Era sábado e mesmo assim o despertador estava programado, mas Carlos não precisou do alarme para levantar. Antes mesmo das 07 horas, já estava no chuveiro. Sua mãe, ainda sonolenta, levantou para saber o que o filho estava fazendo. O jovem explicou que tinha um compromisso e não queria se atrasar. Quando estava tomando o café da manhã, o despertador começou a tocar. Com pressa, pegou sua mochila cheia de botons personalizados, colocou seu material de oração e, quando já estava no portão, escutou sua mãe dizer: “Só falta levar a rede, menino!”
Carlos precisou pegar dois ônibus até chegar ao seu destino: o Centro de Evangelização Shalom. Na viagem, ele aproveitou para rezar o terço e convidar quem podia para o Seminário de Vida no Espírito Santo (SVES) que aconteceria naquele final de semana. A animação do jovem era contagiante. O motorista perguntou ao menino para onde ele iria aquela hora da manhã. Pronto! Era o que Carlos precisava para começar a evangelizar. Pouco tempo depois, ele já estava intercedendo em seu terço pela filhinha do motorista que estava internada. Assim, Carlos seguiu a viagem até chegar no seu ponto.
Amizade fruto do serviço
Não tão longe do Centro de Evangelização, morava o jovem Fernando. Diferente de Carlos, ele acordou atrasado. O despertado precisou gritar umas três vezes até ele conseguir se erguer e ir até o banheiro. Seus passos eram como de uma tartaruga. Ele estava cansado porque na noite anterior havia assistido a todos os episódios de uma série recém-lançada. Depois de se organizar, saiu de casa e em 10 minutos chegou onde queria. Ele iria ajudar nas atividades do SVES. Ainda com sono, conversou com seu coordenador que passou as orientações. Antes de fazer sua tarefa, foi na Capela. Ficou lá um pedaço. Pediu uma bíblia emprestada e resolveu rezar um pouco.
Quando saiu da Capela, encontrou o seu coordenador que decidiu dar a ele um nova função. Fernando deveria ajudar o Carlos na estrutura do evento. Um não conhecia o outro, mas estavam abertos ao serviço. Por isso, deu muito certo essa parceria. Os dois precisaram sair para comprar material para a lanchonete. No caminho, começaram a partilhar sobre o grupo de oração, sobre a missão, sobre o ministério, sobre a vida. Carlos estudava e trabalhava durante a semana, pois queria ser fisioterapeuta. Fernando estava na faculdade de Direito, mas ainda tentando entender se essa deveria ser de fato a sua profissão.
Conversa vai, conversa vem. Em um determinado momento, Carlos começou a contar a saga que tinha vivido até chegar no Centro de Evangelização. Fernando escutou atentamente a narrativa e ao final ficou um pouco constrangido, pois, morando tão perto do Shalom, ainda conseguia chegar atrasado. O testemunho do amigo o fez refletir sobre como estava vivendo sua vida, seu grupo de oração e seu ministério. Ao final do evento, voltou para a casa. Em vez de voltar a assistir, resolveu rezar. Procurou seu material de oração em meio aos livros da faculdade, organizou a escrivaninha e rezou.
Tempos depois: uma surpresa
Em um evento do Shalom na cidade, Carlos estava servindo na limpeza. Teve fome e resolveu comprar um pote de coxinha com suco de maracujá. Fez o pedido, pagou e, quando foi receber, teve uma surpresa. “Fernando”, disse Carlos. O amigo o reconheceu na hora. Quis dar um abraço de alegria. Havia passado muito tempo desde que Carlos e Fernando se conheceram naquele Seminário de Vida. Muita coisa mudou. Fernando agora era missionário da Comunidade de Vida com votos no celibato e Carlos tinha se casado e permanecia na Obra Shalom, sua esposa havia se consagrado na Comunidade de Aliança recentemente.
Os amigos combinaram de conversar. Fernando conheceu a família de Carlos. Os dois começaram a contar histórias do tempo em que serviam juntos e a cada situação recordada o coração deles se enchia de gratidão. Fernando nunca tinha tido a oportunidade de agradecer a Carlos pelo testemunho dado naquele dia do Seminário de Vida. Eis que chegou o momento! Fernando disse que foi rezar depois que ouviu a partilha do amigo e o Senhor falou ao seu coração como nunca antes. Desde então, só quis fazer a vontade de Deus em sua vida. Carlos se emocionou e agradeceu a Jesus, que gosta de fazer da vida dos seus servos semente de santidade para a humanidade.
