
Certa vez, em Ap 12, Deus me fez compreender o papel de Maria no Seu plano de Salvação e na minha própria história. Obviamente, este entendimento foi se aprofundando ao longo dos anos. Depois vieram os estudos bíblicos da Comunidade: um descobrimento da Palava de Deus à luz de meu Carisma, daquilo que eu trazia em mim e parecia ir se “encaixando” e me moldando a partir de dentro.
Para mim, a Palavra sempre é Luz. Ela de tempos em tempos, se incide sobre certas áreas de minha vida, com uma concretude que só Deus pode fazer, e as transforma, as cura com potência e suavidade. Nos dias atuais, duas foram as experiências mais marcantes, a primeira é que, sempre que possível, rezo as Laudes, ainda que sozinho em meu quarto, diante de meu altar doméstico. Por estar sozinho, vou simplesmente “falando” aquelas palavras diante do Senhor, de maneira muito livre e pessoal. Às vezes até arrisco cantá-las. E qual não foi a surpresa quando o Espírito Santo me fez perceber que eu falava, pelos salmos, ao Pai com as palavras do Filho. O Filho falava ao Pai por meus lábios, por assim dizer, por aquelas palavras! De repente me vi olhado pelo Pai como um filho. Ele olha para mim do mesmo modo que olha para O Filho. Descobri de novo, de forma mais viva, a graça de meu Batismo vivido em minha consagração: sou filho n’O Filho.
A partir daqui fui me descobrindo livre de novo. O Amor me fez livre, me faz livre. E isto me lançava de cheio no restante da oração e da vida, e aqui está a segunda experiência, de modo a me esforçar para não emergir da oração, mas estando diante dos homens, manter o coração diante de Deus e, exatamente por isso, “ser para” o homem, usando um termo de meu querido Bento XVI.
Percebi então uma abertura nova. Uma liberdade nova. Tão livre me faz que vi que podia dar passos em situações que antes não sabia como fazer, o que fazer. Tão livre me descobri e fui feito que podia, livremente, ofertar minha enfermidade física com Jesus na Cruz e compreender minhas dores físicas e interiores como o lugar onde me encontro com Aquele que me ama, o lugar em que Ele me espera. E pela oração, me submeto à Ele livremente, por me perceber amado.
Os frutos que percebo, a princípio, é a retomada dos apostolados, ainda que gradativamente. A retomada da vida fraterna. E a própria vida de oração renovada. Em tudo isso, uma nova doação de vida, pois além de minha humanidade tocamos aqui em um mistério e, como tal, sempre pode ser aprofundado. Verdadeiramente uma Obra Nova. Não mais um “fazer” externo, mas agora um “ser” que transborda, que se concretiza mas a partir de dentro, lá de onde a Palavra encontra no homem a Sua morada, onde, no homem, arma a Sua tenda, onde verdadeiramente habita em nós.
Sou Sérgio Augusto Galhardo, membro da Comunidade de Aliança, na Missão de Aparecida. E quando passar aos pés da Virgem, em seu santuário, falarei de você que me lê para Ela.
Shalom.