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Domingo, o Dia do Senhor

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Dom Orani João Tempesta

Oterceiro dia após a Paixão, o primeiro dia da semana, quando JesusCristo ressurgiu dentre os mortos, é o Domingo, o dia do Senhor! “Noprimeiro dia, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo levandoperfumes que tinham preparado. Encontraram a pedra removida, mas, aoentrarem não encontraram o corpo de Jesus e ficaram sem saber o queestava acontecendo. Nisso, dois homens com vestes resplandecentespararam perto delas. Tomadas de medo, elas olhavam para o chão. Eles,porém, disseram-lhes: “Por que estais procurando entre os mortos aqueleque está vivo? Não está aqui. Ressuscitou!”(Lc, 24, 1 a 6).

É o primeiro dia da semana, que na narração do Gênesis corresponde ao dia em que foi criada a LUZ (Gn, 1, 3).

ODomingo, primeiro dia da semana, em razão de ser o dia em que o Senhorressurgiu dentre os mortos, tomou, tanto no Oriente como no Ocidente, olugar do sábado, que na narrativa bíblica da criação do mundo foi o diaque o Criador repousou e santificou esse dia.

Éuma linguagem simbólica, pois o Deus Criador está sempre operante, e acriação do mundo se renova a cada dia. Os primeiros cristãos, como osnarram as Escrituras, se reuniam no primeiro dia da semana – quando seencontraram com Jesus Cristo Ressuscitado! Daí para frente, para oscristãos, a partir do sábado à noite passou o dia de descanso, o dia doSenhor, o dia da Celebração da Eucaristia, o dia de encontro com a suacomunidade! A Ressurreição de Cristo é o acontecimento central da fé eda história – daí vem a nossa celebração semanal desse encontro.

Avida toda do homem é para ser vivida como tempo de louvor eagradecimento ao Criador e, por isso, necessita o homem de momentosexplícitos de oração, nos quais todo o seu ser é envolvido pela pessoaterna de seu Deus e Pai.

ODomingo é, pois, o dia por excelência para que essa relação – Deus ehomem – seja intensificada, mas, também, o Domingo é o dia do repouso,no qual se interrompe toda a atividade de trabalho para que hajarecuperação dessas horas, que muitas vezes oprime o homem.

Sabemoscomo em outras culturas o dia de descanso é respeitado por todos e nãohá nenhuma dificuldade em sair de suas casas para louvar a Deus nessesdias consagrados!

Todavia,na sociedade ocidental hodierna, as evoluções sócio-econômicas, amudança cultural, a dificuldade em viver os valores da vida cristãacabaram por modificar sensivelmente o sentido sacro do repouso paratransformá-lo, unicamente, em dia de lazer, sem qualquer conotação como sentido original do Domingo.

Semdeixar de reconhecer o sentido positivo que o descanso tem para o serhumano, não podemos deixar de ver que quando o lazer se torna o únicoobjetivo do descanso dominical, o homem acaba por isolar-se em seumundo e esquece a dimensão mais sublime que é esse dia santificado peloSenhor – esquece o transcendente. Não se faz mais a memória dosacontecimentos que Deus nos proporciona em nossa caminhada.

Porisso, vemos multidões de pessoas que lotam os lugares de lazer ecompras, que são os novos templos de adoração do homem, que vagamengalanados por estímulos de compras de coisas, muitas vezessupérfluas, que lhe deixam um vazio imenso, uma vez que seu vazioexistencial não será preenchido com coisas materiais, mas quando ele,humildemente, se volta para seu Deus e Criador. Esquecemos que só Deusbasta! É o grito que ecoa do Carmelo, cuja reformadora comemoramos diasatrás.

Umsuperior geral de uma ordem dizia que gostava de passear nos locais decompras e de consumo para ver de quanta coisa ele não precisava paraser feliz!

Nestetempo de relativismos e negligências de nossa caminhada cristã, é muitoimportante que o Domingo volte a ser o dia do Senhor, dia de descanso,é verdade, mas dia em que o homem se volta para seu Deus e lhe agradecea vida, os bens que tem, a saúde, a família, a alegria de viver, eisso, como comunidade orante!

ODomingo é, pois, o dia do louvor ao Senhor, mas também de ação degraças pela vida, pelo céu, pelo ar, pela nossa pátria, pela nossa fé.

Mesmoem países em que o Domingo é um dia de trabalho normal, os cristãos deontem e de hoje procuram celebrar até de madrugada ou altas horas danoite e, ao celebrá-lo, sempre têm em mente e coração que era o dia doSenhor que vem vindo e elevavam seu grito de esperança: “maranatha”Vem, Senhor Jesus, vem Senhor Jesus!

Osaudoso Pontífice João Paulo II, a 31 de maio de 1998 publicou a CartaApostólica “Dies Domini”. Com grande propriedade adverte o Servo deDeus: “Ao domingo, portanto, aplica-se, com muito acerto, a exclamaçãodo Salmista: “Este é o dia que Senhor fez: exultemos e cantemos dealegria (118 [117], 24). Este convite à alegria, que a liturgia dePáscoa assume como próprio, traz em si o sinal daquele alvoroço que seapoderou das mulheres – elas que tinham assistido à crucifixão deCristo – quando, dirigindo-se ao sepulcro “muito cedo, no primeiro diadepois do sábado” (Mc 16,2), o encontraram vazio. É um convite areviver, de algum modo, a experiência dos dois discípulos de Emaús, quesentiram “o coração a arder no peito”, quando o Ressuscitado caminhavacom eles, explicando as Escrituras e revelando-Se ao “partir do pão”(cf. Lc 24,32.35). É o eco da alegria, ao princípio hesitante e depoisincontida, que os Apóstolos experimentaram na tarde daquele mesmo dia,quando foram visitados por Jesus ressuscitado e receberam o dom da suapaz e do seu Espírito (cf. Jo 20,1923).

Retomemoso pensamento de João Paulo II revalorizando o domingo como o dia dosenhor. Por isso, da mesma forma, o Cristão de hoje, a cada Domingo,sucedido por outro, caminha para o Domingo sem fim, a Pátria Celeste, amística cidade de Deus que, “não necessita de Sol, nem de Lua parailuminá-la, porque é iluminada pela glória de Deus, e sua Luz é oCordeiro” (Ap. 21,23).

Eisum programa importante e essencial para cada domingo que nos ajuda nocrescimento de nossa fé e entusiasmo no Senhor. Que possamostestemunhar esses sinais pelas nossas vidas e participação consciente evalorizada que o Senhor nos precede e nos ilumina pelo Seu Espírito.

Graçasa Deus, hoje, a participação entusiasta e alegre aumentou muito emrelação à participação no passado. Hoje, além do número maior departicipantes, eles exercem muitos ministérios na Igreja. Louvado sejao Senhor Jesus Cristo pelos passos dados, e que Ele nos ajude com a suaintercessão e unidade!

Que a paz reine em nossas fronteiras e que o Domingo nos ensine a acreditar na vida e no mundo novo!


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