a tua mão fizer deverá ser proporcional ao modo como o Senhor teu Deus te houver abençoado” (Dt 16,9-10). Deste modo, se separava o melhor trigo do ano, da Terra de Israel, para ser trazido em oferta a Deus no templo de Jerusalém.
Posteriormente, os judeus celebravam na festa de Pentecostes o dom da aliança, por meio dos mandamentos dados a Moisés. Assim, diziam que os mandamentos foram dados cinquenta dias após a saída do Egito, no Êxodo (cf. Ex 19,1). Deste modo, podemos compreender melhor o termo Pentecostes que vem da lingua grega e significa “quinquagésimo”. Ora, se o Êxodo é para o Judeu celebração da Páscoa e o Pentecostes é celebrado cinquenta dias após a Páscoa, então entendemos que há uma clara e profunda relação entre estas duas festas.
Pentecostes no Novo Testamento
No Novo Testamento temos o testemunho da festa de Pentecostes narrada em At 2; porém, alí algo novo se realiza: o Espírito de Deus vem sobre os discípulos reunidos. Para compreender melhor o que se realizou no Novo Testamento, gostaria de apresentar algumas relações entre o que aconteceu em At 2 e no Antigo Testamento.
No Antigo Testamento, quando Moisés está para receber os mandamentos, o texto sagrado diz que a manifestação divina ocorreu pela manhã e foi mediada por fenômenos, quais: trovões, relâmpagos, um clamor muito forte de trombeta e toda a montanha do Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ela no fogo (cfr. Ex 19,16-19).
Assim também, em At 2,2-3, pela manhã “veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo (…)”. A voz divina que no Êxodo se dirigia somente a Moisés, agora dirige-se, como lingua de fogo, a todos os discípulos reunidos.
No Antigo Testamento, a festa de Pentecostes era também a celebração da colheita, da fecundidade da terra. Nos Atos Apóstolos, tal fecundidade se encontra na vida dos discípulos. Eles são enriquecidos pelo Espírito de Deus, que lhes dá a força de testemunhar a verdade de Cristo. Deste modo, Pedro, cheio do Espírito, anuncia a Palavra de Deus e cerca de três mil pessoas acolheram a verdade anunciada e fizeram-se batizar (cf. At 2,41). Ou seja, uma nova e definitiva “colheita divina” teve início neste dia; porém, não se trata de frutos apenas materiais, mas sim espirituais: a fé em Cristo.
Todavia, há ainda algo fundamental a se falar sobre o Pentecostes no Novo Testamento. Com a vinda do Espírito sobre os discípulos, se completa a revelação divina; a patir de então conhecemos o Deus trinitário e esta revelação produz algo nos discípulos. De fato, segundo o testemunho neotestamentário, o Espírito nos ensina a chamar Jesus de Senhor (cfr. 1Cor 12,3). Por Ele, reconhecemos que Deus é Pai (cfr. Rm 8,15) e isso muda tudo em nossas vidas, pois neste reconhecimento aprendemos a rezar; aprendemos a nos confiar a Deus, tanto nos tempos mais difíceis e dolorosos quanto nos mais fáceis e alegres.
Neste dia de Pentecostes o Senhor deseja mais uma vez se dirigir a nós e dizer que nos ama; e Deus faz isso pelo seu Espírito, pois como diz o Apóstolo Paulo: “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Por isso, cabe a nós neste dia acolher a bondade divina que quis se revelar a nós. Cabe a nós a gratidão por termos um Deus que se importa conosco, que está em meio a nós. Cabe a nós, por fim, a oração; pois, somente rezando podemos acolher tudo o que Deus deseja nos dar neste dia.
Feliz dia de Pentecostes!
Elton Alves, M.sc.
Professor da Escola de Teologia – Instituto Parresia
Deseja aprofundar este e outros mistérios da nossa fé?
Aprofundar o conhecimento das Sagradas Escrituras e da Tradição da Igreja é o caminho seguro para o amadurecimento espiritual e para a robustez da nossa inteligência teológica. Não detenha a sua caminhada na superfície. Convidamos você a assinar a plataforma do Instituto Parresia, onde terá acesso a formações exclusivas, cursos exegéticos de alta linhagem e conteúdos estruturados para robustecer a sua fé e o seu testemunho cristão.
Sobre o Instituto Parresia
Siga o perfil no Instagram
Conheça a nossa Plataforma de Cursos Online no Site
Ouça os Podcasts no Spotify
Aulas gratuitas no Youtube
Entre em nosso canal do Telegram
E-mail: institutoparresia@comshalom.org
