Dom Paulo Cezar Costa é o escolhido do papa Francisco para assumir a arquidiocese de Brasília. O cargo estava vago desde março, quando Dom Sérgio da Rocha foi transferido para a arquidiocese de Salvador (BA), e era ocupado interinamente por Dom José Aparecido, administrador da arquidiocese. A previsão é de que a posse aconteça em dezembro de 2020.
A notícia foi divulgada por Dom Paulo Cezar em uma carta nesta quarta-feira (21/10). Na mensagem, ele diz ter acolhido o pedido do papa com filial obediência, comunhão e gratidão. Entro na vida desta Igreja Particular com muito respeito pela sua caminhada, pelo trabalho dos meus predecessores, principalmente o Cardeal Sérgio da Rocha, que doou a vida por vários anos nesta Igreja. Vou com a disposição de vos conhecer, amar e doar o melhor de minhas forças, escreveu.
Na carta, o novo arcebispo de Brasília também fala da cultura do encontro, do diálogo e da alegria da doação. A cultura do diálogo nos ajudará a continuarmos a construir uma sociedade mais humanizada, mais à altura da grandeza da dignidade humana, comentou.
Dom Paulo Cezar é natural de Valença, no Rio de Janeiro, e teve a oportunidade de conviver com o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, na capital carioca. Á época, ele era bispo-auxiliar e trabalhava na organização do evento. Em 2016, se tornou bispo de São Carlos (SP), quando administrou cerca de 120 paróquias, com 149 padres e aproximadamente 1 milhão de fiéis.
Leia a íntegra da mensagem
O Santo Padre, o Papa Francisco, pediu-me que partisse da Diocese de São Carlos para ser presença do Bom Pastor, como Arcebispo nessa jovem e grande Arquidiocese de Brasília. Disse sim ao Papa Francisco buscando vivenciar o que os patriarcas e profetas de nossa fé fizeram: partiram respondendo a um Chamado de Deus. Ao Papa Francisco, minha filial obediência, comunhão e gratidão pela confiança.
Entro na vida desta Igreja Particular com muito respeito pela sua caminhada, pelo trabalho dos meus predecessores, principalmente o Cardeal Sérgio da Rocha, que doou a vida por vários anos nesta Igreja. Vou com a disposição de vos conhecer, amar e doar o melhor de minhas forças para que o Evangelho de Jesus Cristo possa ser conhecido, amado e testemunhado.
Não vou de mãos vazias, levo minha experiência de Fé e Vida em Valença, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro e em São Carlos, mas principalmente, vou levando aquilo que de mais precioso possuo: Jesus Cristo. Ele é a grande riqueza na minha vida.
Acredito que uma Igreja se torna bonita, missionária e evangelizadora quando todos se doam com alegria: bispos, padres, religiosos e religiosas, diáconos, seminaristas, comunidades de vida e Aliança, leigos e leigas. É impossível pensar a missão hoje, sem que todas e todos se coloquem a caminho.
Nas palavras do Papa Francisco: “Em virtude do batismo recebido, cada membro do Povo de Deus tornou-se discípulo missionário (Cf. Mt 28,19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar no esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o povo fiel seria apenas receptor de suas ações. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados”1.
Espero estabelecer com os poderes da República e com a sociedade um diálogo profícuo e respeitoso. Neste caminho, o Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, nos propõe a cultura do encontro. Diz ele: “Alguns tentam fugir da realidade, refugiando-se em mundos privados, enquanto outros a enfrentam com violência destrutiva, mas entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo.
O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e a cultura tecnológica, a cultura econômica e a cultura da família, e a cultura dos meios de comunicação”2.
A cultura do encontro se caracteriza pela capacidade de diálogo dos diversos atores da vida de uma sociedade para o seu bem. A cultura do Diálogo nos ajudará a continuarmos a construir uma sociedade mais humanizada, mais à altura da grandeza da dignidade humana.
Manifesto minha comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na pessoa de Dom Walmor Oliveira de Azevedo. Dirijo-me a Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, expressando meu desejo de contar com os Religiosos e Religiosas na evangelização e missão nesta grande Arquidiocese. Entro no Regional Centro Oeste da CNBB com respeito e disposição de caminharmos juntos. Na pessoa de Dom Waldemar Passini Dalbello, Presidente do Regional, saúdo os demais irmãos. Aos irmãos Bispos, da Província Eclesiástica de Brasília, minha saudação e comunhão.
Vocês rezaram pedindo ao Senhor “um pastor que vos agrade pela virtude e vele solícito sobre nós”, e o Senhor, por misericórdia e amor para comigo, mandou-me a vós. Peço que me esperem numa atitude de oração. Rezem para que eu possa ser com vocês presença do Bom Pastor, Jesus Cristo. Com a oração tocamos o mistério amoroso de Deus. Quero, com vocês, fazer uma única coisa: a vontade de Deus.
Que Maria, invocada e venerada por nós como Nossa Senhora Aparecida, que nas bodas de Caná, apontou para a vontade do Filho, ajude-nos a realizar a vontade de Jesus Cristo para nossa Igreja de Brasília.
A todos e todas deixo minha Bênção Apostólica
Dom Paulo Cezar Costa, Arcebispo eleito da Arquidiocese de Brasília